17.7.07

Uma declaração cristã

Meu impulso inicial foi chamar este post de “Resposta a Bento XVI”, mas logo desisti, pois seria atribuir demasiada importância ao pronunciamento do Vaticano. Chamo de “Uma declaração cristã” para ser coerente com o pensamento de que em tempos de pós-modernidade e pluralismo (que alguns confundem com relativismo) não cabem afirmações categóricas. O máximo que um cristão pode fazer é “uma declaração cristã”, pois a declaração cristã sugere a unanimidade entre os cristãos, o que certamente existirá apenas no céu.

O documento "Respostas a Questões Relativas a Alguns Aspectos da Doutrina sobre a Igreja" elaborado pela Congregação para a Doutrina da Fé e ratificado pelo papa Bento 16, afirma que "a única verdade da fé cristã encontra-se na Igreja Católica", cria a ocasião para uma declaração cristã.

Conforme bem advertiu Pierucci:

Não bastassem a arrogância fundamentalista da "Christian America" monoteísta do governo de George W. Bush e a truculência fundamentalista do monoteísmo intransigente dos aiatolás e talebãs, agora vamos ter pela frente, para completar, mais esta espécie do mesmo gênero: o fundamentalismo católico, que afirma o primado cristão da verdade católica no universo multicultural das igrejas cristãs agora declaradas "não-igrejas" ou "igrejas lacunares".
[ANTÔNIO FLÁVIO PIERUCCI, Folha de S.Paulo, 17 de julho de 2007]

Rejeitei, portanto, e de imediato o pronunciamento do Vaticano. Primeiramente porque poderia argumentar da legitimidade do protestantismo. Poderia advogar em favor do protestantismo, mas cairia no mesmo erro do Vaticano: reivindicar posse da verdade. Seria também vítima do equívoco que confunde o corpo místico de Cristo com as instituições que pretendem representá-lo na história.

Depois considerei afirmar que a verdade a respeito da fé cristã não se encontra nem no Catolicismo nem no protestantismo, mas nas Escrituras, ou na Bíblia Sagrada, compreendida como a coletânea de textos canônicos: a Lei de Moisés e os Profetas do Velho Testamento e os escritos apostólicos do Novo Testamento. Nesse caso, tanto o catolicismo quanto o protestantismo seriam apenas interpretações das Escrituras. Mas logo percebi que cometeria outro erro, a saber, confundir doutrina com verdade: tanto o catolicismo quanto o protestantismo articulam a fé cristã em termos dogmáticos e doutrinários, nos termos da modernidade com sua razão-mania que pretende fazer caber a verdade cristã em um conjunto de teorias filosófico-teológicas. Além de confundir doutrina com verdade, confundiria a experiência com o Cristo ressurreto com a apropriação intelectual das teorias que pretendem explicá-la.

Indo um pouco mais longe, considerei que a tentativa de estabelecer as Escrituras como lócus da verdade a respeito da fé cristã desconsideraria o fato de que a Bíblia Sagrada é uma realidade tardia à consolidação do cristianismo. De fato, havia no movimento cristão chamado primitivo um conjunto de escritos apostólicos, mas não eram considerados textos canônicos autoritativos como o são pela cristandade contemporânea. O Cânon bíblico é formado no quarto século da era cristã, de modo que já existia cristianismo antes que houvesse o que hoje chamamos Bíblia.

Considerei, então, que a verdade a respeito da fé cristã estivesse no testemunho da Igreja, que nasce no Pentecoste. A proclamação dos primeiros cristãos, os documentos gerados, e as experiências comunitárias seriam continentes da verdade. Mas nesse caso, deixaria o cristianismo e a obra de Cristo à mercê das contingências humanas, o que não me agrada, até porque não é o que leio nas Escrituras Sagradas, o que significa que nem mesmo os primeiros cristãos se compreendiam como protagonistas do movimento de Cristo.
Fiquei com a mais conservadora das possibilidades: a única verdade a respeito da fé cristã encontra-se em Cristo. O cristianismo prescinde da Igreja, das Escrituras, do Clero, e de qualquer outra realidade que tenha a mínima cooperação humana para sua existência. A única coisa (perdoe o “coisa”) da qual o cristianismo não prescinde é de Cristo.

O cristianismo é obra do Cristo ressurreto e do Espírito Santo. Não é obra do catolicismo, nem do protestantismo. É Cristo quem edifica sua igreja. É o Espírito Santo quem guia a toda a verdade, sendo que o próprio Cristo é a verdade. É Cristo a verdade e é o Espírito Santo quem aproxima e une Cristo aos que são seus. Cristo está aonde as Escrituras ainda não chegaram. Cristo está aonde Igreja ainda não chegou. Cristo está aonde o testemunho da Igreja ainda não chegou.

Eis uma declaração cristã: "a única verdade da fé cristã encontra-se em Cristo".

27 Comments:

Blogger Pr. Zwinglio Rodrigues said...

A SALVAÇÃO está onde o homem está, mas isso não significa dizer que onde o homem está, está A SALVAÇÃO.

11:04 AM  
Blogger Vagner Ramos said...

Seu texto, como sempre, coerente, e acima de qualquer "coisa" cristão. Em Cristo reside nossa fé, e a razão da nossa fé. Paz e Graça.

4:56 PM  
Blogger MSílvia said...

Para mim é sempre um grande prazer ler seus textos, ouvir suas mensagens, conhecer suas idéias, que tanta diferença fizeram na minha vida espiritual e na da minha família.
Muito obrigada por estas oportunidades!

10:26 PM  
Blogger Esequiel said...

Ed. Se os dogmas e as doutrinas n�o representam a verdade, o que a f� crist� declara estar em Cristo?

10:51 AM  
Blogger Marcus Rios said...

pr. ed., me permita, usar tuas palavras ditas no despertar 2007 salvador... "vá se lascar" o clero, protestantes, ou seja lá o q for, e viva a graça, Cristo, as Escrituras...
Muito bom seu comentário, como todos os outros...
Soli deo Gloria!!!

12:00 AM  
Blogger Laner said...

Li esse artigo na CNN, escrito por Roland S. Martin. Achei essa parte interessante:
"This is nothing but a naked attempt by Pope Benedict XVI to "own" Jesus by virtue of the Catholic Church considering the apostle Peter as its leader. He refuses to acknowledge the reality that Jesus didn't consider a church to be most important. What was? The Great Commission."

8:28 PM  
Blogger Exemplo AVERA said...

Cristo é tudo em todos e é nada nos q estão cheios do seu próprio "tudo" religioso.


Cristo Reina!!

2:52 AM  
Blogger Elio Earli said...

Oi Ed.

Quando lia o trecho "...culto racional..." achava que um dia encontraria alguém que o fizesse valer. Então um amigo me apresentou seu blog. Hoje vejo que valeu à pena.

Há inteligência em Deus; há inteligência em seus filhos; pena que nem todos gostam de pensar.

Aliás... já pensou se o Descartes tivesse razão? "Pensar, logo, existir". Graças a Deus que nos dá misericórdia.

Valeu véi!

Oxalá que Cristo te traga pra Bahia!
Ósculo no olho esquerdo!

2:56 PM  
Blogger Edemir Antunes Filho said...

Permita-me responder-lhe com as mesmas palavras que usei em meu blog (edemirantunes.blogspot.com):

Afirmou Bento XVI: “A única igreja de Cristo é a Católica”. Outrora anunciou: “Fora do Catolicismo não há salvação”.

Por que esbravejar ou escandalizar-se diante das supramencionadas asserções de Bento XVI? O que o Papa proferiu é algo deveras notório. Ao visitar a história da Igreja você encontra esta postura. Certos/as “cristãos/ãs” das mais variadas vertentes valeram-se deste expediente. Trata-se de uma estratégia institucional. Toda instituição religiosa hegemônica, ou em vias de perder tal hegemonia, precisa reafirmar a sua autoridade e as suas origens de tempos em tempos – exempli gratia, revise as obras: “Microfísica do poder” de Michel Foucault e a “Economia das trocas simbólicas” de Pierre Bourdieu. Na contemporaneidade, se o protestantismo estivesse na mesma posição do Catolicismo no Ocidente é provável que as assertivas ofensivas-defensivas também seriam utilizadas. Diante desta grande novidade, a nossa tarefa é nos unir com os/as discípulos/as de Jesus Cristo e não com os/as adoradores/as do próprio umbigo que ficam extasiados/as com o simples sussurrar do nome de suas “empresas sagradas”.

Declarou Jesus Cristo: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim”. [João 14,6] E asseverou mais: “Se alguém me ama, guardará minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos morada. Quem não me ama não guarda minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou”. [João 14,23-24]

Destarte, tem-se como ilação o seguinte: Padres/Mamas, apóstolos/apostilas, pastores/as, missionários/as não podem salvar ninguém. O mesmo se aplica às igrejas autocentradas e arrogantes que se esqueceram do Cristo – fato que se comprova na observação das teias e poeiras como invólucro do Santo Livro.

Enfim, a única igreja de Jesus Cristo é aquela composta por seus/suas discípulos/as. Estes/as últimos/as são os/as portadores/as da salvação que, dentre muitas atribuições, trazem consigo a força das palavras que transformam o mundo.

Graça, paz e bem!

8:40 PM  
Blogger ELIAS said...

Acredito que o Papa está equivocado. Se Jesus estivesse na terra como homem nos tempos atuais, provavelmente ele não seria de nenhuma igreja especificamente. Assim como judeu em sua época ele não freqüentou nenhum grupo especifico entre fariseu, escribas, saduceus e entre outros. Jesus não veio implantar nenhuma organização humana apesar de seus discípulos precisarem se organizar. A igreja que Jesus estabeleceu é superior às organizadas pelos homens. Deus não deixou confinada a salvação nas paredes de uma denominação ou religião como afirma o texto “somente a Igreja Católica dispõe de todos os meios de salvação”. A salvação está no próprio Deus “... eu sou o caminho...”. É impossível enxergar a salvação através de tantas guerras, manipulação da massa, idolatria, indulgências e riquezas concentradas promovido pela igreja católica, mas é possível percebe-la através da vida de santo Agostinho, madre Tereza, padre Enri Nouwen e outros que optaram seguir a Cristo e não somente os dogmas da religião. O mistério da salvação não repousa sobre os cuidados de nenhum clero. Mas sobre a vida simples de homens e mulheres que entenderam pela fé a luz das boas novas.

As pessoas citadas no texto acima são exemplos de homens e mulheres da igreja católica que podemos extrair valores para nossa fé evangélica. Quando deixamos de reconhecê-los como tais estamos também nos tornando exclusivistas

Elias Sena

9:52 AM  
Blogger Mamanunes said...

Pois é...quando a gente olha para os protestantes ou "evangélicas" logo percebe: Jesus também não está em nada disso.
Seu texto trouxe luz sobre minhas dúvidas, traduziu, ensinou, informou...enfim.
Obrigada pastor.
Temos lido, ouvido e nos alimentado com suas pregações.
Outr vez, obrigada.
Graça e paz.

12:11 PM  
Blogger Mamanunes said...

ops... tenho um outro blog www.mamanunes1.zip.net onde tomei a liberdade de criar um button e um link para a Ibab e agora faço outro para o seu blog.
Sou a favor de semear, semear e semear...
umm abraço

2:55 PM  
Blogger Mamanunes said...

ops... tenho um outro blog www.mamanunes1.zip.net onde tomei a liberdade de criar um button e um link para a Ibab e agora faço outro para o seu blog.
Sou a favor de semear, semear e semear...
umm abraço

2:55 PM  
Blogger Maya said...

Pastor, admiro muito seu trabalho e respeito sua opinião. Publiquei omentário semelhante em outro blog cristão, do Daniel Behung. Um grande abraço, Mayalu Felix.

Não me arrogo a verdade absoluta por ser protestante. Mas tenho minha opinião sobre a igreja católica, e sobre os que conscientemente são católicos, mesmo conhecendo a Palavra, mesmo conhecendo o que pregou Jesus.
Mas o que me inquieta, francamente, é o esforço que fazem alguns dos que se dizem protestantes, e cristãos, para se ajuntar a católicos. Vamos também adorar Maria, a deusa mãe, e os santos? Vamos também crer no limbo e no purgatório, se Jesus já fez o sacrifício, tudo está pago? Vamos nos ajoelhar diante de imagens esculpidas em madeira, gesso ou barro, imagens que representam quase sempre seres humanos mortos (quando não representam Jesus, o que não é melhor)? Vamos adorar os mortos, rezar para eles? Vamos realmente crer que o papa representa Deus, que é seu interlocutor, quando a Bíblia diz que Jesus é o único mediador??? E vamos acreditar que basta ser muito bonzinho que já se está salvo? Então somos salvos pelas obras?
Em um blog de cunho cristão muitos dos questionamentos que faço sobre a igreja católica jamais foram postados pelo dono do blog. Interesses, medo, adoração a essa igreja, seja qual for o motivo dos bloqueios, que nunca me foram claros, deixei de visitar o blog, com todo o respeito ao seu dono, que realmente tem o direito de censurar quem ele quiser -- afinal, o blog é dele, ponto. Acredito mesmo que por pressão de amigos católicos o dono do blog, que se diz protestante, tenha começado a frear meus ímpetos. Faço comentários muita vezes contundentes, indignados, mas raramente desrespeitosos. Então não se pode falar o que se pensa das coisas? Da igreja católica?
Muitos cristãos mais modernos, nós protestantes, cristãos, que questionamos a passividade política das nossas igrejas, a hierarquia, o modo como são tratados vários assuntos no âmbito dito "evangélico", a hipocrisia e a fome de poder e dinheiro de muitas denominações, hoje tememos falar a verdade também sobre a igreja católica. Parece que não soa "moderno" dizer que adoração a Maria é abominação a Deus, e que quem está dentro da estrutura católica passivamente aceita o dogma, não só este como muitos outros, anti-bíblicos.
Eu, de minha parte, vocifere quem quiser, creio que a igreja católica não é cristã. Penso que é uma igreja politeísta, pois tem deuses e semi-deuses, travestidos de "nossas senhoras", "nossos senhores", santos etc. Assim como creio que os espíritas, a maioria dos quais se diz cristã, também não são cristãos, pois negam o centro da fé salvadora em Jesus: o fato de que seu sacrifício foi suficiente, e meu espírito está salvo, nada tendo eu a fazer retornando e "reencarnado" em outros corpos (!). Os espíritas se comunicam com espíritos de mortos, assim como os católicos, assim como os adeptos do candomblé e outros. A isto chamamos "necromancia", o que é, segundo a Bíblia, "abominação" aos olhos de Deus.
Então nos importa mais agradar os homens que a Deus? Se possível, tende paz com todos. Se possível. Não me calo diante do que penso ser erro, e erro brabo, de doer o coração de Deus. Prefiro ficar em paz com Deus e minha consciência e inquietar os homens. Tenho amigos católicos, tenho amigos espíritas, mas a eles, se me perguntarem, direi o que penso. Assim como tenho amigos norte-americanos mas digo a eles o que penso de Bush, que é o presidente dos EUA. Os americanos não podem mudar de nacionalidade, podem mudar de voto. Mas os católicos, tomando consciência de que pertencem a uma instituição apodrecida desde sua fundação, corrupta, má, podem se desligar da igreja e adorar o Deus único. Ou não, que é infelizmente o que vemos de muitas pessoas que politicamente possuem lucidez, socialmente se colocam contra as injustiças, mas religiosamente se equivocam, ou conscimentemente deixam-se equivocar por uma instituição que nega a própria essência do cristianismo.

4:28 PM  
Blogger Ana said...

Deus abençoe toda a coragem de vcs. todos que esceveram...nós enquanto igreja precisamos nos levantar e nos posicionar diante de tudo isso!!!! Deus continue dando sabedoria e intrepidez ao Pr. Ed e a todos nós.

9:15 AM  
Blogger Nilton Santos de Oliveira said...

Muito boa sua colocação e como já falam extremamente coerente.
É interessante como muitos trazem para sí este rótulo "cristão", mas no entanto temos visto tão pouco do produto que deveria estar por trás deste rótulo em nossos dias.
Nunca ví um vidro de medicamento com um belo rótulo curar por sí só, sem que haja por dentro seu princípio ativo. É assim o cristianismo moderno um belo rótulo em um belo frasco, mais vasio, sem o princípio ativo "Jesus Cristo".

1:41 PM  
Blogger Maya said...

Hoje fiquei muito feliz em poder comprar a última edição da Revista Eclésia, que infelizmente não conta mais com colaboradores muito bons que nela já escreveram -- inclusive o sr., pastor Ed, e o pastor Ricardo Gondim, entre outros tantos.

Mas, lendo ontem a Veja desta semana me deparei com uma reportagem (mais uma, entre as inúmeras) que noticia que a igreja católica nos EUA terá de pagar indenizações a vítimas de padres, bispos, arcebispos etc. pedófilos. O montante atinge 660 milhões de dólares. E, além disso, como diz a reportagem, " 'Como a igreja católica exige o celibato, a vida sexual dos padres acaba sendo rodeada de segredo', disse a VEJA o americano David Clohessy, diretor da Rede de Sobreviventes de Abuso de Padres, com sede em Chicago. 'Praticamente todos têm o que esconder, do seminarista ao bispo, e isso explica por que um acoberta o outro'" (25/07/2007, p. 96).

Além dessa reportagem, na revista Eclésia (ano 11, ed. 118, p. 56) há também outra, que volta no tempo e relembra o massacre de São Bartolomeu, na França, sob o título "O Holocausto do século 16", que vitimou 100 mil protestantes, mortos por serem, simplesmente, cristãos adeptos do movimento protestante. Naquela época a igreja católica podia fazer isso: faca nos que não são da madre. Hoje, o papa emite declarações como a que fez, querendo simbolicamente matar os cristãos que não fazem parte da igreja de Roma.

Na hora em que li os textos me lembrei da declaração do papa e de como nada disso faz sentido diante do que é visível, palpável, indecorosamente exposto, há séculos.

E me lembrei também de que alguns dos que se dizem cristãos "protestantes" ou "evangélicos", à escolha do freguês, que têm blogs, sites e afins, não hesitam em postar notícias sobre "pastores" pedófilos e escândalos nas igrejas protestantes/evangélicas. Eles existem? Sim, é claro! Somos os primeiros a denunciar. Os que muitos protestantes mais amam, parece-me, é criticar não só o protestantismo, mas as igrejas e seus líderes. Somos eternos autofalantes que constantemente berram: "mea culpa! mea maxima culpa!" Felizmente ou infelizmente.


O que é constrangedor não é o reconhecimento de nossas falhas -- isso pode ser construtivo, ou pode gerar, dependendo de como falamos, um sentimento de que somos, no final das contas, uns joões-ninguém, mesmo, como o papa declarou.

O que me surpreende é ver "líderes cristãos protestantes" se derramando em textos elogiosos à igreja católica mas fazendo pouco caso de reportagens e denúncias graves como a que foi publicada pela Revista Veja. Ora, se somos assim tão ecumênicos, por que reservamos as vaias somente para nós mesmos e os aplausos, eternos, para a "santa madre igreja"? Essa pergunta continua sem resposta. Mas tenho minhas desconfianças: interesses comerciais e profissionais, medo, santa adoração ou simples burrice, mesmo.

Não defendo uma denominação, nem mesmo o movimento protestante da Reforma, mas gosto de saber que faço parte de uma tradição de luta contra a mentira, o autoritarismo, a favor da verdade e da busca do Deus uno e trino, Soli Deo Gloria. Sou cristã, antes de carregar qualquer placa. Mas não nego que sou, sim, protestante, e que sou feliz assim.

11:32 PM  
Blogger Crônicas e Poesia said...

Acho que foi C.S. Lewis quem disse:"de todos os homens maus,os homens maus religiosos são os piores". Não adianta nada "berrar" aos quatros ventos os erros da igreja católica enquanto o sal nas cozinhas eclesiásticas protestantes continuam sem sabor para o mundo. Existe um didato popular antigo que diz: "justiça pra ser boa tem que começar em casa".Não nos interessa o que a igreja católica pratica,é tão trivial que torna inócuo falr de pedofilia,noite de São Bartolomeu etc. E os dólares na cueca? Os pastores adultéros? Os testemunhos de charlatões mercadejando a fé? Me digam, se a carne está apodrecendo, de quem é a culpa? Não seria do sal?(baseado um texto de John Stott).Denunciar injustiça é,acima de qualquer coisa,demonstrar justiça.
Que Deus nos ilumine
Ah! sou evangélico.

8:53 AM  
Blogger Maya said...

Não, não é trivial falar dos horrores produzidos pela instituição católica, pois o assunto em pauta neste tópico é a declaração desonesta de Bento XVI, papa da igreja católica romana. Então, creio que é oportuno levantarmos esse assunto, sim. Mais do que isso, creio que muitos de nós precisam ter uma percepção menos poética e intelectualizada da igreja romana, mais realista e condizente com suas práticas históricas.

Quanto aos problemas das igrejas protestantes/evangélicas, não disse que eles não existiam. Existem, sim, mas vejo em nós mais autocrítica que vejo nos católicos. Aliás, vejo na maioria das vezes, nos protestantes/evangélicos, de todas as denominações e cores, mas sobretudo dos que se crêem intelectuais (como se se sentissem culpados por ser protestantes/evangélicos, quase têm vergonha de dizer que fazem parte de uma tradição, de um movimento, de uma crença) uma autocrítica perversa, autofágica, que em nada é sal e luz, mas escárnio e cinismo.

5:20 PM  
Blogger Maya said...

Crônicas e poesia,

Creio que "os dólares na cueca" não têm muito relação com os evangélicos... Já os dólares dentro da Bíblia sim, só que essa história é outra, não menos vergonhosa. O que não me impede de falar da Noite de São Bartolomeu, da pedofilia reinante entre o clero católico, das riquezas inúmera do Vaticano obtidas a custo de pilhagem, dos escândalos financeiros de bancos pertencentes ao Vaticano -- e dos culpados que lá estão, salvaguardados de qualquer julgamento, investigação, processo...

3:30 PM  
Blogger Filipe B. Macedo said...

Amém! Boas palavras Pr.Ed. A tentativa de "privatizar" Cristo e a Igreja, de fato, não é nova. Porém, enquanto houverem profetas no "reino", abriremos nossas vozes e, ainda que sob o preço de nossas cabeças, afirmaremos: "tudo é vosso, e vós de Cristo e Cristo de Deus"!!! Deus abençoe a todos os participantes deste tópico!!!

6:10 PM  
Blogger Alexandro said...

Em Tiago1-26 está escrito para Deus,o pai, a religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viuvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo infelizmente vejo muitas pessoas discutindo qual é religiaõ certa Católica ou protextante? o importante é seguir Jesus e imitar os seus passos a religião que o homem fez não passa de uma gaiola tentando interpretar DEus Todos quererem ter REligião mas falata Deus no coração como disse SWIFT: temos bastante religião p/ nos odiar uns aos outro,mas não o bastante p/ que amemos uns aos outros.

11:07 AM  
Blogger Alexandro said...

Em Tiago1-26 está escrito para Deus,o pai, a religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viuvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo infelizmente vejo muitas pessoas discutindo qual é religiaõ certa Católica ou protextante? o importante é seguir Jesus e imitar os seus passos a religião que o homem fez não passa de uma gaiola tentando interpretar DEus Todos quererem ter REligião mas falata Deus no coração como disse SWIFT: temos bastante religião p/ nos odiar uns aos outro,mas não o bastante p/ que amemos uns aos outros.

11:07 AM  
Blogger Eduardo Zombini said...

Maya, a paz de Jesus!


Creio que vc generaliza em fala de "pedofilia reinante no clero católico". Quer dizer então que a maioria do clero é pedófila? Em que bases vc fala isso? Tem critério científico? Amostragem real?

Creio que não. Baseia-se apenas na declaração parcial de alguém que certamente lucrou muito com os casos de pedofilia nos EUA. Pense bem, é muiiito interessante para quem deu aquela declaração aumentar o caso para que se crie um clima favorável em tribunais.

É o mesmo que eu dizer "e a sanha por dinheiro no meio protestante"?

Eu estaria generalizando cada vez mais tbm! Mas é claro, aí é questão de se usar dois pesos e duas medidas, né?

Qto à declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, ela explica o que sempre foi pensamento católico há 2000 anos, colocado de novo no Concílio Vaticano II (Unitatis Reintegratio e Dei Verbum) e nos anos 90 (Dominus Iesu).

Não sei por que de tanta polêmica em cima disso, se só repetiu o que já era sabido. Aliás, nem o CONIC (conselho Nacional de igrejas Cristãs) a rejeitou pois encarou a mesma como a forma legítima de como a Igreja de vê.

Ora, se a Igreja não pode se ver como quer, onde está a liberdade da Igreja? É um direito da mesma!

Qtas vezes nós católicos somos colocados em prova a nossa fé por um irmão protestante que vem nos acusar dos maiores absurdos e temos que ficar retrucando? (isso tem um lado bom: conhecemos e amamos mais a Igreja e Cristo qdo isso acontece. Se bem que apologética, como é feita hoje, com guerrinha de versículos, nunca levou ninguém a céu)

Ora, aí temos que respeitar a opinião protestante (que diga-se de passagem não é muito educada na maioria das vezes). Por que não se pode respeitar a opinião da Igreja em uma declaração feita PARA católicos?

Dois pesos, duas medidas?


Qto aos crimes do tipo "noite de S. Bartolomeu", bom houve tbm a revolta cammponesa na Europa, mais ou menos na mesma época em que padres, leigos católicos foram mortos em praça pública. O calvinismo holandês estuprava freiras sobre os altares das igrejas, pois "com católicas podem". Na Irlanda do Norte ainda há um ódio terrível (graças a Deus decrescente). Há uns 3 anos atrás adultos mataram uma criança católica pois ela passou por um bairro protestante a caminho da escola. Se formos colocar as barbaridades dos últimos 500 anos de um lado e outro, haja blog e pecado! Aliás, o papa João Paulo II já pediu perdão pelos erros dos filhos da Igreja, uma atitude razoável e cristã seria perdoar e demonstrar grandeza.

Bom era isso que eu queria dizer.


Abs e fique com Deus!

Eduardo Zombini
e.zombini@itelefonica.com.br

4:57 PM  
Blogger Eduardo Zombini said...

Só para ilustrar, a nota do CONIC

abs em Cristo!




11/07/2007

NOTA DO CONIC REFERENTE AOS ESCLARECIMENTOS SOBRE A “DOMINUS IESUS” APRESENTADOS PELA CONGREGAÇAO PARA A DOUTRINA DA FÉ NO DIA 10 DE JULHO DE 2007.





O Vaticano divulgou nesta terça-feira, dia 10 de julho, um documento, datado de 29 de junho último, que esclarece questões doutrinais internas da Igreja Católica Apostólica Romana. Este texto reafirma de modo claro que a Igreja Católica reúne todos os requisitos da Igreja cristã fundada originalmente por Jesus Cristo e seus apóstolos e esclarece o que já foi afirmado no documento "Dominus Iesus", divulgado no ano 2000.



Estes esclarecimentos, apesar de tratarem de um assunto polêmico, não trazem em si nenhum elemento novo que atinja a causa da unidade dos cristãos, pois são todos assuntos já postos na mesa dos diálogos ecumênicos. O texto é obra da Congregação para a Doutrina da Fé, tendo sido previamente aprovado pelo Papa Bento XVI para publicação, em forma literária de perguntas e respostas, sem maior desenvolvimento das questões. O atual Prefeito da Congregação, cardeal William Levada, e seu Secretário, monsenhor Angelo Amato, assinam o documento.



As “respostas” mostram que Bento XVI continua firme em suas convicções de defender o Cristianismo contra o relativismo contemporâneo e para isto ele aponta para a Igreja Católica como a única que, através de sua continuidade histórica, é capaz de manter uma referência moral e religiosa da herança cristã. Ao afirmar isto, o Papa indica que apenas na Igreja Católica estes valores podem ser encontrados de forma plena, pois nela subsistem os valores imutáveis do Cristianismo originário. Nas outras comunidades eclesiais cristãs, de acordo com o documento, estes valores estão presentes, mas com uma certa deficiência, tendo em vista que as mesmas não possuem a plenitude dos elementos da única Igreja de Cristo, segundo a auto-consciência da Igreja Católica.



Estes esclarecimentos são considerados salutares para a caminhada ecumênica, pois reafirmam a identidade da Igreja Católica e, conseqüentemente, chamam às demais Igrejas cristãs a refletirem sobre a sua eclesiologia e identidade. Isto permitirá continuar num diálogo franco e aberto. Bento XVI, em sua recente visita ao Brasil, reafirmou o compromisso da Igreja Católica para com o ecumenismo, apontando para o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) como canal de diálogo com outras denominações cristãs. A palavra chave aqui, reafirmada no documento de ontem, é “diálogo”. O subsecretário da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, Pe. Agostinho di Noia, afirma que o documento visa esclarecer a identidade da Igreja Católica, mas não altera o compromisso da mesma com o diálogo ecumênico.



Apesar de toda a repercussão na mídia, lembrando o sucedido no ano 2000 com a “Dominus Iesus”, convidamos a todas as Igrejas cristãs a continuarem refletindo e orando intensamente pela perfeita recomposição da plena unidade de todos os cristãos, cada uma dentro de sua própria identidade, mas sempre abertos ao diálogo e à partilha da fé. Devemos cada um fazer um exame de consciência diante do Senhor, pelo fato da unidade ainda não ter sido alcançada por conta de nossas falhas. O Espírito Santo continua agindo no mundo ecumênico, apesar de nós. O diálogo entre as Igrejas é uma resposta positiva ao apelo à unidade feito por Cristo.



Certamente, no caminho da unidade, existem ainda sérias dificuldades a serem superadas, sejam por razões históricas ou teológicas. Por isso mesmo devemos estar afeitos à oração, abertos ao diálogo, conscientes de nossa identidade, de nossa história e do compromisso de todos na busca da plena comunhão eclesial. Esta é a nossa esperança para que o mundo creia.





Brasília, 11 de julho de 2007.




Rev. Luiz Alberto Barbosa

Secretário Executivo



Pe. Gabriele Cipriani

Secretário Adjunto

5:09 PM  
Blogger Edemir Antunes Filho said...

Em tempos de estupidez religiosa ainda é válido: exercitar o amor, conhecer a história e ter sensibilidade cristã.

Que Deus tenha misericórdia de católicos/as, ortodoxos/as e protestantes.

Que o Senhor nos ajude a ser melhores discípulos/as de Jesus Cristo.

Graça, paz e bem!

3:17 PM  
Blogger Dani Nogueira said...

Não me lembro onde conheci seu blog, mas acho que foi num blog de um amigo meu, meu líder de ministério. Ou então foi algum texto seu que li no site do pr Ricardo Gondim.
Bem, não importa muito. Amei esse texto. Você escreve muito bem, e expressa de forma muito linda, o que é o cristianismo pra você. Posso ver Jesus sorrindo ao ver cada um de seus posts.
Um abraço,
Fique com Jesus=)

11:38 PM  

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    LOCAL: São Paulo (SP)
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  • "A missão é o sim de Deus ao mundo; a participação na existência de Deus no mundo. Em nossa época, o sim de Deus ao mundo revela-se, em grande medida, no engajamento missionário da igreja no tocante às realidades de injustiça, opressão, pobreza, discriminação e violência."
    David Bosch
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