<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430</id><updated>2011-09-17T01:19:52.881-03:00</updated><title type='text'>.:Outra Espiritualidade :: Ed René Kivitz:.</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>67</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-2352858953152647232</id><published>2007-10-22T14:44:00.000-02:00</published><updated>2007-10-22T14:45:34.778-02:00</updated><title type='text'>NOVIDADE</title><content type='html'>Para textos atualizados, visite &lt;a href="http://www.galilea.com.br/"&gt;www.galilea.com.br&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;Ed René&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-2352858953152647232?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/2352858953152647232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=2352858953152647232&amp;isPopup=true' title='42 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/2352858953152647232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/2352858953152647232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/10/novidade.html' title='NOVIDADE'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>42</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-875235844963661922</id><published>2007-09-19T09:19:00.000-03:00</published><updated>2007-09-19T09:21:04.842-03:00</updated><title type='text'>VERGONHA</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Rui Barbosa, escrito em 1914&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A FALTA DE JUSTIÇA, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime (na Monarquia), o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto (o Imperador, graças principalmente a deter o Poder Moderador), guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-875235844963661922?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/875235844963661922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=875235844963661922&amp;isPopup=true' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/875235844963661922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/875235844963661922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/09/vergonha.html' title='VERGONHA'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-4204916291120955163</id><published>2007-09-14T12:05:00.000-03:00</published><updated>2007-09-14T12:06:45.613-03:00</updated><title type='text'>ATIRE A PRIMEIRA PEDRA</title><content type='html'>&lt;em&gt;Quem estiver sem pecado, que atire a primeira pedra...&lt;/em&gt; Lembrei desta frase ao saber da absolvição do senador Renan Calheiros na última quarta-feira. Atolado num mar de acusações que vão desde envolvimentos com lobistas de empreiteiras, desvios de verbas públicas, crescimento vertiginoso e mal explicado do patrimônio pessoal, fraudes fiscais e contábeis, mentiras ao fisco e à Polícia Federal, utilização de “laranjas” para esconder negociatas ilícitas, abuso de autoridade e poder, enfim uma lista inconcebível para qualquer cidadão, mais ainda ao presidente do Senado, a casa maior do poder legislativo da República, não há outra explicação para que tenha sido evitada sua cassação senão a máxima estabelecida por Jesus: o Senado é uma casa onde macacos não criticam o rabo dos outros porque têm vergonha dos seus próprios rabos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senador Renan Calheiros sabe demais. Sabe dos pecados e crimes de tantos outros senadores, sabe dos expedientes dos que se locupletam no exercício do poder: compra de votos, beneficiamento de empresas, manipulação de verbas orçamentárias, recebimento de doações para “fundos de campanha”, comércio de concessões de veículos de mídia, sistemas de corrupção, loteamentos de estatais, “caixas dois”, os “por fora” das privatizações, além das escapadelas hedonistas dos engravatados da corte. Fosse escrever na areia, o senador Renan Calheiros encheria o chão com um triller de romances ilícitos, negócios espúrios, crimes grotescos, expondo a podridão dos bastidores do poder que nada mais são do que reflexo e expressão dos lixos guardados nom porão da alma humana conquistada pela diabólica trindade dinheiro, sexo e poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me admira que os senadores tenham escolhido a escuridão de uma seção secreta com o manto para uma votação secreta não menos tenebrosa: “as pessoas preferem a escuridão porque fazem o que é mau. Os que fazem o mal odeiam a luz e fogem dela para que ninguém veja as coisas más que fazem”, diz a Bíblia Sagrada (João 3.19,20 – BLH). Escondidos nas trevas, os homens maus são incapazes de promover processos de justiça, primeiro porque não têm autoridade moral para executá-los, mas também e principalmente porque temem a exposição de sua própria impiedade, vivem aterrorizados pela possibilidade de que sua vergonha seja exibida pelas esquinas, vire manchete de jornais, capas de periódicos, corpos nus em revistas de fetiche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao denunciar o pecado dos impiedosos apedrejadores Jesus pretendia convocar todos à dignidade humanizadora, fraterna, conciliadora, mostrando que a culpa e a vergonha não são purgadas pelo achincalho, o enxovalho e a pena capital em praça pública, mas pela outorga mútua da compaixão e da misericórdia, própria dos que enxergam as sombras de suas próprias almas e estendem a mão e se irmanam na súplica para sejam guiados ao caminho da luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta cristã da recusa ao apedrejamento não é uma licença para a manutenção de um sistema imundo perpetuado por almas sujas. A proposta cristã para que ninguém atire a primeira pedra é a afirmação de que ninguém precisa temer vir para a luz: a confissão a Deus não implica colocar a cabeça na guilhotina, mas o abrir do coração para que o poder de Deus anule a força da maldade, o perdão de Deus anule poder da culpa e da vergonha, e o amor de Deus se derrame sobre todos, para que se tornem desnecessários os bodes expiatórios e os processos vitimários. Jesus pretendia que os homens soltassem as pedras para que tivessem as mãos livres para receber perdão e amor, e pudessem se abraçar em justa e fraterna comunhão. Os senadores brasileiros que soltaram as pedras o fizeram por outras razões: ficaram com as mãos livres para agarrar as pontas do manto da escuridão a fim de que pudessem permanecer escondidos nas trevas e continuassem a fazer o mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-4204916291120955163?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/4204916291120955163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=4204916291120955163&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/4204916291120955163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/4204916291120955163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/09/atire-primeira-pedra.html' title='ATIRE A PRIMEIRA PEDRA'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-1107232463907550828</id><published>2007-09-04T19:22:00.000-03:00</published><updated>2007-09-04T19:27:19.238-03:00</updated><title type='text'>Eu também não te condeno</title><content type='html'>Pode procurar que você não vai achar. Não importa aonde vá, estou absolutamente convencido de que há duas coisas que você nunca vai achar. Você pode correr o mundo e o tempo, e tenho certeza que jamais conseguirá achar alguém que não se envergonhe de algo em seu passado. Para qualquer lugar que você vá, lá estarão elas, as pessoas que gostariam de apagar um momento, uma fase, um ato, uma palavra, um mínimo pensamento. Todo mundo tenta disfarçar, e certamente há aqueles que conseguem viver longos períodos sem o tormento da lembrança. Mas mesmo estes, quando menos esperam são assombrados pela memória de um ato de covardia, um gesto de pura maldade, um desejo mórbido, um abuso calculado, enfim, algo que jamais deveriam ter feito, e que na verdade, gostariam de banir de suas histórias ou, pelo menos, de suas recordações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é uma péssima notícia para a humanidade, mas uma ótima notícia para você: você não está sozinho, você não está sozinha. Inclusive as pessoas que olham em sua direção com aquela empáfia moral e sugerem cinicamente que você é um ser humano de segunda ou terceira categoria, carregam uma página borrada em sua biografia, grampeada pela sua arrogância e selada pelo medo do escândalo, da rejeição e da condenação no tribunal onde a justiça jamais é vencida. Você não está sozinho. Você não está sozinha. Não importa o que tenha feito ou deixado de fazer, e do que se arrependa no seu passado, saiba que isso faz de você uma pessoa igual a todas as outras: a condição humana implica a necessidade da vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda coisa que você nunca vai encontrar é um pecado original. Não tenha dúvidas, o mal que você fez ou deixou de fazer está presente em milhares e milhares de sagas pessoais. Não existe algo que você tenha feito ou deixado de fazer que faça de você uma pessoa singular no banco dos réus – ao seu lado estão incontáveis réus respondendo pelo mesmíssimo crime. Talvez você diga, “é verdade, todos têm do que se envergonhar, mas o que eu fiz não se compara ao que qualquer outra pessoa possa ter feito”. Engano seu. O que você fez ou deixou de fazer não apenas se compara, como também é replicado com absoluta exatidão na experiência de milhares e milhares de outras pessoas. Isso significa que você jamais está sozinho, jamais está sozinha, na fila da confissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por estas razões, a Bíblia Sagrada diz que devemos confessar nossas culpas uns aos outros: os humanos não nos irmanamos nas virtudes, mas na vergonha. Este é o caminho de saída do labirinto da culpa e da condenação: quando todos sussurrarmos uns aos outros “eu não te condeno”, ouviremos a sentença do Justo Juiz: “ninguém te condenou? Eu também não te condeno”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, ou o jogo bruto de sermos julgados com a medida com que julgamos. A justiça do único justo reveste os que têm do que se envergonhar quando os que têm do que se envergonhar desistem de ser justos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-1107232463907550828?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/1107232463907550828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=1107232463907550828&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/1107232463907550828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/1107232463907550828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/09/eu-tambm-no-te-condeno.html' title='Eu também não te condeno'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-7710304938489564249</id><published>2007-08-23T15:00:00.000-03:00</published><updated>2007-08-23T15:02:44.410-03:00</updated><title type='text'>A parábola da bola</title><content type='html'>Os dez homens importantes sentados ao redor da bola discutiam acaloradamente:&lt;br /&gt;– A bola é grená, disse um.&lt;br /&gt;– Claro que não, a bola é bordô, retrucou outro em tom raivoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos estavam fascinados pela beleza da bola e tentavam discernir a cor da bola. Cada um apresentava seu argumento tentando convencer os demais, acreditando que sabia qual era a cor da bola. A bola, no centro da sala, calada sob um raio de sol que entrava pela janela, enchia a sala de uma luminosidade agradável que deixava o ambiente ainda mais aconchegante, exceto para aqueles dez homens importantes, que se ocupavam em defender seus pontos de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você é cego?, ecoou pela sala gerando um silêncio que parecia ter sido combinado entre os outros nove homens importantes. Era até engraçado de observar a discussão – na verdade era trágico, mas parecia cômico. Todos os dez homens importantes usavam óculos escuros, cada um com uma lente diferente. Talvez por causa dos óculos pesados que usavam, um deles gritou “você é cego?”, pois pareciam mesmo cegos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do susto, a discussão recomeçou. O sujeito que acreditava que a bola era cor de vinho debatia com o que enxergava a bola alaranjada, mas um não ouvia o que o outro dizia, pois cada um usava o tempo em que o outro estava falando para pensar em novos argumentos para justificar sua verdade. Aos poucos, a discussão deixou de ser a respeito da cor da bola, e passou a ser uma troca de opiniões e afirmações contundentes a respeito das supostas cores da bola. A partir de um determinado momento que ninguém saberia dizer ao certo quando, os dez homens tiraram os olhos da bola e passaram a refutar uns ao outros. Em vez de sugestões do tipo: – A bola é vermelha, todos se precipitavam em listar razões porque a bola não era grená, nem cor de vinho, nem mesmo alaranjada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, alguém gritou: – Ei pessoal, onde está a bola? Todos pararam de falar – estavam todos falando ao mesmo tempo, e foi então que perceberam um alarido parecido com aquelas gargalhadas gostosas que as crianças dão quando sentem cócegas. Correram para a janela e viram uma criançada brincando com a bola, que parecia feliz sendo jogada de mão em mão. Ficaram enfurecidos com tamanho desrespeito com a bola. Ficaram também muito contrariados com a bola, que parecia tão feliz, mas não tiveram coragem de admitir, afinal, a bola, era a bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, sem dar a mínima para os dez homens importantes, estavam as crianças brincando e se divertindo a valer com a bola que os dez homens importantes pensavam que era deles. E nenhuma das crianças sabia qual era a cor da bola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-7710304938489564249?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/7710304938489564249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=7710304938489564249&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7710304938489564249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7710304938489564249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/08/parbola-da-bola.html' title='A parábola da bola'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-8974881739174226842</id><published>2007-08-18T22:01:00.000-03:00</published><updated>2007-08-18T22:12:34.704-03:00</updated><title type='text'>The God Delusion</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Donald Miller&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Meu mais recente esforço de fé não é do tipo intelectual. Eu realmente não faço mais isso. Mais cedo ou mais tarde você simplesmente descobre que há alguns caras que não acreditam em Deus e podem provar que ele não existe e alguns outros caras que acreditam em Deus e podem provar que ele existe - e a esse ponto a discussão já deixou há muito de ser sobre Deus e passou a ser sobre quem é mais inteligente; honestamente, não estou interessado nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________________&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Donald Miller é autor de &lt;em&gt;Fé em Deus e pé na tábua&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;Como os pinguins me ajudaram a entender Deus&lt;/em&gt;, ambos publicados pela Thomas Nelson Brasil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-8974881739174226842?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/8974881739174226842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=8974881739174226842&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/8974881739174226842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/8974881739174226842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/08/god-delusion.html' title='The God Delusion'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-1268347065767157517</id><published>2007-08-16T13:43:00.000-03:00</published><updated>2007-08-16T13:47:45.789-03:00</updated><title type='text'>Aos meus amigos da Betesda</title><content type='html'>ASAS CORTADAS&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Jorge Vercilo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, pássaro perdido&lt;br /&gt;Que avoou sem medo&lt;br /&gt;Quando era menino&lt;br /&gt;Sério, eu chego a me lembrar&lt;br /&gt;e logo chega o mundo&lt;br /&gt;Pra intimidar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles gritam e conseguem me assustar&lt;br /&gt;Eu me sinto gaivota sobre o mar&lt;br /&gt;Que afundou as asas nas manchas de óleo ao mergulhar&lt;br /&gt;E agora não consegue mais voar&lt;br /&gt;Um dia eu vou voar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei , sei tudo que posso&lt;br /&gt;Mas vem essa lei&lt;br /&gt;e impõe o ócio&lt;br /&gt;quem tem um olho é rei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu desafiar, incomodarei&lt;br /&gt;Vez em quando bate um vento por aqui&lt;br /&gt;Abro as minhas asas pra tentar subir&lt;br /&gt;Mas com tanto tempo preso a essas grades, me esqueci&lt;br /&gt;E agora tenho medo de cair&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiê,&lt;br /&gt;Venha das alturas me salvar&lt;br /&gt;No maciço da Tijuca pousará&lt;br /&gt;Onde as nuvens se debruçam&lt;br /&gt;E eu não canso de esperar&lt;br /&gt;Sua liberdade me libertará&lt;br /&gt;Abra as suas asas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai sem medo, vai&lt;br /&gt;Vai ganhar o céu&lt;br /&gt;Quem provou da liberdade&lt;br /&gt;não terminará&lt;br /&gt;Preso às próprias grades&lt;br /&gt;Um dia eu vou voar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já vivi no ar&lt;br /&gt;Vem me ver voar&lt;br /&gt;Vem me ver voar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-1268347065767157517?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/1268347065767157517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=1268347065767157517&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/1268347065767157517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/1268347065767157517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/08/aos-meus-amigos-da-betesda.html' title='Aos meus amigos da Betesda'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-2826007662455677814</id><published>2007-08-08T09:27:00.000-03:00</published><updated>2007-08-08T09:29:14.796-03:00</updated><title type='text'>Poder e sucesso, justiça e santidade</title><content type='html'>&lt;em&gt;Por Jung Mo Sung&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A nossa esperança e o nosso testemunho não podem ser fundados na fé em Deus-poder ou na divinização de alguma pessoa, grupo social ou instituição. A fé cristã nos apresenta um caminho inverso: ao invés da divinização de um ser humano muito poderoso ou de alguma instituição social (como o mercado) ou religiosa – proposta sedutora de muitas religiões e ideologias sociais –, o Evangelho de Jesus nos propõe um Deus que se esvazia do seu poder divino para entrar na história como escravo, e como escravo se assemelhar ao humano (Filipenses 2.6,7).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus se revela no esvaziamento do poder para mostrar que o poder e o sucesso não são sinônimos da justiça e da santidade. Pessoas ou igrejas que se consideram justas e santas porque são ricas e/ou poderosas ou porque têm muito ibope não conhecem a verdade sobre Deus e sobre o ser humano. Não é a riqueza que lhes dá dignidade e justifica a sua existência; a nossa existência está justificada e nós somos dignos antes da riqueza, poder ou sucesso, pois nós somos justificados pela graça de Deus que se esvaziou do poder porque ama gratuitamente a toda a humanidade e a toda a criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fé e esperança podem ser experienciadas quando perseveramos na nossa opção pelos pobres e por uma Igreja mais servidora do Povo de Deus, mesmo quando a contabilidade de nossa luta e a frustração pessoal nos diz que não há mais por que esperar. No momento em perseveramos somente porque amamos é que podemos testemunhar esta esperança que é a esperança cristã, que nasce da morte na cruz de um Deus encarnado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Jung Mo Sung&lt;/strong&gt; é professor no Programa de Pós Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo e concentra suas pesquisas na relação entre teologia/religião – economia – educação.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-2826007662455677814?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/2826007662455677814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=2826007662455677814&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/2826007662455677814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/2826007662455677814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/08/poder-e-sucesso-justia-e-santidade.html' title='Poder e sucesso, justiça e santidade'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-6009180853664250735</id><published>2007-07-31T15:19:00.000-03:00</published><updated>2007-07-31T15:20:35.873-03:00</updated><title type='text'>SÚPLICA PELOS QUE CHORAM</title><content type='html'>Pai Celestial, hoje erguemos nossas vozes em intercessão pelos que choram seus mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconhecemos que és Deus de amor e bondade, Deus de toda consolação, pleno em compaixão e rico em misericórdia, e por isso clamamos que derrames sobre todos os corações porção suficiente de tua paz que excede todo o entendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogamos que tomes pela mão aqueles que estão perdidos em meio à escuridão, amedrontados no vale da sombra da morte, e os conduza em serenidade para a luz, dando-lhes novo frescor para a alma, renovando-lhes a esperança para a construção do amanhã, firmando-lhes os pés para a continuação da jornada, devolvendo-lhes a força para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogamos que enxugues cada lágrima, recebendo-as como a mais pura oração, acolhendo-as como tributos aos que se foram, dando-lhes sentido e significado, transformando-as em memórias felizes e lembranças de amor e saudade que produzam frutos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogamos que com tua presença amorosa preenchas o vazio deixado pelas ausências, suprindo as faltas, recolhendo em teu colo de Pai cada um dos que hoje choram e dando-lhes a provisão em resposta às suas aflições, angústias e medos, mostrando-te companheiro e parceiro para a vida que segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogamos que consoles as mães e pais que perderam seus filhos e filhas, os apaixonados que perderam seus amores, as crianças que perderam seus pais, os amigos que perderam seus pares, e que derrames porções de amor suficiente para que a falta dos que se foram seja redimida por reconciliações, aproximações e aprofundamento dos laços de afeto de todos quantos ainda temos vida e oportunidade de amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogamos a ti, que és o Senhor da vida, que detenhas o poder da morte, e cuides dos que estão vestidos de luto para a que a morte de seus amados não lhes roube a alegria de viver; clamamos que detenhas o poder destrutivo desta tragédia, inspirando atos de solidariedade, compaixão e comunhão; e suplicamos que transformes a indignação e revolta destes dias em sementes que floresçam para a beleza e frutifiquem para a justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogamos, nosso Pai, que fortaleças aqueles que perderam seus amados para que ergam memoriais de honra aos que se foram, para que vençam a morte com a insistência em viver, o medo com fé, a desesperança com a insistência em semear a terra regada pelo sangue dos inocentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai Celestial, em nome de teu Filho Jesus, que venceu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade, rogamos que envies teu Espírito Santo a consolar todos os que choram, a cuidar dos que estão com o coração quebrantado e a por, sobre os que de luto estão, uma coroa em vez de cinzas, vestes de alegria ao invés de pranto, manto de louvor ao invés de espírito angustiado, afim de que se levantem como carvalhos de justiça, para a tua glória. Amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-6009180853664250735?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/6009180853664250735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=6009180853664250735&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/6009180853664250735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/6009180853664250735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/07/splica-pelos-que-choram.html' title='SÚPLICA PELOS QUE CHORAM'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-1170736913943439318</id><published>2007-07-17T16:59:00.000-03:00</published><updated>2007-07-17T17:00:26.322-03:00</updated><title type='text'>Uma declaração cristã</title><content type='html'>Meu impulso inicial foi chamar este post de “Resposta a Bento XVI”, mas logo desisti, pois seria atribuir demasiada importância ao pronunciamento do Vaticano. Chamo de “Uma declaração cristã” para ser coerente com o pensamento de que em tempos de pós-modernidade e pluralismo (que alguns confundem com relativismo) não cabem afirmações categóricas. O máximo que um cristão pode fazer é “uma declaração cristã”, pois a declaração cristã sugere a unanimidade entre os cristãos, o que certamente existirá apenas no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documento "Respostas a Questões Relativas a Alguns Aspectos da Doutrina sobre a Igreja" elaborado pela Congregação para a Doutrina da Fé e ratificado pelo papa Bento 16, afirma que "a única verdade da fé cristã encontra-se na Igreja Católica", cria a ocasião para uma declaração cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme bem advertiu Pierucci:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não bastassem a arrogância fundamentalista da "Christian America" monoteísta do governo de George W. Bush e a truculência fundamentalista do monoteísmo intransigente dos aiatolás e talebãs, agora vamos ter pela frente, para completar, mais esta espécie do mesmo gênero: o fundamentalismo católico, que afirma o primado cristão da verdade católica no universo multicultural das igrejas cristãs agora declaradas "não-igrejas" ou "igrejas lacunares".&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[ANTÔNIO FLÁVIO PIERUCCI, Folha de S.Paulo, 17 de julho de 2007]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Rejeitei, portanto, e de imediato o pronunciamento do Vaticano. Primeiramente porque poderia argumentar da legitimidade do protestantismo. Poderia advogar em favor do protestantismo, mas cairia no mesmo erro do Vaticano: reivindicar posse da verdade. Seria também vítima do equívoco que confunde o corpo místico de Cristo com as instituições que pretendem representá-lo na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois considerei afirmar que a verdade a respeito da fé cristã não se encontra nem no Catolicismo nem no protestantismo, mas nas Escrituras, ou na Bíblia Sagrada, compreendida como a coletânea de textos canônicos: a Lei de Moisés e os Profetas do Velho Testamento e os escritos apostólicos do Novo Testamento. Nesse caso, tanto o catolicismo quanto o protestantismo seriam apenas interpretações das Escrituras. Mas logo percebi que cometeria outro erro, a saber, confundir doutrina com verdade: tanto o catolicismo quanto o protestantismo articulam a fé cristã em termos dogmáticos e doutrinários, nos termos da modernidade com sua razão-mania que pretende fazer caber a verdade cristã em um conjunto de teorias filosófico-teológicas. Além de confundir doutrina com verdade, confundiria a experiência com o Cristo ressurreto com a apropriação intelectual das teorias que pretendem explicá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo um pouco mais longe, considerei que a tentativa de estabelecer as Escrituras como lócus da verdade a respeito da fé cristã desconsideraria o fato de que a Bíblia Sagrada é uma realidade tardia à consolidação do cristianismo. De fato, havia no movimento cristão chamado primitivo um conjunto de escritos apostólicos, mas não eram considerados textos canônicos autoritativos como o são pela cristandade contemporânea. O Cânon bíblico é formado no quarto século da era cristã, de modo que já existia cristianismo antes que houvesse o que hoje chamamos Bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerei, então, que a verdade a respeito da fé cristã estivesse no testemunho da Igreja, que nasce no Pentecoste. A proclamação dos primeiros cristãos, os documentos gerados, e as experiências comunitárias seriam continentes da verdade. Mas nesse caso, deixaria o cristianismo e a obra de Cristo à mercê das contingências humanas, o que não me agrada, até porque não é o que leio nas Escrituras Sagradas, o que significa que nem mesmo os primeiros cristãos se compreendiam como protagonistas do movimento de Cristo.&lt;br /&gt;Fiquei com a mais conservadora das possibilidades: a única verdade a respeito da fé cristã encontra-se em Cristo. O cristianismo prescinde da Igreja, das Escrituras, do Clero, e de qualquer outra realidade que tenha a mínima cooperação humana para sua existência. A única coisa (perdoe o “coisa”) da qual o cristianismo não prescinde é de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cristianismo é obra do Cristo ressurreto e do Espírito Santo. Não é obra do catolicismo, nem do protestantismo. É Cristo quem edifica sua igreja. É o Espírito Santo quem guia a toda a verdade, sendo que o próprio Cristo é a verdade. É Cristo a verdade e é o Espírito Santo quem aproxima e une Cristo aos que são seus. Cristo está aonde as Escrituras ainda não chegaram. Cristo está aonde Igreja ainda não chegou. Cristo está aonde o testemunho da Igreja ainda não chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis uma declaração cristã: "a única verdade da fé cristã encontra-se em Cristo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-1170736913943439318?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/1170736913943439318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=1170736913943439318&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/1170736913943439318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/1170736913943439318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/07/uma-declarao-crist.html' title='Uma declaração cristã'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-7185549553055686199</id><published>2007-07-14T12:22:00.000-03:00</published><updated>2007-07-14T12:26:14.313-03:00</updated><title type='text'>O SEMPRE E O DE VEZ EM QUANDO</title><content type='html'>Outro dia alguém pinçou uma de minhas afirmações para afirmar que eu não acredito em milagres. A afirmação que fiz foi que &lt;em&gt;Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós&lt;/em&gt;. De fato, representa muito do meu pensamento: a principal obra de Deus no humano é a conformação do humano à imagem de seu Filho Jesus, que Paulo, apóstolo, chama de “primogênito entre muitos irmãos”. Mais do que fazer coisas boas para o ser humano, Deus está comprometido em transformar o ser humano, ainda que isso custe deixar ou permitir que coisas ruins aconteçam a este ser humano em processo de transformação. Deus não atua no ramo de “conforto para os fiéis”. Deus atua no ramo de transformação do humano à imagem de Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a extrapolar que eu não acredito em milagres é um pulinho. Confundir a ênfase da minha teologia – “Deus faz em nós, e não necessariamente por nós”, com “Deus nunca faz nada por nós”, é até compreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o que pretendo dizer é melhor compreendido quando se dá atenção ao “não necessariamente”: Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. Sublinhe o “não necessariamente”. Isso significa que Deus pode fazer e pode não fazer, e que o fazer ou deixar de fazer é imponderável, afetado por muitas variáveis que extrapolam o nosso controle e nosso entendimento. O que acredito, portanto, é que Deus sempre deseja fazer algo em nós, mesmo quando não faz algo por nós. Deus está sempre agindo para nossa transformação, mesmo quando não atua em nossas circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta razão, minha conclusão é óbvia e simples: não devemos pautar nosso relacionamento com Deus na expectativa de que Ele faça algo por nós, mas na certeza de que Ele deseja fazer algo em nós. Quando Ele faz algo por nós, amém, quando não faz, amém também. O que não podemos permitir é que a expectativa de que Ele faça algo por nós nos deixe cegos ou imobilizados para o que Ele quer fazer em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos cristãos baseia seu relacionamento com Deus na dimensão “por nós”: o Deus de milagres, o Deus de poder. Alguns poucos baseiam seu relacionamento com Deus no “em nós”: o Deus de amor que nos constrange a viver para Ele e não para nós mesmos, onde viver para Ele implica sempre morrer para si mesmo, tomar a cruz e meter o pé na estrada. O milagre é problema (ou solução) de Deus. A fidelidade é problema meu. Atuar em minhas circunstâncias é o imponderável do mistério de Deus. Atuar em mim é o essencial do propósito de Deus. Você escolhe a base de sua relação com Deus: aquilo que pode acontecer ou não – o milagre, ou aquilo que certamente acontece – a transformação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-7185549553055686199?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/7185549553055686199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=7185549553055686199&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7185549553055686199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7185549553055686199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/07/o-sempre-e-o-de-vez-em-quando.html' title='O SEMPRE E O DE VEZ EM QUANDO'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-3608966336285737725</id><published>2007-06-29T11:46:00.000-03:00</published><updated>2007-06-29T11:47:37.902-03:00</updated><title type='text'>Os paradoxos da minha fé (Parte 3): História</title><content type='html'>Os paradoxos de minha fé afirmam que:&lt;br /&gt;. Deus escreve a história através das mãos humanas&lt;br /&gt;. Deus age soberanamente levando em conta a liberdade humana&lt;br /&gt;. Deus conhece os fatos que ainda não aconteceram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta a respeito da relevância destas afirmações para a vida e o relacionamento com Deus e a caminhada no discipulado de Cristo deve ser respondida à luz do paradigma da kenosis. Isto é, o conceito de kenosis me coloca diante da necessidade de viver baseado na segunda metade de cada uma destas afirmações. Nesse caso, o que compete a Deus, fica sob o cuidado de Deus, pois ocupa o espaço do imponderável para minha consciência e compreensão, e não depende de minha vontade ou ação. Devo viver tendo como referência aquilo de que estou consciente e que compreendo e, principalmente, assumindo a responsabilidade daquilo que em boa medida depende de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que Deus escreve a história, agindo soberanamente, e inclusive conhece o que ainda não está escrito. Mas isso, em relação à minha consciência está na categoria do mistério, do imponderável. No meu horizonte de consciência e influência está o fato de que Deus se utiliza de mãos humanas, respeita a liberdade humana, e os fatos ainda não aconteceram. Por esta razão, vivo agindo livremente para construir o futuro em cooperação com Deus. Com licença da expressão, o que Deus está escrevendo, ou fazendo, e o que sabe a respeito do futuro, é problema dele. O meu problema é o que eu estou fazendo, a maneira como uso minha liberdade, e que tipo de futuro existiria se tudo dependesse apenas das minhas escolhas e decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez você pergunte o que tem a kenosis a ver com isso? Respondo que tem tudo a ver, pois a kenosis estabelece o padrão para o relacionamento de Deus comigo. Leio a Bíblia Sagrada como o registro autoritativo da revelação de Deus: quem Deus é – seu caráter, mente e coração, como deseja se relacionar comigo, e como me inclui nEle mesmo e em seu propósito eterno. Leio a Bíblia como o relato de uma grande história na qual Deus vai se desvendando através de seus relacionamentos. E nestes relacionamentos, seja com algumas pessoas específicas ou com uma nação, percebo que o que conta de fato para aqueles que com Ele se relacionam não é sua ação soberana e nem mesmo seu conhecimento do futuro, mas sua grandeza em andar na velocidade destas pessoas. Deus cede espaço para que as pessoas escrevam capítulos de sua história, mesmo incluindo páginas que Ele jamais incluiria; respeita a liberdade dos seus colaboradores; e age como se não tivesse qualquer conhecimento do futuro, fazendo com que seus colaboradores acreditassem naquilo que de fato é: o futuro está sendo construído inclusive por suas escolhas e decisões – Deus não está brincando de liberdade e nem fingindo que as pessoas têm papel preponderante no processo histórico. Deus não se relaciona com marionetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta postura me coloca diante de um paradoxo: morro de medo de fazer besteira e colocar a história em trilhos não aprovados por Deus, mas ao mesmo tempo acredito de todo o coração que não importa em que trilho eu coloque a história, o destino final está garantido, não por mim, mas por Deus, senhor da história. Em outras palavras, morro de medo de não chegar em Canaã, mas não tenho a menor dúvida de que alguém vai chegar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para caminhar entre estas duas possibilidades sem enlouquecer, apelo para o Espírito Santo, o Deus em trânsito. Isto me leva à quarta parte dos paradoxos da minha fé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-3608966336285737725?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/3608966336285737725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=3608966336285737725&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3608966336285737725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3608966336285737725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/06/os-paradoxos-da-minha-f-parte-3-histria.html' title='Os paradoxos da minha fé (Parte 3): História'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-4927726015935442010</id><published>2007-06-28T00:01:00.000-03:00</published><updated>2007-07-02T23:02:14.136-03:00</updated><title type='text'>Os paradoxos da minha fé (Parte 2): Kenosis</title><content type='html'>No Concílio de Nicéia (325 d.C.), sob o imperador Constantino, e no primeiro Concílio de Constantinopla (381 d.C.), se o consenso de que Cristo era eterno, uma encarnação divina, (chamada de "homoousios"), que significa consubstancial com Deus Pai, em uma só pessoa, porém com duas naturezas - completamente divina e completamente humana - e propósitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O termo KENOSIS (ke/nwse - ekénose) que significa esvaziamento, é encontrado no Novo Testamento como o esvaziamento de Jesus (Fl 2,7), esta relacionado a sua divindade, mas precisamente ao deixar de lado seus atributos divinos sem perder sua natureza divina. Jesus deixa de depender de seu poder divino para depender do Espírito Santo"&lt;/em&gt;. A definição é simples, mas serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão ao redor da kenosis de Jesus está no contexto das disputas cristológicas, que debate a natureza de Jesus Cristo durante os primeiros séculos do Cristianismo, e gira ao redor do objeto do esvaziamento, ou, o que foi que Jesus deixou no céu ao descer para a terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No emaranhado de heresias históricas a respeito, há pelo menos duas possibilidades de explicação da kenosis: esvaziamento na forma e nos atributos. Jesus é Deus esvaziado dos atributos próprios de sua divindade (onipotência, onipresença e onisciência), embora intocado em sua natureza divina (eternidade e santidade). Isso implica dizer que o esvaziamento de Deus em Jesus não diz respeito à natureza de Deus. Deus é o mesmo, antes e depois de sua kenosis. Podemos considerar a kenosis, portanto, um critério de relação de Deus com sua criação e suas criaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que Deus conduz a história independentemente de sua kenosis, mas entra na história sempre esvaziado, através de Jesus. Apenas para diferenciar os critérios de relacionamento de Deus com sua criação e suas criaturas, falemos do Deus exaltado (sem kenosis) e do Deus esvaziado, em Jesus (com kenosis). Deus conduz a história desde seu alto e sublime trono, Deus exaltado, mas participa da história em Jesus, o Deus esvaziado . Estes são os sentidos das chamadas teofanias: a presença de Deus, em Jesus, no Velho Testamento, antes da encarnação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui surge um mistério: existe kenosis antes da encarnação. Somente o Deus esvaziado se manifestaria no tempo e seria passível de ser percebido por suas criaturas. O Deus em seu alto e sublime trono habita em luz inacessível (1Timóteo 6.16), e não pode ser contemplado pelo mortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta razão, quando Moisés solicita que Deus lhe mostre sua glória, Deus lhe concede ver sua bondade: "Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti", pois "Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá" (Êxodo 33.20).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Deus que precisa descer para saber o que se passa em Babel (Gênesis 11.5), verificar a pertinência das acusações feitas contra Sodoma e Gomorra (Gênesis 18.20 ,21), e colocar Abraão à prova (Gênesis 22.12) é o Deus esvaziado em Jesus. Dizer que tais expressões são meras figuras de linguagem implica a diminuição da verdade bíblica. Estes não são exemplos de antropomorfismo como figura de linguagem, mas de antropomorfismo como kenosis, pois o Deus que participa da história é o Deus esvaziado em Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos concordar com Ariovaldo Ramos quando diz que em Filipenses 2 há, portanto, duas kenosis.. A primeira é Deus em forma de servo (a kenosis antes da encarnação): deus se esvazia para incluir a humanidade em si mesmo, diminui-se para que o finito conviva com o eterno sem ser esmagado pela eternidade e pela glória do Eterno; a segunda é Deus em forma humana (a kenosis da encarnação): Deus se esvazia para se identificar em termos absolutos com a humanidade (Hebreus 4.15,16; 10.5) e para conduzir a humanidade à participação em sua natureza divina (2Pedro 1.4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grandes conflitos da espiritualidade cristã consistem no desejo humano de conviver aqui e agora com o Deus exaltado, negligenciando todas as possibilidades de convivência com o Deus esvaziado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria das pessoas quer um Deus exaltado: onipotente, onipresente e onisciente, que invade a história com seu poder e autoridade e interfere na realidade em benefício dos seus. A proposta cristã, entretanto, é um convite ao seguimento do Deus esvaziado, que habita nos seus através do Espírito Santo. Sua forma de atuação não é a intervenção que perpetua a imaturidade, mas a cooperação que convida à emancipação e autonomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo será necessário para que os cristãos assumam que o Deus exaltado continua a agir na história como Deus esvaziado? Este é o tempo de afirmação da terceira kenosis: o esvaziamento de Deus para habitar sua igreja: Deus age em nós, através de nós, apesar de nós, e nos dá o privilégio de cooperar com Ele em sua obra de redenção (João 14.16-23; 1Coríntios 3.16; 6.19; 12.4-7; Efésios 2.20-22; 1Pedro 2.4-6; Apocalipse 21.3).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-4927726015935442010?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/4927726015935442010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=4927726015935442010&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/4927726015935442010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/4927726015935442010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/06/kenosis.html' title='Os paradoxos da minha fé (Parte 2): Kenosis'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-3033039051232691956</id><published>2007-06-21T18:27:00.000-03:00</published><updated>2007-06-22T11:08:45.880-03:00</updated><title type='text'>Emerging church?</title><content type='html'>Bastou que ficassem sabendo que eu estava lendo Brian McLaren e Rob Bell para perguntarem se eu havia aderido ao “emerging church”, ou “igreja emergente”, um movimento que nas duas últimas décadas vem ganhando corpo na igreja evangélica, especialmente de fala inglesa.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Você agora é do &lt;em&gt;Emerging church&lt;/em&gt;?, querem saber. A pergunta é típica de quem gosta ou precisa rotular pessoas, e muito peculiar à realidade evangélica brasileira que vive de modas do tipo agora é isso, agora é aquilo. De minha parte, sigo o que recomenda o apóstolo Paulo: examino tudo para tentar reter o que é bom. Interessante como tem gente que confunde investigação com adesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás da pergunta existe também uma certa ignorância a respeito do movimento emerging church. Primeiro, porque o movimento é recente e ainda não está consolidado em suas bases teóricas. Mas também pelo próprio espírito do movimento que visa romper com o dogmatismo da modernidade e abrir um diálogo mais aberto e inclusivo no contexto da chamada pós-modernidade. Dentre tantas tentativas de enquadramaento do movimento, opto por seguir o conceito de Brian McLaren:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“What are we in the so-called emerging churches seeking to emerge from? We are seeking to emerge from modern Western Christianity, from Colonial Christianity as a white man’s religion”.&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, a igreja emergente está emergindo de onde ou de que? De acordo com McLaren, da cultura e mentalidade modernas e do imperialismo religioso anglo-americano. Isso fica mais claro quando McLaren confessa que o &lt;em&gt;Emerging church&lt;/em&gt; está atrasado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“African and African American Christians (Black theology) and Latin American Christians (liberation theology and integral missiology) have been hitting these themes with intelligence and passion for decades, but few of us listened to their spokespeople, whether it was Dr. King or Desmond Tutu, Gustavo Gutierrez or René Padilla”.&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sim posso responder se estou no &lt;em&gt;Emerging church&lt;/em&gt;. Estou sim. Desde 1983 quando li René Padilla pela primeira vez. E depois continuei lendo: a série Lausanne,&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Richard Shaull, Orlando Costas, Samuel Escobar, Robinson Cavalcanti, Severino Croatto, Norberto Saracco, Harold Segura, Pedro Arana, os irmãos Leonardo e Clodovis Boff, José Comblin, e mais recentemente, Frans Hinkelarmmert, Hugo Assmmann, Jung Mo Sung, Juan Luis Segundo, Jon Sobrino e André Queiruga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais de 20 anos estou mergulhado no universo de pensamento onde o labor teológico acontece não apenas nas categorias da filosofia clássica, do padrão racionalista da modernidade, e do horizonte de reflexão norte-americano. Há vida, teologia, e eclesiologia fora do eixo do primeiro mundo. Há inteligência entre os pensadores que falam os dialetos africanos, o espanhol e o português. Existem casas de profetas longe de Dallas, Atlanta e Los Angeles. Pena que as editoras cristãs evangélicas sejam casas tradutoras dos que falam apenas inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oxalá o &lt;em&gt;Emerging church&lt;/em&gt; se torne mais do que uma tentativa de dialogar com a pós-modernidade e um rompimento com o etnocentrismo anglo-americano. Oxalá o primeiro mundo ouça o suspiro dos oprimidos e considere fazer teologia para responder também ao sofrimento do corpo e não apenas às angústias da mente. Oxalá o mercado evangélico publique o que vale a pena ser lido e não o que vende. Oxalá os teólogos acadêmicos ocupem-se não somente com a ortodoxia, mas também com a práxis cristã. Oxalá os pensadores do &lt;em&gt;Emerging church&lt;/em&gt; tirem o atraso – são benvindos em nossa estrada. Oxalá sigamos todos cobertos pela poeira dos pés de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Você pode encontrar mais informações em:&lt;br /&gt;Scot McKnight. Five Streams of the Emerging Church, In: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.christianitytoday.com/ct/2007/february/11.35.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.christianitytoday.com/ct/2007/february/11.35.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;;&lt;br /&gt;Michael Edward. An emerging Christianity,&lt;br /&gt;In: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://emergingchurch.info/reflection/michaeledward/index.htm.07"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://emergingchurch.info/reflection/michaeledward/index.htm.07&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;;&lt;br /&gt;http://igrejaemergente.blogspot.com.&lt;br /&gt;http://www.emergentvillage.com&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; McLaren, Brian. Church emerging. In: Paggit, Doug e Jones, Tonny. An emergent manifesto of hope. Grand Rapids, MI: Baker Books, 2007, p. 149.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Idem. p. 147.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Congresso Mundial de Evangelização realizado em 1974 na cidade de Lausanne, Suíça, e que deu origem ao “Pacto de Lausanne”, que sintetizou a missão integral da igreja como “o evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens”.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-3033039051232691956?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/3033039051232691956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=3033039051232691956&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3033039051232691956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3033039051232691956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/06/emerging-church.html' title='Emerging church?'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-7931227358898094407</id><published>2007-06-14T17:53:00.000-03:00</published><updated>2007-06-14T18:06:46.938-03:00</updated><title type='text'>Os paradoxos da minha fé (Parte 1)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Creio porque é absurdo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tertuliano (155-220)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paradoxo é aparente falta de nexo ou de lógica, algo que contém uma contradição. Isso faz lembrar a história do Rebe Benjamin, chamado para arbitrar um litígio. Ouviu o primeiro reclamante e disse: “Você tem razão”. Ouviu também o segundo reclamante e deu o mesmo parecer: “Você tem razão”. Sua esposa sara, tendo ouvido a conversa, depois que os reclamantes saíram furiosos, comentou com o Rebe: “Perdão, meu senhor, mas não creio que dois homens que discordam entre si podem estar igualmente certos”, ao que o Rebe Benjamin retrucou: “Você tem razão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente quem transita bem no mundo dos paradoxos compreende como dois homens que discordam entre si podem estar igualmente certos. A maioria das pessoas, entretanto, raciocina em termos de lógicas simples, do tipo “se eu estou falando a verdade, então ele está mentindo” ou “se você está certo, então estou enganado”. Leonardo Boff adverte, entretanto, que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”. E justamente por isso, naquela história, quem tem mesmo razão é o Rebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Mesters disse que “a distância que vai entre a janela e os meus olhos determina o que vejo lá fora na rua. Se fico mais perto, a visão se alarga; se fico de longe, a visão se estreita. Se vou à esquerda, enxergo a praça; se vou à direita, enxergo a torre. Sou eu que determino o que aparece lá fora na rua para servir de panorama aos meus olhos. Mas nem por isso é falso ou errado aquilo que vejo e descrevo, pois não sou eu que crio as coisas que aparecem lá fora. Já existiam antes de mim. Não dependem de mim. É útil e até necessário que cada um defina bem clara e honestamente aquilo que vê pela sua janela. Isso redundará em benefício da análise que se faz da realidade da vida. O que me consola é que todos somos assim. Bem limitados e condicionados pelos próprios olhos, dependentes uns dos outros. É trocando as experiências, numa conversa franca e humilde, que nos ajudamos a enxergar melhor as coisas que vemos, e a romper as barreiras que nos separam sem razão. Pois ninguém é dono da verdade. Intérprete só”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Mesters aprendemos que nenhuma teologia pode reivindicar ser a detentora da verdade. Até porque o próprio conceito de teologia é paradoxal. Tomando como correta a definição de Frei Betto: “teologia é o esforço racional de apropriação das verdades de fé”, ficamos diante do paradoxo: sendo verdade de fé extrapola a apropriação racional; sendo apropriação racional prescinde de fé. Por esta razão, o Cristianismo não depende da ortodoxia, mas da revelação. A ortodoxia é uma teologia elevada à categoria de verdade absoluta. A revelação é o encontro com uma pessoa. Uma pessoa que não cabe nem na teologia nem na ortodoxia. Uma pessoa é sempre um paradoxo (perdoe o sempre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos tempos estou ocupado em teologizar a respeito da relação entre Deus e os homens na construção da história, a relação entre soberania de Deus e liberdade humana, e a relação de Deus com o tempo e a eternidade. Este é o meu esforço pessoal de tentar conjugar a realidade vivencial, o registro da revelação e uma lógica mínima que faça com que as duas coisas convivam coerentemente. Eis aí três campos que consigo compreender apenas em termos de aparentes paradoxos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1- Deus escreve a história através de mãos humanas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esta afirmação pode ser uma paráfrase do Salmo 77.20: Deus guiou seu povo pelas mãos de Moisés e de Arão. O que nos faz lembrar a expressão impressa nos adesivos dos carros dos cristãos piedosos: “Guiado por Deus, dirigido por mim”. O paradoxo está posto: se de Deus escreve a história então as mãos humanas não são livres. Mas se as mãos humanas são livres, não é Deus quem escreve a história. Alguém poderia objetar que isso não é um paradoxo, pois não há necessária contradição aparente: as mãos humanas podem ser manipuladas pelas mãos de Deus, como o pai que segura a mão do filho para ajudá-lo a escrever. Mas não é esse o espírito da expressão. A questão por trás quer saber se a história é escrita a quatro mãos ou duas, as de Deus. Ou mesmo, se os rabiscos humanos no papel exigem de Deus providências para que a obra final não seja estragada. Em outras palavras: a atuação humana na história obriga Deus a necessariamente refazer seus caminhos? Abre parêntesis. Incluo a palavra “necessariamente” por acreditar na real possibilidade de que as mãos humanas façam o que Deus faria, e nesse caso, Deus não precisa refazer seus caminhos. Fecha parêntesis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa bíblica registra pelo menos três exemplos da liberdade humana impondo limites à atuação de Deus, ou, exemplos de como Deus precisa fazer curvas para voltar ao rumo dos seus propósitos, ou ainda, exemplos de como Deus escreve a história através de mãos humanas: a posse da terra prometida, a escolha de um rei para Israel, e a construção do templo em Jerusalém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trajeto entre o Egito e a terra prometida duraria aproximadamente três meses, mas o povo de Israel demorou 40 anos para entrar em Canaã. A razão é simples: a primeira geração que saiu do Egito se acovardou diante dos ocupantes da terra e se recusou a entrar. Dos doze espias enviados para sondar a terra, somente Josué e Calebe demonstraram disposição de fé para tomar posse da promessa feita por Deus. O resultado foi que Deus decidiu colocar o povo em marcha pelo deserto, esperar a primeira geração morrer, e dar uma nova oportunidade para Israel. Caso a segunda geração se acovardasse, provavelmente a peregrinação pelo deserto se prolongaria. Mas a segunda geração não se acovardou. Deus fez um conclave para nova celebração da Lei (por esta razão Deuteronômio 5 repete Êxodo 20) e delegou a Josué a função outrora exercida por Moisés. Em outras palavras, Deus demorou 40 anos para avançar o que poderia ter avançado em três meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo em que Samuel era sacerdote e profeta em Israel, o povo pediu um rei, à exemplo de todas as outras nações. Samuel não gostou da idéia e foi chorar diante de Deus. Deus consolou Samuel dizendo que “eles não te rejeitam como sacerdote e profeta, mas a mim como Deus”. Deus esclarece ao povo as implicações de ter um rei e adverte que a idéia não é boa, mas, mesmo assim, aquiesce ao pedido e concede um rei a Israel: Saul. A sucessão de reinados divide o povo, separando dez tribos de um lado (Reino do Norte = Israel, cuja capital era Samaria) e duas tribos (Judá e Benjamim) de outro (Reino do Sul = Judá, cuja capital era Jerusalém). Foram mais de 600 anos de sofrimento para Israel (120 anos de reino unido e 400 anos de reinos do norte e sul), dando a Deus o trabalho de disciplinar o povo (fim do reino do Norte, conquistado pela Assíria no século VII a.C., e 70 anos de cativeiro do reino do Sul sob a domínio Babilônico no século V a.C.) e fazer nascer o Messias, que entraria em Jerusalém aclamado como o filho de Davi. Em outras palavras, Deus faz uma tremenda curva para suscitar a semente de Abraão, preservando a descendência de Judá, um dos filhos de Isaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo fenômeno ocorre em relação ao templo de Jerusalém. Num de seus momentos de ócio na varanda do palácio (num deles Davi viu Bateseba e você conhece a história), o rei Davi teve a brilhante idéia de construir um templo para o Deus de Israel, afinal os deuses das outras nações tinham onde morar e o Deus de Israel era um sem-teto, isto é, um com-barraca – o Tabernáculo. Natã adverte Davi afirmando que Deus jamais solicitará um templo, mas mesma assim Davi decide levar adiante seu projeto, acreditando estar fazendo algo para glorificar a Deus. Deus então decide acolher a oferta de Davi, assume o compromisso de ouvir as orações naquele templo, e a partir de então o templo de Jerusalém é incluído no processo histórico da redenção – a mesma coisa que ocorre com o rei e os estados-nações. Quando Jesus de Nazaré entra em cena, Deus faz um esforço tremendo para desmontar a figura do templo e incluir novamente a figura do Tabernáculo: em Jesus, Deus tabernaculou entre nós, pois o Filho do Homem, diferentemente dos passarinhos, não tinha endereço fixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmação de que Deus não está brincando de liberdade é tão real que através do profeta Deus mesmo expressa uma frustração. Falando a respeito de seu cuidado para com o povo de Israel, que compara a uma vinha, afirma ter feito de tudo para colher uvas boas, mas as uvas foram amargas (Isaías 5), o que o faz exclamar em puro espanto que não conseguia entender como as pessoas poderiam preferir a água enlameada da chuva às águas cristalinas do manancial (Jeremias 2.12,13).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também por esta razão creio que Deus não tem planos, mas propósitos. A realização cabal dos propósitos de Deus está garantida pelo fato de Deus ser soberano, enquanto as idas e vindas dos planos de Deus são necessárias em razão da liberdade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três exemplos citados ilustram como Deus, para garantir a concretização de seus propósitos, redesenha seus planos em virtude das ações livres do homem. Mas você perguntaria onde está paradoxo, pois até agora não há nenhuma aparente contradição no fato de Deus permitir que a história se desenrole a partir das escolhas livres do homem. Por enquanto, o homem age e Deus reage. A questão é que essa não é toda a verdade. A verdade completa inclui a ação soberana de Deus em paralelo à ação livre do homem. Como pode ser isso, você perguntaria. A resposta pode ser desenhada partir de três outros exemplos: a saga de José do Egito, a rebeldia de Faraó, e a morte de Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2- Deus age soberanamente levando em conta a liberdade humana&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alguém diria que o paradoxo da afirmação consiste no fato de que se Deus age soberanamente, a ação humana não é livre, e se a ação humana é livre, Deus não é soberano ou não pode agir soberanamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta aparente contradição poderia ser desfeita por uma simples redefinição de soberania. Entendo soberania como a crença de que nada pode impedir Deus de executar sua vontade a não ser Ele mesmo, Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aparente contradição poderia ser desmontada também pela afirmação de que a soberania de Deus não anula a liberdade humana. Por exemplo, lá em caso sou soberano em relação aos meus filhos, mas isso não impede meus filhos de agirem livremente. Isso se aplica à relação entre Deus e o homem quando Deus soberanamente escolhe como usar sua soberania. Isto é, considerando que Deus soberanamente escolheu outorgar liberdade ao humano, esta liberdade humana em nada anula a soberania de Deus: o homem é livre porque Deus quer, e não porque Deus foi destituído de sua soberania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, acredito ter afirmado o óbvio. Mas os nossos óbvios não são necessariamente óbvios para os outros. Além disso, os nossos óbvios podem parecer simplistas em relação aos óbvios dos outros. Ou mais do que isso, os nossos óbvios podem sugerir covardia e fuga do debate aos olhos dos outros. Por esta razão, convém entender melhor como a soberania de Deus convive com a liberdade humana, e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus não está brincando de liberdade. A decisão divina em outorgar liberdade humana implica que Deus escolheu livre e soberanamente limitar sua atuação, visando dar espaço para a existência do homem e possibilitar sua convivência com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José era um dos doze filhos de Jacó (cujo nome fora mudado para Israel), que dá origem às Doze Tribos de Israel. Sonhador, acreditava que Deus o havia escolhido para governar a família: os pais e os irmãos ainda se prostrariam diante dele reconhecendo sua grandeza. Evidentemente, os irmãos mais velhos detestaram a profecia e decidiram se livrar de José. Após uma razoável tramóia, José foi vendido pelos seus irmãos aos mercadores de escravos e foi parar no Egito. A Bíblia diz que “a mão de Deus era com José”, de modo que ele prosperou e se tornou uma espécie de primeiro ministro do Egito, com autoridade inferior apenas à do Faraó. Sua ascensão se deveu às interpretações de sonhos, especialmente a respeito das vacas magras e gordas, representavam sete anos de fartura e sete de fome. Orientou o faraó a armazenar no tempo da fartura para que se tivesse provisão no tempo da fome. Deu certo. Foi assim, fugindo da fome, que seus irmãos chegaram ao Egito e descobriram que o menino mimado vendido aos mercadores de escravos se tornara nada mais nada menos que o segundo homem mais poderoso do mundo de então. Diante dos irmãos perplexos, que faziam seu mea culpa entre lágrimas e desespero, José sai com a seguinte declaração: “não foram vocês quem me enviaram para cá, mas Deus”, pois “vocês intentaram fazer o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, não para minha própria satisfação, mas como instrumento para salvar a vida de muitos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados muitos anos, sobe ao trono um Faraó que jamais ouvira a história de José, e desconhecia que o povo israelita era sua descendência (israelita é o descendente do pai de José, Jacó, cujo nome foi trocado para Israel). Temendo pela segurança de seu reinado, em razão do aumento populacional do povo, o Faraó decide impor sobre os israelitas uma escravidão desumana (perdoe o pleonasmo). O povo escravizado clama ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó (Israel), que vocaciona Moisés como libertador. Moisés é enviado por Deus para negociar com o Faraó a libertação dos israelitas, mas o Faraó age obstinadamente impedindo o êxodo do povo. Deus age com braço forte e retira os israelitas do Egito após submeter os egípcios às duras penas das dez pragas. Os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, o povo que carregaria pela história o ventre prenhe do Messias prometido, nasce sob o signo da libertação. Mais adiante ficamos sabendo que tudo isso havia sido articulado por Deus: os sonhos de José, a venda de José como escravo no Egito, o sonho do Faraó interpretado por José, os anos de fartura e fome, a imigração da família de José para o Egito, os anos de escravidão, e, pasmem os senhores, o coração endurecido de Faraó, que pensava agir de livre vontade, mas obedecia um scripit elaborado por Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Messias nasce, cresce, anda por toda parte fazendo o bem, é rejeitado e traído pelo seu povo – a descendência de Israel, é preso sob acusação de sedição, morre na cruz do Calvário e ressuscita ao terceiro dia. No dia da festa do Pentecoste, celebrada anualmente pelos israelitas no 50º dia após a festa da Páscoa, Pedro, um dos chamados 12 apóstolos discípulos de Jesus, explica o advento Cristo e o derramar do Espírito Santo com as seguintes palavras: “vocês assassinaram Jesus de Nazaré, mas saibam que ele foi morto porque Deus assim planejou, e por esta razão o trouxe de volta da morte e o fez Senhor e Cristo (Messias)”. Parece que Pedro tinha boa memória, pois Jesus já havia dito que sua morte seria um assassinato, mas sua vida não lhe seria arrancada das mãos, pois será doada livremente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está um grande paradoxo: Deus age soberanamente levando em conta a liberdade humana. A saga de José é ao mesmo tempo resultado da ação livre de seus irmãos e da ação soberana de Deus; a rebeldia de Faraó é ao mesmo tempo uma ação livre do opressor de Israel como ação soberana do Deus de Israel; a morte de Jesus de Nazaré é ao mesmo tempo assassinato e auto-doação, ação livre dos homens e cumprimento do propósito eterno de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3- Deus conhece os fatos que ainda não aconteceram&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O paradoxo consiste no seguinte: sendo fatos, fazem parte do passado, mas se ainda não aconteceram, fazem parte do futuro. Esse é o grande tema em debate no &lt;em&gt;Teísmo Aberto&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Teísmo Aberto&lt;/em&gt; afirma que Deus decidiu criar um universo no qual o futuro não pode ser totalmente conhecido, até mesmo por Ele, Deus. Para muitos adeptos do teísmo aberto o futuro não é uma realidade, isto é, ainda não existe, e Deus conhece apenas o que existe para ser conhecido. Este ponto de vista é chamado de “onisciência dinâmica”, onde o conhecimento de Deus a respeito do futuro é parcial, pois o futuro está parcialmente definido (fechado) e parcialmente indefinido (aberto). O conhecimento de Deus a respeito do futuro contém o que está determinado bem como o que é apenas possibilidade – isto é, é indeterminado. O futuro determinado inclui duas realidades: o que Deus decidiu que faria, e os eventos físicos determinados, como, por exemplo, o choque de um asteróide com a lua (ver John Sanders. &lt;em&gt;Summary of openness theology&lt;/em&gt;. In: &lt;a href="http://www.opentheism.info/"&gt;http://www.opentheism.info/&lt;/a&gt;, acessado em 21 de maio de 2007; ver também Gregory Boyd. God of the possible. Grand Rapids: 2000. p.32).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casuísmo bíblico mostra que Deus conhece o futuro. Veja os seguintes exemplos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Então disse a Abrão: Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza. (Gênesis 15.13,14)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. E ele clamou contra o altar por ordem do SENHOR, e disse: Altar, altar! Assim diz o SENHOR: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que sobre ti queimam incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti. (1Reis 13.2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. (Isaías 46.9,10)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. As primeiras coisas desde a antiguidade as anunciei; da minha boca saíram, e eu as fiz ouvir; apressuradamente as fiz, e aconteceram. Porque eu sabia que eras duro, e a tua cerviz um nervo de ferro, e a tua testa de bronze. Por isso te anunciei desde então, e te fiz ouvir antes que acontecesse, para que não dissesses: “O meu ídolo fez estas coisas, e a minha imagem de escultura, e a minha imagem de fundição as mandou”. (Isaías 48.3-5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. (Isaías 53.9)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Porque assim diz o SENHOR: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar. (Jeremias 29.10)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém poderia afirmar que Deus conhece do futuro apenas aquilo que determinou: Deus conhece o futuro como decreto. As profecias bíblicas seriam, portanto, anúncios antecipados daquilo que Deus decidiu fazer independentemente de quaisquer fatores, inclusive a livre vontade humana. Mas podemos fazer duas objeções a isto. A primeira, de ordem moral, a segunda, lógica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz Ariovaldo Ramos que o futuro como decreto “parece fazer sentido em relação a profecias como as que se cumpriram na vida de Jesus Cristo. Mas e quanto àquelas de aviso, como a de que Pedro negaria a Cristo três vezes antes do cantar do galo ou o anúncio da traição de Judas Iscariotes? Se elas se enquadram nos decretos, Deus é culpado, pois, ao decretar que Pedro ou Judas faria o que deles foi dito, deixou-os sem escolha a não ser a de pecar segundo a palavra divina; logo, não poderiam ser passíveis de juízo, pois estavam amarrados a um desígnio inexorável. Há situações que foram pré-determinadas, até como juízo, mas foram devidamente anunciadas como tal – como no caso do endurecimento do coração de Faraó na ocasião do êxodo judeu. Cristo, porém, disse que os escândalos eram inevitáveis, mas não os escandalizadores (Mateus 18.7-9) (...) se todo aviso que se encontra na Bíblia é o deflagrar de um desígnio, então a história está mais para um grande teatro do que para o desenrolar de uma batalha pela salvação da humanidade”. Esta é a objeção de ordem moral. (Ariovaldo Ramos. Teologia e lógica. In: &lt;a href="http://www.teologiabrasileira.com.br/Materia.asp?MateriaID=87"&gt;http://www.teologiabrasileira.com.br/Materia.asp?MateriaID=87&lt;/a&gt; , acessado em 22 de maio de 2007)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda objeção é de ordem lógica: “se Deus nada sabe [não conhece o futuro, digo eu], como pode decretar, uma vez que os fatos não caem de pára-quedas sobre a história, senão como corolário de um sem número de movimentos? Para decretar algo na história é preciso saber onde a história estará em determinado momento, uma vez que decretar é impor uma das variantes possíveis”, diz Ariovaldo Ramos. (Idem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro como decreto, ou o futuro como resultado da livre escolha humana – cenário onde os decretos se cumprirão, são conhecidos de antemão por Deus. Caso tudo seja decreto, o ser humano não é passível de julgamento moral. Caso tudo seja imprevisível, então a história está à deriva. Ambas as possibilidades não se encaixam no está revelado a respeito de Deus na Bíblia Sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Teísmo Aberto&lt;/em&gt; tenta resolver esta questão argumentando que o futuro é parcialmente fechado (decretado) e parcialmente aberto (sujeito às ações livres). Isso é óbvio e acredito verdadeiro. Mas isso não dá margem para que se deduza necessariamente que Deus não conhece aquilo que no futuro está aberto. A afirmação de que Deus conhece apenas o que existe para ser conhecido, e o futuro aberto ainda não existe e, portanto, não pode ser conhecido nem mesmo por Deus, fica devendo explicações a respeito de algumas profecias. Como explicar textos como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória. E ele enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu (...) Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai. (Marcos 13.27-32)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. E, comendo eles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me há de trair. E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, SENHOR? E ele, respondendo, disse: O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair. Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido. E, respondendo Judas, o que o traía, disse: Porventura sou eu, Rabi? Ele disse: Tu o disseste. (Mateus 26.21-27)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Replicou-lhe Jesus (a Pedro): Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás. (Marcos 14.30)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia; e levantando-se um deles, de nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome por todo o mundo, a qual ocorreu no tempo de Cláudio. (Atos 11.28)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo. E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios. (Atos 21.10,11)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos ao dilema anterior, caso Pedro e Judas tenham agido obedecendo um decreto de Deus, então são inocentes. Caso tenham feito o que fizeram por livre escolha, então o futuro era previamente conhecido. Concordo plenamente quando o Teísmo Aberto diz que o futuro está parcialmente fechado (decretado) e parcialmente aberto (sujeito às escolhas humanas livres). Mas não vejo como necessária a crença em que Deus não conheça o futuro aberto, até porque o casuísmo bíblico e a lógica teológica evidenciam o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como pode Deus conhecer o que ainda não aconteceu como se já tivesse acontecido? Na verdade, como pode Deus chamar à existência as coisas que não são como se já fossem?”. Eis mais uma questão com a qual consigo conviver apenas em termos de paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Considerações (quase) finais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os paradoxos de minha fé afirmam que:&lt;br /&gt;. Deus escreve a história através das mãos humanas&lt;br /&gt;. Deus age soberanamente levando em conta a liberdade humana&lt;br /&gt;. Deus conhece os fatos que ainda não aconteceram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a relevância destas afirmações para a vida e o relacionamento com Deus e a caminhada no discipulado de Cristo? Ou mais precisamente, como podemos e ou devemos nos posicionar diante destas verdades, de modo a assumirmos as responsabilidades inerentes ao sagrado direito de viver? As respostas serão abordadas em Os paradoxos da minha fé – Parte 2.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-7931227358898094407?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/7931227358898094407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=7931227358898094407&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7931227358898094407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7931227358898094407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/06/os-paradoxos-da-minha-f-parte-1.html' title='Os paradoxos da minha fé (Parte 1)'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-2726925251033740494</id><published>2007-06-09T22:34:00.000-03:00</published><updated>2007-06-09T22:38:02.351-03:00</updated><title type='text'>Como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus</title><content type='html'>Outro dia me surpreendi me perguntando como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus. Em termos positivos, quis saber a respeito da função de Deus em minha vida (já sei, você vai dizer que reduzi deus a uma coisa e estabeleci com ele uma relação mecânica e funcional, mas deixa pra lá, você vai ver que não é isso, só estou usando a melhor palavra que achei). O primeiro impulso foi na direção da questão ética: Deus é minha matriz de certo e errado, bem e mal. Há muita coisa que faço e deixo de fazer na vida por acreditar que Deus é um padrão a ser seguido ou obedecido, não necessariamente por causa de Deus em si, mas a bem de quem o obedece ou segue: algo como seguir as orientações de um manual de instruções – você pode fazer do seu jeito, mas a coisa não vai funcionar, e o resultado não é que o manual vai ficar triste ou bravo com você, mas que a coisa não vai funcionar mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois desta conclusão rápida, me pareceu óbvio que Deus não seria a única alternativa para que eu tivesse uma orientação ética: os ateus e agnósticos também têm sua ética. O passo seguinte foi imaginar que outra função Deus ocuparia em minha vida além da referência ética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente você afirmaria o óbvio: Deus é aquele que cuida de mim, me protege, provê para o meu bem e minha felicidade. Embora eu acredite nisso, na verdade, não me basta, pois a vida está cheia de acontecimentos que me induziriam a acreditar exatamente o contrário. Caso eu dissesse a um cético que Deus é como um pai, mas um pai todo-poderoso que cuida de mim, certamente eu seria bombardeado de perguntas. Como disse Robert De Niro: “Se Deus existe, ele tem muito o que explicar”. Além disso, estar sob o cuidado de um superprotetor não é a razão porque acredito em Deus: de fato, abro mão de ser protegido – minha solidariedade com a raça humana não me permite esperar melhor sorte do que a das crianças abandonadas, dos enfermos crônicos, dos miseráveis e vitimados pelas atrocidades dos maus. Ou Deus protege todo mundo, ou a proteção não serve como fundamento para a crença nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de um ser lá em cima fazendo e acontecendo aqui em baixo, como um mestre enxadrista que faz dos seres humanos peças num tabuleiro cósmico nunca me agradou. Mas mesmo assim, acredito nisso: sou daqueles que acredita que Deus está no controle do universo e da história. O que quero dizer é que não acredito em deus como se as coisas que acontecem ou deixam de acontecer fossem resultado de decisões divinas, do tipo: vou dar este emprego pra ele? vou curar esta criança? vou dar este câncer de mama para ela? vou fazer com que eles se casem?, e assim por diante, como se Deus fosse uma máquina de decisões que não para nunca e afeta tudo quanto existe em tudo quanto é lugar em relação a todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira como percebo Deus é mais ou menos como percebo o sol: ele simplesmente está lá. Acredito em Deus mais ou menos assim: Deus está, ou se preferir, Deus é. Assim como o sol irradia seu calor sem cessar, também Deus afeta tudo em todo lugar em relação a todo mundo. O sol não precisa tomar decisões: ele simplesmente está lá. Assim também em relação a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que nem todas as pessoas e nem todos os lugares são afetados pelo sol, e também que as pessoas e lugares que são afetados pelo sol experimentam o sol de maneira diferente e com conseqüências as mais variadas. Mas não por causa do sol. O sol está sempre lá e é sempre do mesmo jeito. O que muda é a realidade sobre a qual o sol incide: se a pessoa está à sombra é afetada de um jeito, se está descoberta é afetada de outro; o fruto do topo da árvore é afetado de um jeito, escondido entre as folhas, de outra; a água do lago é afetada de um jeito, empoçada, de outro; uma planta em boa terra e irrigada é afetada de um jeito, em solo ruim e seca, de outro. O sol está sempre lá e do mesmo jeito, aqui embaixo é que as coisas são diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim também em relação a Deus. Ele é, e sempre do mesmo jeito, as condições que lhe são dadas é que mudam: uma criança sozinha na rua e outra num ambiente familiar de afeto e amor; um homem que aproveitou bem suas oportunidades de estudo e formação profissional e outro que não teve a mesma sorte; alguém com uma doença congênita e outra pessoa com propensão atlética; a periferia do Haiti e o condomínio na Califórnia. Deus é, e sempre o mesmo, fluindo de maneira plena e equânime sobre tudo e todos, em todo tempo e lugar. As realidades sob sua influência é que são distintas. Por esta razão as conseqüências de sua influência são diversas e jamais podem ser padronizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já imagino o que você está pensando. Você acha que acabei de tirar a dimensão pessoal de Deus, e passei a tratar Deus como uma força ou uma energia. Faz sentido, mas tenho uma saída. A diferença entre Deus e uma força ou energia é que as forças e energias não afetam dimensões pessoais. Por exemplo, não é possível prescrever 30 minutos de banho de sol para adquirir capacidade de perdoar, 20 minutos de banho de chuva para se livrar do vício de mentir, ou 45 minutos de banho de luz para se encher de compaixão. Essas coisas: amor, perdão, misericórdia, justiça, solidariedade, pureza de coração, alegria e saudades são atributos pessoais, relativos a seres conscientes, auto-conscientes, com capacidades afetivas-emocionais, intelectuais e racionais, e volitivas. Por esta razão, o sol é apenas uma metáfora – incompleta, como toda metáfora – para Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus não é uma energia ou uma força impessoal, mas o Ser–em–Si, fundamento pessoal de toda a realidade existente. Como disse São Paulo, apóstolo: &lt;em&gt;em Deus somos, nos movemos e existimos&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dallas Willard me ajudou muito a compreender isso quando afirmou que a principal maneira como somos afetados por Deus é através de “pensamentos e sentimentos que são nossos, mas não tiveram origem em nós”. Esta é minha experiência de Deus. Continuo acreditando que Deus está no controle de tudo, é livre para tomar decisões e afetar a realidade conforme sua vontade, cuida de mim e de todo mundo, faz e acontece na história e nas minhas circunstâncias, dispões de pessoas para a vida e para a morte, e o que mais você quiser ou considerar necessário atribuir como capacidade e direito a alguém que seja chamado Deus, afinal, por definição, Deus é incondicionado e ilimitado. Mas todas estas coisas atribuídas a Deus me são imponderáveis e inacessíveis. O que me afeta de fato é que crendo em Deus e conscientemente me submetendo a Ele, experimento pensamentos e sentimentos que são meus, mas não têm origem em mim. Sou levado a um estado de ser ao qual jamais conseguiria chegar sozinho. Deus é meu interlocutor amoroso. Deus é meu companheiro de viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontece fora de mim, se Deus faz ou deixa de fazer, se foi ele quem fez ou deixou de fazer, não me diz respeito, minha razão não alcança, e, portanto, não é objeto de minha preocupação para caminhar pela vida. Mas o que acontece dentro de mim, isso sim, é tudo quanto eu tenho e me basta. Tudo quanto tenho para orientar a minha peregrinação existencial são sentimentos e pensamentos que são meus, muitos deles que não tiveram origem em mim. Isso é questão de fé. E essa é a minha fé: estou sob Deus, suplicante e humildemente dependente de seu amor para me tornar tudo quanto estou destinado a ser, independente do que me possa acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim me basta saber que em pastos verdejantes às margens de águas puras e cristalinas, ou no vale da sombra da morte, nada preciso temer, pois Deus está comigo, refrigerando-me a alma, guindo-me pelos caminhos da justiça por amor do seu nome. A mim me basta saber que &lt;em&gt;se Deus é por mim, ninguém pode ser contra mim, pois nada pode me separar do amor de Cristo: nem tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada, pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus. Muito menos se Deus não acreditasse em mim. E nem quero saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-2726925251033740494?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/2726925251033740494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=2726925251033740494&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/2726925251033740494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/2726925251033740494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/06/como-seria-minha-vida-se-eu-no.html' title='Como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-3394648522127858596</id><published>2007-06-08T23:37:00.000-03:00</published><updated>2007-06-08T23:38:16.425-03:00</updated><title type='text'>Missão Integral</title><content type='html'>Passei o dia no Fórum Jovem de Missão Integral [http://www.forumjovemdemissaointegral.org]. Dentre várias discussões relevantes, destaco a relação entre evangelização e responsabilidade social, ainda é presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A razão desta dicotomia é o conceito de evangelização como proclamação de uma mensagem, mais precisamente o plano de salvação, resumido em palavras de convocação para que as pessoas individualmente receberem Jesus como Salvador pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evangelização, no contexto da missão integral, é mais do que compartilhar uma mensagem, é anunciar uma realidade: a chegada do reino de Deus (Mateus 4.12-17; Marcos 1.14,15). Apresentar o reino de Deus implica mais do que a proclamação de uma mensagem. Assim como o exército vencedor sai anunciando que a guerra acabou e estabelecendo uma nova realidade aonde chega a notícia, também a igreja deve anunciar ao mundo que o rei justo e verdadeiro venceu o diabo na cruz do Calvário ao mesmo tempo em que destrói as obras do diabo na sociedade (Mateus 4.23-25; Lucas 4.18-21; 7.20-23).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A igreja que se compromete a ser um sinal histórico do reino de Deus não faz distinção entre evangelização e ação social, pois não compreende uma sem a outra, ou melhor, compreende que a evangelização implica necessariamente a ação social.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-3394648522127858596?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/3394648522127858596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=3394648522127858596&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3394648522127858596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3394648522127858596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/06/misso-integral.html' title='Missão Integral'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-3920786053880082300</id><published>2007-05-02T07:34:00.000-03:00</published><updated>2007-05-02T07:57:00.763-03:00</updated><title type='text'>Gloria Dei, vivens homo</title><content type='html'>O ateísmo é um fenômeno da modernidade. Foi a partir do Iluminismo que se fez a distinção entre fé e ciência, o que resultou no surgimento dos campos religioso e secular. A modernidade exclui Deus como hipótese para explicar o universo e normatizar a vida social. Enquanto a religião explica o mundo com afirmações metafísicas sustentadas pela fé, a secularização se vale do método científico que demonstra os fatos: contra fatos não há argumentos. O que a ciência não pode provar não pode ser imposto como paradigma para a vida em sociedade, é objeto de fé individual e privativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copérnico e Galileu iniciaram o processo de desmanche das explicações teológicas do mundo da física. Karl Marx condenou a religião como ópio do povo e instrumento de alienação social. Friedrich Nietzsche denunciou a fé em Deus como impedimento para o desenvolvimento de uma humanidade autêntica. Sigmund Freud afirmou a busca de deus como manifestação de uma recusa à maturidade, uma opção pela infantilidade que insiste em se manter sob os cuidados de um Deus que mais se parece com um pai super-protetor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos eles tinham em comum a preocupação de emancipar o ser humano da ignorância científica, a opressão social, a covardia existencial, e a infantilidade psicológica. Suas palavras negaram a Deus, mas sua intenção afirmou Deus com todas as letras. Como Queruga esclarece, o ateísmo da modernidade pode ser compreendido, não como negação do divino, mas afirmação do humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tiro moderno saiu pela culatra. A "morte de Deus" matou o homem e esvaziou o universo de sentido: direção e significado. E então surgiu a modernidade líquida (Bauman), quando já se sabe que o humano não se basta, a ciência e a tecnologia não são suficientes, as ideologias carecem de suplemento de alma e a razão não abarca a totalidade da realidade: "á mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia" decretou Shakespeare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a oportunidade de resgate da religião, ou melhor do Cristianismo - o grande condenado no banco dos réus da modernidade. Agora é hora de mostrar que o sonho da modernidade se realiza no Cristianismo adulto. Somente a partir da fé e de relação com a transcendência, além dos limites da razão, o ser humano desenvolve sua plena humanidade. O Cristianismo também quer o surgimento do homem novo, ou como disse Santo Irineu de Lião, no segundo século: &lt;em&gt;Gloria Dei, vivens homo&lt;/em&gt; - a glória de Deus é o homem na plenitude de sua vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-3920786053880082300?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/3920786053880082300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=3920786053880082300&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3920786053880082300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3920786053880082300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/05/gloria-dei-vivens-homo.html' title='Gloria Dei, vivens homo'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-5143795552838609418</id><published>2007-04-25T23:07:00.000-03:00</published><updated>2007-04-25T23:11:40.317-03:00</updated><title type='text'>Entre a liberdade e o amor</title><content type='html'>A parábola do filho pródigo nos coloca diante da tensão existente entre o amor e a liberdade, dois dos maiores anseios do coração humano. O filho mais novo queria a liberdade; o mais velho, ser amado. A tensão se explica pela aparente contradição na experiência da liberdade e do amor. O senso comum define a liberdade como a não sujeição do eu ou do ego a qualquer realidade limitadora ou impeditiva da realização de desejos e vontades. Livre é quem faz o que quer, quando quer, onde quer, com quer, porque quer, e assim por diante. O amor, por sua vez, é compreendido pela entrega do eu ou do ego ao objeto amado, o que implica renúncia, abnegação, e até mesmo sacrifício. Quem ama valoriza mais o relacionamento com o ser amado do que a realização de suas vontades e desejos. Isto é, amar é abrir mão da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo Jesus que disse ser a fonte da liberdade: “se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres” (João 8.36), exige que seus seguidores morram para si mesmos: “se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo” (Mateus 16.24). Nesse sentido, a liberdade não é compatível com o amor, pois o amor não é compatível com o egoísmo-egocentrismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pretensão humana de liberdade conforme descrita é ilusória, pois é fato que a liberdade humana não é absoluta: ninguém consegue fazer o que quer, onde quer, como quer... A realidade na qual vivemos impõe limites à liberdade humana, como por exemplo, a impossibilidade de voar ou de sobreviver sem dormir e respirar. São limitações que não implicam desejos e independem das vontades, e por esta razão, não constituem dilemas éticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há outros limites que implicam posicionamentos éticos e decisões morais, como por exemplo o zelo do corpo e o cuidado das relações de confiança. Sempre que os limites de sua liberdade são desrespeitados, o ser humano entra em rota de colisão com sua natureza, a natureza da realidade em que vive e, portanto, de auto-destruição e destruição do que lhe tem valor. Por exemplo, aquele que desrespeita o limite imposto pela lei da gravidade e pretende andar sobre os ares pula para a auto-destruição, assim como aquele que não cuida de sua saúde. O mesmo ocorre com quem deseja se relacionar com base na mentira, na infidelidade e na exploração do outro em benefício próprio: destrói a si mesmo, ao outro, e também a relação de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dilema entre a liberdade e o amor, portanto, pode e deve ser superado, primeiro, pela consciência de que a liberdade humana é relativa, e, também e principalmente, pela renúncia voluntária (livre) da vida egocêntrica, em favor das relações de amor. Amar implica escolher livremente se dedicar ao amado. Isso é graça: entrega do si mesmo em favor do objeto amado: “a minha vida ninguém a tira de mim, mas eu a dou de minha espontânea vontade” (João 10.18). Dou espontaneamente porque sou livre, e mesmo assim a dou, porque amo. Assim viveu Jesus. Assim morreu Jesus. E porque livre e pleno de amor, a morte não o pôde reter – ressuscitou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-5143795552838609418?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/5143795552838609418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=5143795552838609418&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/5143795552838609418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/5143795552838609418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/04/entre-liberdade-e-o-amor.html' title='Entre a liberdade e o amor'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-2413978491984358970</id><published>2007-04-24T20:10:00.000-03:00</published><updated>2007-04-24T20:13:00.998-03:00</updated><title type='text'>A verdade em metades</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;A porta da verdade estava aberta,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;mas só deixava passarmeia pessoa de cada vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim não era possível atingir toda a verdade,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;porque a meia pessoa que entrava&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;só trazia o perfil de meia verdade.&lt;br /&gt;E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;E os meios perfis não coincidiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrebentaram a porta. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Derrubaram a porta.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Era dividida em metadesdiferentes uma da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Nenhuma das duas era totalmente bela.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;E carecia optar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Cada um optou conformeseu capricho, sua ilusão, sua miopia.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema de Carlos Drummond de Andrade é um convite à humildade e à comunhão. Comunhão não existe sem humildade. E sem as duas, não existe experiência da verdade. A verdade a gente não sabe. A verdade a gente vive quando ela se apropria de nós. A verdade não é coisa da razão, resultado da reflexão. A verdade é soma de corações e não de cabeças. A verdade é coisa fugidia, que não se deixa prender na gaiola dos raciocínios, não cai nas armadilhas dos pensamentos. A verdade é isso, a gente experimenta, saboreia, se delicia, mas não fica com ela como quem tem posse, pois a verdade é maior do que nós, em cada um de nós só cabe meia verdade. E a gente tenta fazer uma verdade inteira juntando as partes e ficando com elas, como quem rouba do outro a metade que está com ele, pra depois a gente ficar dono da verdade. Mas a verdade não participa desse jogo. O jogo da verdade não é soma, é partilha. Não é brincadeira onde quem tem mais meia verdade ganha. É mais como uma dança aonde a beleza e o alumbramento vêm no par, ou até mesmo na roda, aonde as mãos e braços vão se encontrando e se despedindo, até que todo mundo na roda vive a verdade, e brinca com ela cada vez que os braços se entrelaçam e as mãos se acariciam. No fim da noite, quando cada um vai para casa descansar, a verdade também se recolhe, para que no dia seguinte todo mundo se precise novamente. Assim a humildade e a comunhão cuidam da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dança da verdade, meia verdade é verdade com limite, é verdade incompleta, dizendo para todo mundo que as idéias são menos importantes que as pessoas. Quem não consegue entrar na roda é quer espreitar para colecionar fragmentos de verdade, imaginando ser possível ficar dono da verdade e viver tomando conta da verdade, de fato, não vive com a verdade, mas com o capricho, a ilusão ou a miopia. Porque prefere as idéias às gentes, fica com a mentira, porque a verdade é uma pessoa e não um conceito. A verdade é uma pessoa, que gosta de brincar, de rir e de chorar. A verdade é uma pessoa que se dá a conhecer na comunhão dos humildes: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”, disse a verdade inteira aos que tinham consigo apenas meias verdades.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-2413978491984358970?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/2413978491984358970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=2413978491984358970&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/2413978491984358970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/2413978491984358970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/04/verdade-em-metades.html' title='A verdade em metades'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-3676686148289528665</id><published>2007-04-17T17:43:00.000-03:00</published><updated>2007-04-25T22:14:24.840-03:00</updated><title type='text'>O Deus esvaziado</title><content type='html'>Baseado na PARÁBOLA DOS FILHOS PERDIDOS&lt;br /&gt;Lucas 15.11-32&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode fazer teologia de cima para baixo e de baixo para cima. Caso escolha fazer de cima para baixo, terá a companhia de todos os filósofos, especialmente os gregos, que se fixaram numa idéia de perfeição de Deus, e deram toda ênfase aos atributos incomunicáveis de Deus: onipotência, onisciência e onipresença, por exemplo&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (Jó 42.2; Salmo 139; Isaías 43.13; Lucas 18.27)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Todos os que olham para Deus através desse paradigma imaginam Deus num alto e sublime trono &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Isaías 6.1)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, habitando em luz inacessível &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(1Timóteo 6.16)&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;e, invocado mediante a oração da fé, vem ao mundo fazer coisas boas (milagres) para seus filhos. Não há nada de errado nesta descrição de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você também pode fazer teologia de baixo para cima. Nesse caso, você deverá deixar de lado aquilo que Deus é em termos de sua perfeita natureza eterna, e focar sua atenção na maneira como Deus escolheu se revelar e se relacionar com as pessoas na história. Seus olhos devem deixar de lado a visão ideal e abstrata da filosofia, e se voltar para Jesus Cristo, suas ações e palavras, que revelam o Pai &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(João 10.30; 14.9)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bíblia ensina que Jesus é Deus esvaziado, Deus em forma humana, em forma de servo &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Filipenses 2.5-8)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Jesus é Deus conosco, isto é, Deus se revela e se relaciona conosco em Jesus &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(João 1.14,18; Hebreus 1.1-3)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Em Jesus, Deus está esvaziado, pois sua onipotência foi limitada pela fé dos que a ele se achegavam &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Mateus 13.53-58)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, seu onisciência foi limitada pelo Pai &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Mateus 24.36)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, e sua onipresença foi limitada pela própria encarnação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressão &lt;em&gt;Deus esvaziado&lt;/em&gt; não diz respeito à natureza de Deus. Deus é o mesmo, tanto no alto e sublime trono como encarnado na pessoa de Jesus. Mas a maneira como Deus se relaciona no céu é diferente da maneira como se relaciona na terra. No céu Ele faz tudo quanto lhe agrada e reina soberano. Na terra Ele age em e com as pessoas que atendem seu convite para a comunhão em seu Filho: "venha o teu reino, seja feita a tua vontade assim a terra como no céu" &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Salmo 115.3,16; Mateus 6.10; 1Coríntios 1.9)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Isso fica mais claro quando compreendemos os critérios segundo os quais Deus escolheu se relacionar com seus filhos, conforme Jesus ensina na “parábola dos filhos perdidos” &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Lucas 15.11-32)&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, o Deus esvaziado se relaciona com base no critério da liberdade. O filho mais novo pede a sua parte da herança e vai embora da casa do pai. Naquela época e cultura, o pedido equivaleria a dizer mais ou menos o seguinte: “Pai, tudo o que quero é que o senhor morra. Tudo o que me interessa é seu talão de cheques”. O impressionante é que o pai não faz oposição a esse desejo do filho. O critério é a liberdade: “Você quer ir, meu filho, eu lamento, mas vou não vou amarrar você ao meu lado, não vou obrigar você a conviver comigo contra a sua vontade. Siga seu caminho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Deus esvaziado não mantém relacionamentos à força, mediante manifestação do seu poder e imposição de sua autoridade soberana. O Deus esvaziado dá um passo atrás, para que você possa exercer sua liberdade de existir com Ele ou contra Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, o Deus esvaziado se relaciona com base no critério da interpelação. O filho mais velho se recusa a participar da festa que o pai promove para se alegrar com o retorno do filho mais novo, que estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. O pai vai ao encontro do filho mais velho e o interpela, o confronta e o coloca diante da necessidade de uma decisão. Mas não decide por ele, nem o obriga a se submeter à sua vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai não exige obediência dizendo “Enquanto você estiver na minha casa fará as coisas do meu jeito”. O pai confronta o filho e espera tocar sua consciência, para que, semelhantemente ao filho mais novo, ele também “caia em si”, e experimente uma transformação de dentro para fora, de modo que sua submissão à vontade do pai seja um ato voluntário e consciente de ser a melhor escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus não é um solucionador de problemas. É um solucionador de pessoas. Deus não prometeu fazer nossa vida melhor. Prometeu nos fazer homens e mulheres melhores: semelhantes ao seu Filho &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Romanos 8.28-30; 2Coríntios 3.18; Gálatas 4.19; Efésios 4.11-13)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem espera uma vida melhor como resultado da intervenção do Deus onipotente, onipresente e onisciente, acaba se frustrando e sucumbindo em culpa e incredulidade. Quem espera ser uma pessoa melhor e andar em comunhão com Deus, numa relação de amor e liberdade, respondendo suas interpelações e desfrutando sua presença e doce companhia é capaz de enfrentar a vida, qualquer que seja ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-3676686148289528665?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/3676686148289528665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=3676686148289528665&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3676686148289528665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3676686148289528665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/04/o-deus-esvaziado.html' title='O Deus esvaziado'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-4762113454753966807</id><published>2007-04-11T10:40:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T07:44:56.844-03:00</updated><title type='text'>Dos mistérios de ser Deus e homem</title><content type='html'>&lt;em&gt;A cristologia de Bento XVI, platônica, parte de Deus e chega em Cristo.&lt;br /&gt;A de Sobrino, aristotélica, faz o caminho inverso. Eis o choque.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Por Fernando Altemeyer Junior&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;Há (dez dias) publicou-se a nota condenatória: “O padre Jon Sobrino tende a diminuir o valor normativo das afirmações do Novo Testamento e dos grandes Concílios da Igreja antiga. Tais erros de índole metodológica levam a conclusões não conformes com a fé da Igreja em pontos centrais da mesma: a divindade de Jesus Cristo, a encarnação do Filho de Deus, a relação de Jesus com o Reino de Deus, a sua auto-consciência, o valor salvífico da sua morte.” Notificação da Congregação da Doutrina da Fé, Vaticano, 14 de março de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais as razões para este gesto? Quais as razões para a condenação da obra de um teólogo tão requintado e fecundo? Terá ele diminuído o valor da mensagem evangélica e errado em seu método? Terá negado a divindade de Jesus? Terá silenciado sobre a salvação trazida por Cristo? O que diz Jon Sobrino em seus textos e o que afirma a teologia latino-americana em sua obra intelectual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros tantos teólogos foram condenados nos últimos 32 anos: Hans Kung em 1975 e 1980; Jacques Pohier em 1979; Edward Schillebeeckx em 1980, 1984 e 1986; Leonardo Boff em 1985; Charles Curran em 1986; Tissa Balasuriya em 1997; Anthony de Mello em 1998; Reinhard Messner no ano 2000; Jacques Dupuis e Marciano Vidal em 2001; Roger Haight em 2004 e Jon Sobrino em março de 2007. Há algo de comum entre eles? Há razões para explicar esses conflitos dogmáticos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresento aqui um &lt;strong&gt;quadro comparativo das teologias produzidas na América Latina e na Europa&lt;/strong&gt;, para entender o que aconteceu com o padre jesuíta Jon Sobrino. Na América Latina, a formulação da fé é direta. Na Europa, é reflexa. Na América Latina, o ponto de partida é o rosto de Cristo transfigurado nos pobres. Na Europa, o ponto crucial é a transfiguração do Cristo na filosofia e no pensamento clássico. Na teologia latino-americana a preocupação é prática. Na Europa, é lógica. Na América Latina vemos o povo crucificado como cruz divina. Os pobres são cruciais. Na Europa fala-se do Deus crucificado como cruz humana. A Igreja é crucial. Na América Latina, a consciência histórica é um critério de seguimento de Jesus. Crer é seguir Jesus. Na Europa, o caminho de Jesus é objeto de investigação e critério para discernir entre o crer e o não crer. Crer é entender Jesus. Na América Latina, a pregação de Jesus sobre o Reinado de Deus é um contexto vital e mediação concreta para conhecer ao Deus vivo e verdadeiro. O Reino revela o amor e a verdade. Na Europa, a proclamação da verdade é a fonte segura do fazer teologia. A verdade revela o amor e o Reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cristologia latino-americana (em particular na obra de Jon Sobrino) se faz a partir da dor humana, especialmente da humanidade padecente em sua carne e corpo. A Cristologia européia se faz a partir do conhecimento humano e da angústia existencial em sua alma e mente. A Cristologia latino-americana vem de baixo para cima. Do histórico de Jesus ao ser de Jesus. Do ser de Jesus ao ser de Deus. É alinhada à escola teológica de Antioquia, ao pensamento dos primeiros evangelistas e a São João Crisóstomo. Fazer teologia muda a vida dos teólogos. Já a Cristologia européia vem de cima para baixo. Do ser de Deus ao Cristo da fé. Do Cristo ao Jesus Ressuscitado. Do Ressuscitado ao crucificado. É alinhada aos pensadores alexandrinos, particularmente ao grande doutor Atanásio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cristologia latino-americana participa da esperança libertadora dos povos crucificados. É uma Cristologia ascendente, inspirada em textos clássicos dos aristotélicos e tomistas. Jon Sobrino faz parte da família espiritual que bebe desta fonte teologal. A Cristologia européia trabalha a encarnação do Verbo como manifestação salvífica de Deus. É uma Cristologia descendente, inspirada em textos clássicos dos platônicos e agostinianos. Os teólogos da Congregação da Doutrina da Fé têm bebido desta fonte espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Igreja latino-americana construiu uma teologia que dialoga com o magistério local. E este magistério se exprimiu teologicamente em Medellin, Puebla e Santo Domingo, em documentos pastorais de serviço ao povo e ao Evangelho. O que foi escrito em Medellin, em 1968, foi uma profecia autêntica do povo de Deus. O que foi assumido em Puebla, em 1979, foi a opção do Evangelho pelos pobres e contra a pobreza. O que foi encarnado e inculturado em Santo Domingo, em 1992, foi chave interpretativa dos sinais dos tempos. A missão da Igreja não é restauradora. É anúncio feliz da vida em Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teologia gestada em El Salvador, no Brasil, no Chile e em praticamente toda América hispânica e criola dialogou com o magistério local e universal. Assumiu colóquios fecundos com pastores como dom Luciano Pedro Mendes de Almeida e dom José Ivo Lorscheider. Foi sustentada por cardeais como Aloísio Lorscheider e Paulo Evaristo Arns, e por patriarcas da Igreja latino-americana que podem ser chamados de novos padres da Igreja: Jaime Francisco de Nevares, Alberto Pascual Devoto, Eduardo Francisco Pironio, Enrique Angel Angelelli (argentinos); Jorge Manrique Hurtado (boliviano); Avelar Brandão Vilela, Fernando Gomes dos Santos, Helder Pessoa Câmara, Romeu Alberti (brasileiros); Enrique Alvear, Manuel Larrain Errazuriz, Raul Silva Henríquez (chilenos); Gerardo Valencia Cano (colombiano); Oscar Arnulfo Romero (salvadorenho); Leônidas E. Proaño Villalba, Pablo Muñoz Vega (equatorianos); Juan Gerardi Conedera (guatemalteco); Marcelo Gerin (hondurenho); Bartolomé Carrasco Briseño, José Salazar López, José Alberto Llaguno Farias, Sergio Méndez Arceo (mexicanos); Marcos Gregório McGrath (panamenho); Ramón Bogarín Argaña (paraguaio); Juan Landázurri Rickett (peruano) e Carlos Parteli Kéller (uruguaio). Todos filhos do Vaticano II que retomaram a antiga patrística. Padres testemunhas como Oscar Romero e Enrique Angelelli. Mártires que semearam igrejas em todo o continente, como na expressão de Tertuliano. Vivem a teologia na doação de suas próprias vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda onda patrística dos apologistas que defenderam a fé face ao pensamento grego e ao império romano, também tem paralelo em bispos como Manuel Larrain e especialmente no indígena Leônidas Proaño. Apologistas das culturas indígenas e da fé verdadeira. Vivem a teologia na escuta dos clamores surdos de seus povos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sofrimento pessoal de Jon Sobrino pode ser um momento fecundo para que se descubra que a humanidade sacratíssima de Jesus é o caminho seguro para contentar a Deus, para alcançar grandes graças do Espírito Santo e, sobretudo, pode ser a porta segura para que Deus nos mostre seus grandes segredos. São Francisco mostra isso ao receber as chagas de Cristo. Santo Antônio de Pádua, ao apresentar em seu colo o menino Deus. São Bernardo e Catarina de Sena em seus poemas de amor à humanidade de Deus feito humano. E, enfim, a doutora Santa Teresa de Ávila, que em seu Livro da Vida, no capítulo 22, afirma categoricamente que o melhor caminho para a mais alta contemplação de Deus passa pela humanidade de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;*Fernando Altemeyer Junior, teólogo, doutor em Ciências Sociais e ouvidor da PUC de São Paulo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-4762113454753966807?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/4762113454753966807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=4762113454753966807&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/4762113454753966807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/4762113454753966807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/04/dos-mistrios-de-ser-deus-e-homem.html' title='Dos mistérios de ser Deus e homem'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-7714859634424853548</id><published>2007-04-09T13:05:00.000-03:00</published><updated>2007-04-09T13:09:09.062-03:00</updated><title type='text'>Quem ama sangra</title><content type='html'>Ele olhou ao redor da montanha e previu uma cena.&lt;br /&gt;Três corpos pendurados em três cruzes. Braços estendidos.&lt;br /&gt;Cabeças inclinadas para frente.&lt;br /&gt;Eles gemiam por causa do vento.&lt;br /&gt;Homens fardados estavam sentados no chão, perto dos três.&lt;br /&gt;Homens com roupas de religiosos se afastaram para o lado... arrogantes, convencidos.&lt;br /&gt;Mulheres envolvidas em sofrimento estão reunidas ao pé da montanha... rostos marcados pelas lágrimas.&lt;br /&gt;Todo o céu se levantou para lutar.&lt;br /&gt;Toda a natureza se ergueu para o resgate.&lt;br /&gt;Toda eternidade posicionou-se para dar proteção.&lt;br /&gt;Mas o Criador não deu ordem alguma.&lt;br /&gt;"Isso deve ser feito...", disse, e retirou-se.&lt;br /&gt;O anjo disse outra vez: "Seria menos doloroso se..."&lt;br /&gt;O Criador o interrompeu brandamente: "Mas não seria amor..."&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(autoria desconhecida)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-7714859634424853548?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/7714859634424853548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=7714859634424853548&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7714859634424853548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7714859634424853548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/04/quem-ama-sangra.html' title='Quem ama sangra'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-6970279169964877943</id><published>2007-03-31T00:02:00.000-03:00</published><updated>2007-03-31T00:03:51.507-03:00</updated><title type='text'>O tempo e a eternidade</title><content type='html'>Trabalhar é cooperar com Deus para colocar ordem no caos. Na verdade, qualquer boa ação é um gesto solidário ao coração de Deus, que sempre desejou que esse mundo fosse um jardim. Dizem que quem não faz parte da solução, faz parte do problema, e, nesse caso, todo cristão deve agir como parte da solução para que o caos social, político, econômico, ético e ecológico seja revertido o máximo possível. Existe uma lógica para isso. Aliás, uma lógica que nem todo cristão alcança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, quem acredita que haverá um dia quando Jesus substituirá esse mundo por um novo e uma nova terra, não tem muita razão para trabalhar para que este mundo seja melhorado e transformado. Por que gastar tempo, recursos e dedicar a vida a manter e aperfeiçoar algo que vai acabar? Talvez, no mínimo para evitar que o caos inviabilize nossa vida nesse mundo ou acabe batendo à nossa porta: até quem pensa que esse mundo vai acabar mesmo não deseja ficar sem água, ter um filho vítima da violência urbana ou ser usurpado por um governo corrupto. Talvez para anunciar que o reino de Deus virá em breve, e que é bom que as pessoas comecem a se preparar para viver nele, que, aliás, já dá os seus sinais. De fato, cuidar do mundo enquanto vivemos nele e promover sinais históricos do reino de Deus na história são duas excelentes razões para que todo cristão se comprometa a cooperar com Deus para colocar ordem no caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, consideremos uma terceira razão. E se o novo céu e a nova terra não forem "outro mundo", mas esse mundo, levado, por Deus, à sua plenitude? E se nosso trabalho e boas ações repercutirem na eternidade como matéria prima que Deus usa para a transformação desse mundo em novo céu e nova terra? Você já imaginou a possibilidade de que, assim como você vive para sempre, seu trabalho e suas boas obras também subsistam por toda a eternidade, e que os sinais históricos do reino de Deus não cairão no vazio do nada, mas continuarão testemunhando a graça e a glória de Deus para todo o sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus disse que as pessoas abençoadas por nós na história nos receberão na eternidade. Paulo, apóstolo, disse que no juízo final Deus colocaria fogo na casa que construímos na história e preservaria apenas o que fosse ouro, prata e pedras preciosas. João, apóstolo, disse que a Nova Jerusalém desce do céu: desce para onde? O "fim do mundo" no Novo Testamento é mais parecido com uma mudança de tempo ou era (este século e o vindouro) do que uma mudança de endereço ou lugar. Os rabinos acreditam que "as boas ações dos homens são as sementes que Deus usa para plantar as árvores do paraíso". É possível que não estejam muito longe de ter razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-6970279169964877943?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/6970279169964877943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=6970279169964877943&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/6970279169964877943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/6970279169964877943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/03/o-tempo-e-eternidade.html' title='O tempo e a eternidade'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-7287662272277125954</id><published>2007-03-27T11:43:00.000-03:00</published><updated>2007-03-27T11:44:52.778-03:00</updated><title type='text'>Jugo suave</title><content type='html'>Os rabinos são intérpretes da Lei. Sua ocupação é discernir como viver a vontade de Deus expressa na Lei. Por esta razão têm autoridade para proibir e permitir, dizer o que pode e deve ser feito para que a Lei seja cumprida e que não pode e não deve ser feito para que a Lei seja abolida. O conjunto de permissões e proibições de um rabino consistia no “jugo do rabino”. Todo rabino tem um jugo, que seus discípulos assumem como a melhor maneira de cumprir a Lei. Todo rabino ensina sob o jugo de outro rabino. Até que apareça algum rabino que afirme ter seu próprio jugo, independentemente do jugo dos rabinos mais antigos. Para ganhar autoridade de ter seu próprio jugo, o novo rabino deve ser autorizado por pelo menos dois rabinos reconhecidos pela comunidade de rabinos. Quando um novo rabino ganha autorização para ter seu próprio jugo, é dito que ele ganhou as chaves do reino, e agora está apto para permitir e proibir, isto é, dizer o que deve e o que não deve, o que pode e o que não pode ser feito por quem deseja cumprir a Lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Jesus entrou em cena sob o testemunho de João Batista, e sobre ele se materializou o Espírito Santo na forma corpórea de uma pomba, seguida da voz dos céus: “Este é meu Filho amado, ouçam o que ele diz”. Dessa maneira, Jesus recebeu autorização de duas fontes de autoridade para ter seu próprio jugo, isto é, recebeu as chaves do reino, e desde então passou a ensinar dizendo: “Ouvistes o que foi dito, eu, porém, vos digo”. Convidava pessoas para que se submetessem ao seu conjunto de permissões e proibições dizendo: “Meu jugo é suave e meu fardo é leve”. Ao final de seu ministério terreno disse a Pedro, que representava a igreja, a comunidade dos discípulos de Jesus: “Dou a vocês as chaves do reino”, e assim transferiu à sua igreja a autoridade para ligar e desligar, proibir e permitir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Os apóstolos compreenderam isso e utilizaram essa prerrogativa em Atos 15, quando decidiram aliviar o jugo que pesava sobre os ombros dos novos cristãos, decidindo que estavam livres de cumprir a Lei de Moisés, devendo observar apenas três ou quatro regras. Em 1Coríntios 7 o apóstolo Paulo também usou “as chaves do reino” para legislar a respeito do divórcio. No tempo de Jesus os rabinos que seguiam Hilel acreditavam que se podia divorciar por qualquer motivo, enquanto os discípulos de Shamai admitiam o divórcio somente em caso de imoralidade sexual. Jesus concordou com Shamai. Mas o apóstolo Paulo acrescentou mais um motivo legítimo para o divórcio: o abandono pelo descrente por motivo da fé de seu cônjuge convertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            As comunidades cristãs têm nas mãos as “chaves do reino”, isto é, têm o direito e o dever de avaliar o jugo que se deve impor aos discípulos cristãos em cada contexto sócio-cultural aonde chega o evangelho. Toda comunidade cristã deve ter a coragem de afirmar “pareceu bem a nós e ao Espírito Santo não lhes impor nada além das seguintes exigências...”. Tanto o moralismo legalista quanto a permissividade libertina causam mal às pessoas que pretendem viver de modo digno do Evangelho de Jesus Cristo.&lt;br /&gt;____________________________&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para aprofundar sua reflexão, recomendo: Bell, Rob. &lt;em&gt;Velvet Elvis&lt;/em&gt;. Zondervan.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-7287662272277125954?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/7287662272277125954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=7287662272277125954&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7287662272277125954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/7287662272277125954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/03/jugo-suave.html' title='Jugo suave'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-8704326046904454622</id><published>2007-03-26T23:50:00.000-03:00</published><updated>2007-03-26T23:53:22.142-03:00</updated><title type='text'>Aos habitantes da cidade</title><content type='html'>&lt;p&gt;Como podemos reagir à explosão de violência e terror que invadiram nossas cidades e nossas vidas nos últimos tempos? O que podemos fazer para não perdermos a alegria de viver, não nos alienarmos e não nos deixarmos dominar pelo medo e a insegurança? Podemos ouvir palavra de Deus:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados, que deportei de Jerusalém para a Babilônia: 'Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e dêem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não diminuam. Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela'." &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Jeremias 29.4-7)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A justiça habitará no deserto, e a retidão viverá no campo fértil. O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranqüilidade e confiança para sempre. O meu povo viverá em locais pacíficos, em casas seguras, em tranqüilos lugares de descanso, mesmo que a saraiva arrase a floresta e a cidade seja nivelada ao pó. Como vocês serão felizes, semeando perto das águas, e deixando soltos os bois e os jumentos!" &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Isaías 32.16-20)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Devemos lembrar que a cidade não é o lugar do nosso descanso, é nosso exílio. A monstruosa cidade, com suas relações humanas conflituosas, suas estruturas de poder carcomidas pela ganância e pela indiferença ao sofrimento alheio, suas redes criminosas de poder, seus justos acuados e seus valentes agredidos e mortos, não é outro lugar senão o ambiente do exílio, onde não nos sentimos em casa nem mesmo no conforto do lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos nos alimentar da esperança: a justiça triunfará e a paz nascerá como o sol do meio-dia. Nascerá o sol da justiça trazendo tranqüilidade e confiança para sempre. Os que confiam em Deus habitarão lugares pacíficos, casas seguras e tranqüilos lugares de descanso, apesar da guerra, da peste, da morte e da fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos resistir até a última gota de sangue e de lágrima. Resistir com amor, trabalho, diversão e arte. Continuaremos a viver romances, fazer amor e gerar filhos. Construiremos casas, plantaremos pomares e desafiaremos a morte nos lambuzando nos frutos do nosso trabalho. Cultivaremos jardins no meio do caos e encheremos o vale da sombra da morte com nossas flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resistiremos com família e oração. Andaremos de mãos dadas com nossos filhos, nossos amigos, nossos irmãos. Ergueremos as mãos aos céus em oração e súplica pela cidade. Empreenderemos para a prosperidade da cidade e prosperaremos com ela. Continuaremos caminhando, cantando e servindo. Até chegar aquele dia, quando todas as vítimas serão acolhidas no reino de Deus e a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor como as águas cobrem o mar. No céu haverá festa sem fim. E o inferno ficará em silêncio. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-8704326046904454622?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/8704326046904454622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=8704326046904454622&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/8704326046904454622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/8704326046904454622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/03/aos-habitantes-da-cidade.html' title='Aos habitantes da cidade'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-3829802687525066896</id><published>2007-03-15T12:27:00.000-03:00</published><updated>2007-03-15T12:30:42.951-03:00</updated><title type='text'>Tudo ter, nada possuir</title><content type='html'>Paradoxo é uma figura de linguagem que apresenta uma aparente contradição, como por exemplo a famosa expressão “é dando que se recebe” ou a advertência de Jesus afirmando que “ganha a vida quem a perde por amor a ele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reino de Deus é um conceito do cristianismo, semelhante a reino dos céus, e até mesmo céu. O reino de Deus pode ser o ambiente onde a vontade de Deus é feita na terra como no céu, ou também uma qualidade de relacionamento com Deus, onde aquele que participa do reino de Deus não vive mais para si mesmo mas para o próprio Deus, e, finalmente, o status de uma realidade, isto é, o reino de Deus está onde as coisas são exatamente do jeito como Deus quer que sejam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experimentar ou participar do reino de Deus, portanto, é viver para Deus e sob o cuidado de Deus, promovendo a vontade de Deus em todos os ambientes de nossa influência, de modo que a realidade vá se tornando cada vez mais como Deus quer que ela seja, até que toda a terra se encha do conhecimento da glória de Deus como as águas cobrem o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os paradoxos do reino de Deus são que quando passamos a viver para Deus, abrimos mão de tudo quanto temos e somos, e, em vez de ficarmos com nada, ficamos com tudo, pois quem está sob o cuidado de Deus, de nada tem falta, de modo que temos tudo, mas vivemos como se nada tivéssemos, pois quem vive para Deus não está apegado a nada, senão ao próprio Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         O discipulado de Jesus Cristo implica ter tudo em Deus, mas viver como se nada tivesse, desapegado de tudo, olhando para tudo que é seu como se seu não fosse, colocando tudo o que tem a serviço dos interesses de Deus, para que em todas as coisas a vontade de Deus prevaleça e o mundo se encaixe nos propósitos de Deus. Assim viviam os cristãos do primeiro século: “da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham”; “os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum... vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade”; “quem tinha recolhido muito não teve demais, e não faltou a quem tinha recolhido pouco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         O discipulado de Jesus Cristo implica nada ter, mas viver como se tudo tivesse, andando em segurança, pois aquele que tem a Deus, de que mais necessita? Assim ensinam as Sagradas Escrituras: “O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta”; “Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração. Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá: ele deixará claro como a alvorada que você é justo, e como o sol do meio-dia que você é inocente. Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros”; “Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam”; “Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Observem as aves do céu, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?”; “... Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-3829802687525066896?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/3829802687525066896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=3829802687525066896&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3829802687525066896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3829802687525066896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/03/tudo-ter-nada-possuir.html' title='Tudo ter, nada possuir'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-3271717458470962024</id><published>2007-03-02T17:38:00.000-03:00</published><updated>2007-03-02T17:41:34.168-03:00</updated><title type='text'>As vontades de Deus</title><content type='html'>A vontade de Deus é um dos temas mais controversos da experiência cristã. Os teólogos costumam dizer que Deus tem três tipos de vontades: soberana, moral e específica. A vontade soberana é aquela que se realiza independentemente da concordância ou cooperação humana voluntária. Quando Deus quer agir, ninguém pode impedir: porta que Deus abre ninguém fecha e porta que Deus fecha ninguém abre. Considerando que Deus tem todo poder, isso significa não apenas que Ele pode decidir livremente (direito) como também que pode executar sua decisão (capacidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade moral é aquela que reflete o caráter de Deus, em forma de mandamentos ou princípios. Não matar, não roubar, não mentir são bons exemplos. Mas também ser solidário, praticar a misericórdia, promover a justiça, agir com humildade, cultivar relacionamentos íntegros, honrar as promessas e não manipular pessoas também se encaixam na definição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade específica seria aquela que determina o plano detalhado de Deus para cada circunstância da vida de cada pessoa em particular, como por exemplo, o lugar onde vai estudar, a pessoa com quem vai casar, o emprego e a cidade onde vai morar. Por trás do conceito da vontade específica de Deus está a crença de que tudo o que acontece, desde que não seja um pecado cometido pela própria pessoa, é da vontade de Deus, pois Ele tem um propósito por trás de todas as situações da vida de todas e cada uma das pessoas. Quando alguém fica doente, é preterido para uma promoção ou é demitido do emprego, tem um carro roubado, uma viagem adiada ou uma visita inesperada, tudo foi causado ou permitido por Deus porque Ele quer fazer alguma coisa através daquele evento ou naquela situação específica. Além disso, também há a crença que Deus tem a decisão certa a ser tomada em cada circunstância da vida. A vontade específica, entretanto, mais se parece com a perspectiva pagã do determinismo e do fatalismo, a crença no destino, do que com a abordagem bíblica de um deus que cria seres humanos à sua imagem e semelhança, e portanto livres, e os convoca a que se tornem parceiros na administração da criação e na construção da história. Os cristãos não cremos em destino. Os cristãos acreditamos que Deus tem propósitos para a história humana, mas não tem tudo decidido, como se a humanidade fosse um conjunto de bonecos iludidos, acreditando que são responsáveis por suas histórias, mas na verdade são manipulados pelos dedos de Deus que determinam suas decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fato que Deus está presente e agindo em todas as situações da vida de todas as pessoas, e que nada acontece sem que Deus permita. Mas isso não significa que Deus é a causa de tudo o que acontece. Permitir é diferente de fazer acontecer. Também é verdade que Deus guia e orienta aqueles que buscam sua sabedoria. Mas isso é diferente de apontar a escolha certa, como se fosse um oráculo. Deus responde orações. Mas não manipula ninguém. Exceto quando livremente decide realizar seus propósitos. Mas aí já não se trata de vontade específica, mas soberana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-3271717458470962024?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/3271717458470962024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=3271717458470962024&amp;isPopup=true' title='31 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3271717458470962024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/3271717458470962024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/03/as-vontades-de-deus.html' title='As vontades de Deus'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>31</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-6586361621304200320</id><published>2007-02-14T18:06:00.000-02:00</published><updated>2007-02-14T18:09:56.061-02:00</updated><title type='text'>Consultoria Eclesiástica</title><content type='html'>Resolvi entrar no mercado de consultoria eclesiástica. Após mais de 20 anos de contatos com modelos metodológicos que visam otimizar os resultados das igrejas acredito que já consegui alinhavar algumas idéias suficientemente testadas e aprovadas. Ofereço, portanto, e de graça, conselhos para líderes que desejam fazer sua igreja crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, recomendações bibliográficas. Leia Guy Debord para adquirir noções a respeito da sociedade espetáculo, onde até mesmo a fé é show. Leia também Pierre Bourdier para se familiarizar com a realidade dons bens simbólicos no mercado, inclusive religioso. Finalmente, leia Maquiavél, e medite sobre o postulado da primazia dos fins sobre os meios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis os conselhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pratique o ilícito, afinal você não vai conseguir chegar muito longe sem umas boas maracutaias. Faça com que as pessoas trabalhem para você e depois mande que busquem seus direitos na justiça, encontre fiadores para seus negócios e não tenha escrúpulos em deixar que eles se virem para pagar a conta, em caso extremo, dê calote sem dó nem piedade, e, principalmente, use e abuse dos ambiciosos e vaidosos que darão até as calças para serem identificados como as pessoas de sua confiança – pegue as calças deles. Não se importe com títulos protestados, aliás, encontre número suficiente de laranjas e crie empresas fantasmas para fazer escoar todas as demandas judiciais contra você. Externalize, companheiro, o máximo possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Invista na comunicação de massa: rádio, tv e shows, muitos shows, mega shows. O mundo gospel está cheio de artistas talentosíssimos, bem intencionados e precisando ganhar o pão de cada dia. Prometa o pão. Grave os caras, promova a banda deles, mas retenha todos os direitos em sua propriedade e faça amarrações contratuais de tal maneira que eles sejam obrigados a comer na sua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não tenha vergonha de pedir dinheiro. Faça com que todos acreditem que doar para sua igreja é a mesma coisa que doar para Deus. Crie alguns projetos de fachada e divulgue os resultados como pretexto para pedir mais dinheiro. Desvie todos os recursos doados para (1) empresas comerciais e (2) patrimônio pessoal. Preserve seu patrimônio colocando tudo em nome de laranjas ou em contas no exterior. Institua uma fundação que possa funcionar como plataforma de lavagem de dinheiro e use também as igrejas (multiplicadas em sistema de franquia) como forma de burlar o fisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Assuma uma postura de liderança espiritual como celebridade. Ande rodeado de asseclas, serviçais e guarda-costas. Faça muito barulho ao chegar e ao sair. Não permita que sua presença passe despercebida. Ostente todos os sinais exteriores possíveis de riqueza: roupas, jóias, cabelos, canetas, relógios, carros, e, se possível dê um jeito de aparecer na revista Caras. Faça com que o povo veja como você é próspero e repita à exaustão que tudo o que você possui é uma evidência da benção de Deus sobre a sua vida. Faça com que todos acreditem que poderão chegar onde você está. Ou melhor, faça com que tenham inveja de você e se disponham a fazer qualquer coisa para chegar aonde você chegou, ou, na pior das hipóteses, ficar perto de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Satanize todos os seus críticos e opositores. Transforme todos eles em inimigos de Deus. Pouca coisa une mais um povo do que um inimigo comum: encontre um, a Globo, por exemplo. Construa um discurso persecutório, repita sem parar que você é vítima de perseguição religiosa, que estão sendo injustos contra você e que na verdade perseguir você é apenas uma artimanha do diabo para levantar oposição a Deus e ao evangelho. Crie símbolos de amarração simbólica e crie um espírito de corpo do tipo “nós contra o mundo e todo mundo é contra nós”. Lance campanhas de compromissos até a morte, crie slogans com palavras de ordem, uniformize seu exército – faça todos os líderes usarem a mesma camiseta e venda camisetas iguais para o povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Cale a voz da sua consciência. Deus costuma falar através dela. Afaste-se de todas as pessoas sérias que aparecerem no seu caminho. Afaste-as de você. Invente calúnias contra elas. Deixe-as fragilizadas, com uma mão na frente e outra atrás, e assim não terão forças emocionais para enfrentar você e lutar pelo que é justo, pois estarão ocupadas tentando se reerguer. Não olhe nos olhos do povo simples que segue você, não se deixe mover por compaixão, abafe todos os impulsos de bondade e honestidade. Quando sentir vergonha de ser quem você é, fique quietinho, esperando a vergonha passar. Em último caso, tente se convencer de que as pessoas sinceras e realmente tocadas por Deus no meio dessa confusão toda que você criou ao seu redor serão cuidadas pelo próprio Deus. Chore de noite, escondido ou escondida. Com o tempo sua consciência se cauteriza e a coisa flui que é uma beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Creia que é possível nascer de novo. Ou, se for o caso, creia que é possível voltar ao primeiro amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvidas que sua igreja vai crescer. A história demonstra que não apenas igrejas evangélicas, mas também movimentos políticos e econômicos, bem como seitas de toda sorte usam regras semelhantes e prosperam. Caso você volte ao primeiro amor, não se envergonhe do evangelho de Jesus Cristo. Levante as mãos para o céu e agradeça. Deus vai lhe dar forças para você conviver com sua memória e reescrever sua história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-6586361621304200320?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/6586361621304200320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=6586361621304200320&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/6586361621304200320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/6586361621304200320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/02/consultoria-eclesistica.html' title='Consultoria Eclesiástica'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-117128932232856884</id><published>2007-02-12T11:50:00.000-02:00</published><updated>2007-02-12T12:08:42.343-02:00</updated><title type='text'>João Hélio</title><content type='html'>O Brasil está de luto por João Hélio, o menino de 6 anos, arrastado pelos ladrões em fuga por sete quilômetros, preso ao cinto de segurança do carro de sua família roubado na cidade do Rio de Janeiro. Uma tragédia bárbara. Aliás, mais uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da legítima e imprescindível solidariedade à família enlutada, por quem todos os cristãos intercedem pelo consolo dos céus, nestas horas emergem discussões a respeito da maioridade penal, frouxidão da legislação criminal, aumento das penas aos criminosos – prisão perpétua, pena de morte, sistema carcerário correcional, e todo o aparato jurídico e policial que em tese deveriam proteger os cidadãos e reabilitar os criminosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras vozes, no calor do espanto e da revolta, trazem à tona a Lei de Talião: olho por olho, dente por dente; bateu, levou; matou, morreu. O espírito do coro é mais para vingança do que para justiça, contrário ao espírito de Talião, que limitava a resposta do agredido, que não poderia causar ao agressor dano maior do que o sofrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do debate, pelo menos duas alternativas são possíveis aos cristãos. A primeira leva às últimas conseqüências o conceito de Estado laico, e advoga que a vida em sociedade não pode ser conduzida pelos valores do evangelho, mas pelo contrato social. Nesse caso, o Estado laico seria conduzido pela força da lei implacável, onde não há margem para perdão, compaixão. Na verdade, vale a máxima: aos amigos a misericórdia, aos inimigos a lei. A religião não se intromete na condução dos assuntos da sociedade e na administração da coisa pública e da norma regente da vida coletiva. Perdoar é tarefa da igreja, ao estado compete fazer justiça, e para fazer justiça aplica-se a lei, de preferência de Talião, onde cada um recebe de volta o dano que causou ao outro ou à coletividade. Para proteger a coletividade, elimina-se o criminoso. Abre parêntesis: numa visão sistêmica, difícil seria identificar o real criminoso, ou definir um criminoso apenas. Fecha parêntesis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra alternativa seria compreender o estado laico como aquele onde todas as vozes têm vez e voto, e cujo equilíbrio depende da equidade de todas as forças representativas daqueles que o constituem. Em outras palavras, por exemplo, a OAB defenderia a aplicação da lei e a Igreja defenderia a outorga do perdão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-117128932232856884?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/117128932232856884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=117128932232856884&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/117128932232856884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/117128932232856884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/02/joo-hlio.html' title='João Hélio'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-117128822162762758</id><published>2007-02-12T11:42:00.000-02:00</published><updated>2007-02-12T11:50:21.650-02:00</updated><title type='text'>Religião e secularização</title><content type='html'>Li Orhan Pamuk, Nobel de Literatura em 2006. Ele me fez pensar nas abrangentes implicações da secularização, na força da religião, e especialmente no significado de um Estado laico. Considerando correto que religioso e secular são os dois extremos da civilização, Deus não tem vez nem voz no mundo secularizado, o que explica ou justifica (ou explica mas não justifica) o Estado laico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo quando a religião dava as cartas do processo civilizatório, tanto no ocidente cristão quanto no oriente islâmico. O advento da secularização destronou a religião e assumiu o controle da vida em sociedade. Desde então a religião passou a ser encarada como questão de foro íntimo, não poucas vezes associada à ignorância, alienação, superstição, infantilidade e primitivismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado laico implica a postura ateísta, isto é, Deus não pode ser invocado como argumento em questões de ciência e legislação. A partir desta premissa, a coisa pública–res-pública–república, busca sua sustentação em fundamentos não religiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, parece lógico e justo. Caso o aspecto religioso fosse levado em consideração para a norma científica e a legislação da sociedade, assistiríamos o digladiar das diversas tradições religiosas pela primazia do arbítrio da vida coletiva, isto é, cada tradição religiosa tentaria anular as outras e impor sua perspectiva como única verdade – o que, aliás, se tem visto hoje em dia.  O conflito entre as potências ocidentais e orientais no mundo moderno (ou pós-moderno) é menos econômico e geopolítico do que religioso e de civilizações. Nesse sentido, os que defendem o estado laico, onde a religião ocupa espaço pessoal e privativo e não pode ser invocada para a coisa pública parecem ter mesmo razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há o outro lado da moeda. Alijar a religião do processo social implica calar a voz de significativo número de cidadãos, e, nesse caso, o laicismo do Estado passa a conspirar contra um dos alicerces da opção republicana, a saber, a liberdade das consciências individuais. Também ocorre que o Estado perde riquezas próprias das diferentes dimensões da sabedoria e da verdade, notadamente as dimensões inerentes aos saberes não racionais (diferente de “irracionais”). O equilíbrio do Estado não está na inexistência de conflitos, mas na igualdade de direitos das forças que o constituem. Isso explica porque as repúblicas seculares são tão radicais quanto os estados baseados no fundamentalismo religioso: todo aquele que insiste em calar vozes perde o direito de falar, e quem perde o direito a alguma coisa e ainda continua a exercê-lo, o faz pela força, de modo que sua autoridade se torna ilegítima e deve ser resistida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto a secularização quanto o fundamentalismo religioso conspiram contra a liberdade. Este é um tempo, portanto, de uma melhor definição de Estado laico. Não mais aquele onde a religião está ausente, mas aquele onde todas as religiões têm iguais e garantidos direitos, e aceitam participar do jogo democrático, respeitadas as regras do jogo, e mediante o acordo tácito de uma vez no poder, preservar os direitos dos discordantes. Isso sim é utopia. Isso sim é ser republicano. Ou democrata. Como queira. Isso sim é ser religioso (no sentido subjetivo). Ou secular (no sentido objetivo). Como queira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-117128822162762758?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/117128822162762758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=117128822162762758&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/117128822162762758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/117128822162762758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/02/religio-e-secularizao.html' title='Religião e secularização'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116793880988922646</id><published>2007-01-04T17:24:00.000-02:00</published><updated>2007-01-04T17:33:14.736-02:00</updated><title type='text'>Uma coisa e outra coisa</title><content type='html'>Parafraseando o poeta, Deus é como o luar, ao mesmo tempo luz e mistério. Luz porque revelado, auto-revelado. Mistério porque Deus. O que fosse completamente conhecido ao mortal seria também mortal e, portanto, não seria Deus. O finito não pode, por definição, compreender o eterno; o imperfeito, conhecer perfeitamente o perfeito. Até aqui, tudo bem, acredito. Mas vou mais longe. A essência e a natureza de Deus estão além das possibilidades humanas. Deus não cabe sequer no vocabulário humano. Por exemplo, podemos falar que Deus é uma coisa, um ser, uma pessoa? Ou deveríamos dizer que Deus é, ou como pretendia Paul Tillich, Deus é o ser em si? Quem sabe deveríamos ficar com a auto-apresentação de Deus a Moisés: Eu sou. Talvez devêssemos admitir a sabedoria judaica para quem o nome de Deus é impronunciável. Faz sentido: imensurável, incognoscível, inefável, cujo nome é impronunciável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda e qualquer tentativa de enclausurar Deus em uma definição é uma blasfêmia e um ato de idolatria: Deus definido é igual a ídolo. Isso implica dizer que não se pode falar de Deus em termos conceituais. Reduzir Deus a idéias é também uma forma de fazer deuses: idéias de Deus são iguais a deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas creio que Deus se revelou. Creio que a Bíblia sagrada é o texto privilegiadíssimo desta revelação e a considero “palavra de Deus”. Creio, como diz a Bíblia, que Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras, e que sua palavra exata foi Jesus de Nazaré, o Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspeito que de Deus se pode afirmar o que pode ser visto. Visto na maneira como se relacionou com as pessoas cujas histórias são contadas na Bíblia – caso não saiba, a Bíblia é um livro de histórias. Visto na maneira como se comportou em Jesus Cristo, sua mais exata expressão. O que não pode ser visto a respeito de Deus é apenas e tão somente objeto de especulação, fruto de experiência pessoal, conteúdo de fé subjetiva, e, portanto, não serve de base para o labor teológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, quando alguém diz que “Deus é justo”, “Deus é onipotente”, ou “Deus é onisciente” me pergunto de onde tiram essas afirmações, isto é, quero saber onde Deus pode ser visto agindo com justiça, com todo o poder e com todo o conhecimento. Por outro lado, quando a Bíblia diz que Deus mandou aniquilar uma nação por completo ou decidiu dar uma porção de terra a um povo em detrimento de outro, inclusive expulsando da terra o povo que lá estava, preciso de um longo caminho para compatibilizar minhas noções de genocídio e limpeza étnica e meus critérios de direitos e justiça com o que dizem a respeito de Deus. Uma coisa é o que dizem que Deus é. Outra coisa é a maneira como a Bíblia retrata seu comportamento ao longo da história. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Quem tem ouvidos ouça como conciliar as coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116793880988922646?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116793880988922646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116793880988922646&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116793880988922646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116793880988922646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/01/uma-coisa-e-outra-coisa.html' title='Uma coisa e outra coisa'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116791820648026230</id><published>2007-01-04T11:38:00.000-02:00</published><updated>2007-01-04T11:43:26.493-02:00</updated><title type='text'>Água viva</title><content type='html'>Tenho um monte de coisas para fazer, e não consigo produzir. Acho que é o cansaço, coisa de atleta em fim de temporada. Minhas férias estão agendadas, mas ainda estou bem ocupado.  Enquanto espero a hora do próximo compromisso me bateu um enfado do tipo “e daí?”. Fui tomado por um sentimento de “chega de coisas óbvias, alguém, por favor, me diga alguma coisa que eu ainda não tenha ouvido, uma coisa nova, me mostre um ponto de vista diferente, me aponte na direção de alguma coisa realmente surpreendente, e me diga como sair desta mesmice previsível”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De súbito me censurei, dizendo para mim mesmo “e aí, companheiro, tá dando uma de ateniense, que busca novidade e não se satisfaz nunca?”, e depois fui um pouco mais cruel, “você ainda não encontrou a grande novidade? Não é você quem diz por aí que quem se encontra com Cristo mata a sede de vez porque tem dentro de si um rio de água viva?”. Evidentemente, não sou de ficar calado quando esse tipo de confrontação bate na minha consciência e fui logo respondendo que “Jesus coloca um rio de água viva dentro da gente, o que é bem diferente de dar um copo d’água definitivo, que a gente bebe de uma vez por todas para nunca mais ter sêde. A brincadeira não é tomar um copo e nunca mais ter que voltar a Jesus. A graça da coisa não é beber um copo d’água, mas  voltar sempre, não apenas para tomar um copo, mas para mergulhar o mais fundo no rio de água viva. Ou a gente mergulha todo dia ou cai mesmo nesse marasmo enfadonho e cinzento que de vez em quando fica bem parecido com escuridão. Então me dá licença, que eu vou vestir um calção!".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116791820648026230?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116791820648026230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116791820648026230&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116791820648026230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116791820648026230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/01/gua-viva.html' title='Água viva'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116775710079708371</id><published>2007-01-02T14:57:00.000-02:00</published><updated>2007-01-02T14:59:46.673-02:00</updated><title type='text'>Fé</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;Geralmente se diz que fé é acreditar em Deus.&lt;br /&gt;Ou ainda que fé é acreditar que Deus tudo pode.&lt;br /&gt;As duas definições, entretanto, nada nos acrescentam,&lt;br /&gt;pois esse tipo de fé até mesmo o diabo tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto da definição de Rob Bell:&lt;br /&gt;fé é acreditar que Deus acredita em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi a experiência de Pedro&lt;br /&gt;quando pediu que Jesus o chamasse para&lt;br /&gt;andar sobre as águas. E Jesus o chamou, isto é,&lt;br /&gt;pronunciou uma palavra de ordem a seu respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro saiu do barco e caminhou sobre as águas.&lt;br /&gt;Mas em dado momento prestou atenção no vento,&lt;br /&gt;e duvidou.&lt;br /&gt;Começou a afundar e clamou por socorro:&lt;br /&gt;“Senhor, salva-me!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro não duvidou de Jesus&lt;br /&gt;e nem de seu poder de salvar.&lt;br /&gt;Então, duvidou de quê?&lt;br /&gt;Duvidou de si mesmo.&lt;br /&gt;Duvidou de que seria capaz de cumprir&lt;br /&gt;a palavra de Jesus pronunciada a seu respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fé não é acreditar que Deus tudo pode.&lt;br /&gt;Fé é acreditar que&lt;br /&gt;“tudo posso naquele que me fortalece”.&lt;br /&gt;Quem acredita que Deus tudo pode e nada faz,&lt;br /&gt;tem fé sem obras, e fé sem obras é fé morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hebreus 11 é chamado de “galeria dos heróis da fé”.&lt;br /&gt;Ali estão registrados os exemplos de fé.&lt;br /&gt;Não são pessoas que apenas acreditaram&lt;br /&gt;em Deus ou no fato de que Deus tudo pode.&lt;br /&gt;São pessoas que, porque acreditaram em Deus,&lt;br /&gt;e no fato de que Deus tudo pode,&lt;br /&gt;deixaram sua zona de conforto&lt;br /&gt;e se arremessaram a andar com Deus,&lt;br /&gt;obedecendo as ordens de Deus&lt;br /&gt;e perseguindo as promessas de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fé é acreditar que Deus acredita em você.&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116775710079708371?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116775710079708371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116775710079708371&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116775710079708371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116775710079708371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/01/f.html' title='Fé'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116768924045030090</id><published>2007-01-01T20:06:00.000-02:00</published><updated>2007-01-02T15:03:31.430-02:00</updated><title type='text'>Fazendo história</title><content type='html'>O futuro não está pronto. Deus tem propósitos, mas não tem planos. A história caminha rumo ao fim bom de toda a criação – reino de Deus, mas segue sua sina construída a quatro mãos: divinas e humanas. Há quatro variáveis dentro das quais a história se desenrola. Quatro variáveis que servem de moldura para que cada ser humano escreva sua própria história enquanto coopera na escrita da história de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;circunstâncias&lt;/strong&gt; são a primeira variável. Todos somos postos dentro de contextos a respeito dos quais não tivemos qualquer influência. A começar do dia, hora e local do nosso nascimento. Na verdade, a começar do próprio nascimento: ninguém pediu pra nascer. A vida se desenrola e nos coloca diante de horizontes independem de nossa vontade e desejos: sua família de origem, a escola de sua infância, a cidade onde seus pais se fixaram, a condição econômica e financeira de sua casa, os primeiros amigos, o número de irmãos, e uma série de outros detalhes que simplesmente fazem parte de sua vida antes mesmo de você ter consciência de sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As &lt;strong&gt;oportunidades&lt;/strong&gt; são a segunda variável. Cada circunstância contém em si mesma um horizonte imenso de oportunidades. O que para uma pessoa é uma situação indesejada, para outra pode ser uma ocasião privilegiada. Depende muito de como cada um encara a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas circunstâncias surgem as oportunidades e as oportunidades exigem &lt;strong&gt;decisões&lt;/strong&gt;, a terceira variável. Somos escravos de nossa liberdade. Decidir é inevitável. Mesmo quem não decide nada tomou uma decisão: a decisão de não decidir. Imagine que a circunstância é uma sala. Nesta sala existem muitas portas, cada uma delas é uma oportunidade. Todo ser humano tem o sagrado privilégio de escolher uma porta para chegar a outro horizonte de oportunidades. É verdade que de vez em quando alguém ou algo nos empurra porta adentro sem que a tenhamos escolhido), mas ainda assim, estaremos diante de muitas outras portas, e assim sucessivamente, de sala em sala, até a última porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de cada circunstância, um monte de oportunidades, que por sua vez exigem decisões. Por sobre tudo isso está &lt;strong&gt;Deus&lt;/strong&gt; – perdoe-me adjetivá-lo de “variável”, a quarta variável. O que Deus faz ou deixa de fazer está na categoria do mistério, foge às nossas possibilidades e mesmo quando o discernimos, geralmente é depois que a coisa já está feita. Por esta razão, devemos cuidar do que está em nossas mãos: encarar as circunstância, discernir oportunidades e tomar decisões. Crendo sempre que Deus está sobre tudo e todos, cuidando de nós e agindo em nós, através de nós e apesar de nós para que nossa história pessoal seja alinhada à sua história eterna. Como ele faz isso eu não faço a menor idéia. Não sei o que, quando e como Deus agiu ou age em minha história. Mas isso não está em minhas mãos. Tudo quanto posso fazer é abrir a porta de minha vida para que Deus entre e assuma o controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiando que Deus está comigo, sigo meu caminho, sendo grato por tudo e sempre, atento para discernir os dias, perceber os sinais, enxergar as oportunidades, e fazendo o máximo para tomar as melhores decisões possíveis, buscando acima de tudo o que interessa ao reino de Deus e sua justiça. No mais, literalmente, seja o que Deus quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116768924045030090?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116768924045030090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116768924045030090&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116768924045030090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116768924045030090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/01/fazendo-histria.html' title='Fazendo história'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116695533194859490</id><published>2006-12-24T08:14:00.000-02:00</published><updated>2006-12-24T08:22:11.896-02:00</updated><title type='text'>Como se Deus não existisse</title><content type='html'>&lt;em&gt;[Ricardo Gondim]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século passado, Karl Marx e Sigmund Freud representavam duas grandes ameaças contra a religião. Marx afirmava que a igreja serve a interesses ideológicos de controle político e de subjugação econômica. Freud, por sua vez, percebia os mecanismos infantilizantes da religião quando sacerdotes projetam em Deus nosso desejo por um pai perfeito. Para ele, a prática religiosa condena homens e mulheres a viverem como eternas crianças, sempre precisando de intervenções sobrenaturais para enfrentar as agruras da vida.&lt;br /&gt;É preciso dar a mão à palmatória. Os dois leram as instituições religiosas dos seus dias corretamente, principalmente a cristandade. Desde Constantino, o apelo do poder mostrou-se arrasador e irresistível nas igrejas. Infelizmente, os ensinos do Nazareno foram usados para autenticar o expansionismo imperialista e colonialista dos grandes impérios que se auto-proclamaram cristãos. Padres, pastores e bispos se vestiram como a grande prostituta do Apocalipse e se entregaram por qualquer preço. Monarcas beijaram anéis episcopais enquanto obrigavam seus donos a lamberem suas botas. Assim, os mercadejadores do templo precisaram distribuir ópio religioso para poderem fazer vista grossa e abençoar inúmeras carnificinas – dos Tsares russos ao Batista cubano; das aventuras ensandecidas de Isabel espanhola às dos Bush, pai e filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A adoração do “Deus provedor” ocidental deu razão a Freud, que denunciava os recintos religiosos como incubadoras de oligofrênicos. O proselitismo missionário foi feito, em grande parte, precisando de uma espiritualidade funcional. Na tentativa de mostrar a superioridade de Jeová sobre as demais divindades, criou-se um fascínio por milagres. “Nosso Deus funciona”, clamaram os evangelistas por séculos. Desse modo, o sobrenatural passou a ser compreendido como uma intervenção legitimadora daquele que é o verdadeiro “dono do pedaço”. Assim, os crentes viciados em milagres se condenaram à freudiana dependência infantil.&lt;br /&gt;Em minha opinião, só seria possível resgatar a mensagem de Jesus Cristo, caso a religião abrisse mão de suas hierarquias institucionais, demitisse elites, democratizasse o acesso a Deus, e esvaziasse os rituais da função de serem técnicas para se obter bênçãos. É importante que repensemos a fé, seguindo o exemplo de Jesus que viveu sem precisar de milagres e morreu sem apelar para os anjos. Iguais a ele, precisamos viver sem os cabrestos da religião e sem as intervenções de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com John Hick em “Evil and the God of Love” (New York, Harper &amp; Row; London, Mcmillan, 1966, p. 317)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;“Ao criar pessoas finitas para amar e serem amadas por ele, Deus precisa dotá-las com certa autonomia relativa quanto a si mesmo”. Mas como pode uma criatura finita, dependente do Criador infinito quanto à sua própria existência e a cada poder e qualidade do seu ser, possuir qualquer autonomia significativa em relação a esse Criador? A única maneira que podemos imaginar é aquela sugerida pela nossa situação efetiva. Deus precisa colocar o homem à distância de si mesmo, de onde ele então pode vir voluntariamente a Deus. Mas como algo pode ser colocado à distância de alguém que é infinito e onipresente? É óbvio que a distância espacial não significa nada nesse caso. O tipo de distância entre Deus e o homem que criaria certo espaço para certo grau de autonomia humana é a distância epistêmica. Em outras palavras, a realidade e a presença de Deus não devem se impor ao homem de forma coercitiva como o ambiente natural se impõe à atenção deles. O mundo deve ser para os homens, pelo menos até certo ponto, etsi deus non daretur, “como se Deus não existisse”. Ele precisa ser cognoscível, mas apenas por um modo de conhecimento que implique uma resposta livre da parte do homem, consistindo essa resposta em uma atividade interpretativa não-compelida através da qual experimentamos o mundo como realidade que media a presença divina”.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Uma nova igreja precisa se desvincular de seu fascínio pelo poder, qualquer um: político, econômico, militar ou espiritual. Repito, urge que homens e mulheres construam sua humanidade, sendo sal da terra e luz do mundo, sem necessitar de repetidos socorros celestiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Ricardo Gondim]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116695533194859490?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116695533194859490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116695533194859490&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116695533194859490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116695533194859490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/12/como-se-deus-no-existisse.html' title='Como se Deus não existisse'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116679470451989198</id><published>2006-12-22T11:37:00.000-02:00</published><updated>2006-12-22T11:38:24.546-02:00</updated><title type='text'>Depois de ler Mateus 1 e 2</title><content type='html'>É preciso ter coragem para celebrar o Natal. Coragem e fé. Sim, porque quem celebra o Natal faz afirmações que somente a fé justifica, e se coloca na contra-mão de uma cultura que tirou o microfone da boca da religião e deixou os fiéis falando sozinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter coragem e fé para confrontar os cientistas queafirmam que tudo o que acontece no mundo, seja uma cura inexplicada ou uma chuva inesperada é um fenômeno da natureza, portanto, natural, isto é, sem qualquer interferência do sobrenatural, até porque não existe nada que seja sobrenatural, tudo pode ser explicado pela razão humana. Celebrar o Natal é afirmar que uma mulher ficou grávida pelo Espírito Santo, em outras palavras: sem fazer sexo com um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter coragem e fé para confrontar os filósofos que dizem que espírito e matéria não podem se unir de maneira indivisível, que o espírito é essencialmente bom e a matéria é essencialmente má, e que não é possível que o espírito venha habitar a matéria, de modo que a idéia de um Deus encarnado é absurda. Celebrar o Natal é dizer que o menino nascido em Belém é Deus em forma humana, e que a partir daquele dia “há um homem na Divina Trindade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter coragem e fé para confrontar os antropólogos, sociólogos, psicólogos e tantos outros “ólogos” que dizem que não existe pecado, não existe certo e errado, não existe verdade absoluta, que advogam que cada cabeça tem uma sentença e todas as sentenças são iguais em termos de possibilidade e valor. Celebrar o Natal é afirmar que há um Deus pessoal foi ofendido pela rebelião humana e que este Deus três vezes Santo providenciou expiação para o pecado e a culpa humanas enviando Jesus para salvar o homem do seu pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter coragem e fé para confrontar os arrogantes e prepotentes poderosos políticos que usurpam a autoridade que lhes foi concedida desde o céu para promover a justiça, coibindo o mal e punindo os malvados, e que se valem de sua posição social para legislar e arbitrar em causa própria e construir um império pessoal egocêntrico através do comércio – compra e venda – de tudo e todos, desde ouro, petróleo e água até corpos e almas de seres humanos. Celebrar o Natal é afirmar que nasceu Jesus, Rei dos reis, Senhor dos senhores, poder e autoridade acima de todo nome que se nomeia no céu, na terra e debaixo e debaixo da terra, antes e agora e para todo sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Celebrar o Natal é olhar para as estrelas e enxergar nelas e através delas o Deus que chama cada estrela por seu nome. Celebrar o Natal é olhar para as coisas da terra e enxergar nelas e através delas as coisas do céu. Celebrar o Natal é olhar para a bestialidade humana e enxergar nela e através dela a justiça, o juízo, a misericórdia, o perdão, a graça e o amor do Deus que faz novas não apenas todas as coisas, como também todas as pessoas que colocam sua confiança em Jesus Cristo, o primogênito dentre muitos irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Celebrar o Natal é olhar para a miséria humana e enxergar nela e através dela o clamor e o suspiro dos oprimidos, que não ficará sem resposta, pois eis que vem aquele julgará os povos com retidão e estabelecerá seu reino eterno fazendo com que a terra do conhecimento da glória de Deus como as águas cobrem o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Celebrar o Natal é celebrar Jesus. Celebrar o Natal é celebrar a esperança. A esperança, a coragem e a fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Natal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116679470451989198?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116679470451989198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116679470451989198&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116679470451989198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116679470451989198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/12/depois-de-ler-mateus-1-e-2.html' title='Depois de ler Mateus 1 e 2'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116645674582003695</id><published>2006-12-18T13:36:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T13:45:45.833-02:00</updated><title type='text'>O camelo e o buraco da agulha</title><content type='html'>É mais fácil ser adepto da teologia da prosperidade do que da teologia da libertação (que dizem, já morreu, mas os que dizem se enganam). Para quem deseja sucesso rápido, conforto, popularidade, e uma igreja crescendo sem parar, basta que se ofereça o evangelho numa embalagem adequada à burguesia. Recomenda-se evitar: críticas ao acúmulo de riquezas, apêlos humanitários, referências a palavras solidariedade e justiça, opções ideológicas que favoreçam os pobres, demonstração de simpatia a expressões como "contrato social" e "outro mundo possível", sermões baseados nos profetas menores, convocações ao sacrifício, e similares. Apenas dois problemas surgirão no caminho: o tribunal da consciência (que resistido acabará se dissolvendo) e o juízo final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116645674582003695?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116645674582003695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116645674582003695&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116645674582003695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116645674582003695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/12/o-camelo-e-o-buraco-da-agulha.html' title='O camelo e o buraco da agulha'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116627331087422242</id><published>2006-12-16T10:37:00.000-02:00</published><updated>2006-12-16T10:48:30.890-02:00</updated><title type='text'>Sugestão de gabarito</title><content type='html'>A igreja é, ao mesmo tempo, organismo espiritual e instituição social. Evidentemente, a dimensão institucional é secundária, e deve estar a serviço do organismo espiritual. Caso esteja em dúvida a respeito de sua comunidade, ofereço esta sugestão de gabarito das marcas da institucionalização da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.       &lt;strong&gt;Liderança personalista&lt;/strong&gt;. Quando a comunidade perde de vista a realidade do sacerdócio universal dos cristãos e da dinâmica do uns aos outros na ciranda dos dons e ministérios pessoais, e se deixa vencer pela tentação de privilegiar ministros tidos como especiais em detrimento da participação de todos no triângulo unidade, diversidade e mutualidade, ela abre brecha que uma outra persona que não Cristo se torne alvo de devoção, ocorre então uma idolatria sutil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.       &lt;strong&gt;Ênfase na particularidade do ministério&lt;/strong&gt;. Uma vez que o projeto institucional se torna preponderante, a ênfase não pode recair nos conteúdos comuns a todas as comunidades cristãs. A necessidade de se estabelecer como referência no mercado religioso conduz necessariamente à comunicação centrada nas razões pelas quais “você deve ser da minha igreja e não de qualquer outra”. Torna-se comum o orgulho disfarçado dos líderes que estimulam testemunhos do tipo “antes e depois de minha chegada nesta igreja”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.       &lt;strong&gt;Ministração quase exclusiva à massa sem rosto&lt;/strong&gt;. Ministérios institucionalizados estão voltados para o crescimento númerico e valorizam a ministração de massa, que se ocupa em levar uma mensagem abstrata a pessoas que permanecerão longe dos  bastidores onde ocorre o cuidado pastoral face a face. Parece que os líderes se satisfazem em saber que “gente do Brasil inteiro nos escreve”, como se espalhar uma mensagem fosse a única dimensão da ministração espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.       &lt;strong&gt;Busca de presença na mídia&lt;/strong&gt;. Mostrar a “cara diferente”, principalmente com um discurso do tipo “nós não somos iguais os outros, venha para a nossa igreja” é quase imperativo aos ministérios institucionalizados. A justificativa de que “todos precisam conhecer o verdadeiro evangelho”, com o tempo acaba se transformando em necessidade de encontrar uma vitrine onde a instituição se mostre como produto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.       &lt;strong&gt;Projetos ministeriais impessoais&lt;/strong&gt;. Ministérios institucionalizados medem seu êxito pela conquista de coisas que o dinheiro pode comprar. Pelo menos no discurso, seus desafios de fé não passam pelos frutos intangíveis das vidas transformadas, mas em realizações e empreendimentos que demonstram o poder das coisas grandes: grandes templos, grandes campanhas, grandes canais de mídia, grandes eventos, tudo grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7.       &lt;strong&gt;Exagerados apelos financeiros&lt;/strong&gt;. Conseqüência de toda a estrutura necessária para sua viabilização, os ministérios institucionalizados precisam de dinheiro. As pessoas aos poucos deixam de ser rebanho e passam a ser mala-direta, mantenedores, parceiros de empreendimentos, associados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.       &lt;strong&gt;Rede de relacionamentos funcionais&lt;/strong&gt;. A mentalidade “massa sem rosto” somada ao apelo “mantenedores-parceiros de empreendimentos” faz com que as relações deixem de ser afetivas e se tornam burocráticas e estratégicas. As pessoas valorizadas são aquelas que podem de alguma forma contribuir para a expansão da instituição. Já não existe mais o José, apenas o tesoureiro; não mais o João, apenas o coordenador dos projetos Gideão, Neemias, Josué, ou qualquer outro nome que represente conquista e realizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.       &lt;strong&gt;Rotatividade de líderes chamados leigos&lt;/strong&gt;. Não se admira que muitos líderes ao longo do tempo se sintam usados, explorados, mal amados, desconsiderados e negligenciados como pessoas. O desgaste de uns é logo mascarado pelo entusiasmo dos que chegam atraídos pela aparência do sucesso e êxito ministerial. Assim a instituição se torna uma máquina de moer corações dedicados e esvaziar bolsos de gente apaixonada pelo reino de Deus. O movimento migratório dos líderes de uma igreja para outra são feitos por caminhões de mudança carregados de mágoas, ressentimentos, decepções e culpas. Nos porões das igrejas há muita gente vítima da máxima “Jesus te ama e o pastor te engana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.     &lt;strong&gt;Forte presença de conteúdos simbólicos&lt;/strong&gt;. A institucionalização é adensada pelos seus símbolos, hinos, uniformes, escudos, bandeiras, slogans, logos, campanhas, enfim, componentes de amarração psíquica e uniformidade da mentalidade onde o grupo se sobrepõe ao indivíduo e a instituição esmaga a identidade particular das pessoas. O que se materializa no símbolo conduz ao distanciamento do universo reflexivo e das possibilidades incontroláveis do mundo das idéias, e quanto mais materializado o rito, mais amarrado e dependente o fiel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.       &lt;strong&gt;Ausência de liberdade às expressões individuais&lt;/strong&gt;. Ministérios institucionalizados, personalistas, dependentes de fiéis fiéis na manutenção financeira, e psicologicamente amarrados pelos conjuntos simbólicos não são ambientes para a criatividade e a diversidade. Todos brincam de “tudo quanto seu mestre mandar, faremos todos” e, inconscientemente, acabam se vestindo da mesma maneira, usando o mesmo vocabulário, se expressando através dos mesmos gestos e linguagens não verbais. Seus rebanhos são compostos não apenas por “massa sem rosto” e “mantenedores-parceiros de empreendimentos”, mas também por “soldadinhos uniformizados”, o que aliás, são a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12.     &lt;strong&gt;Falta de preocupação com o discipulado&lt;/strong&gt;. Para quem supervaloriza a expansão, a massa, o número, o quoeficiente de arrecadação, a seriedade no acompanhamento pessoal pastoral e discipulador é deixado de lado. A Bíblia é usada sempre à pretexto de embasamento da campanha do momento, ou da sustentação da nova descoberta visionária e ou doutrinária. Ministérios institucionalizados não estão preocupados em transformar vidas de dentro para fora, querem mesmo é conquistar o mundo e organizar uma sede internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.     &lt;strong&gt;Proclamação utilitarista&lt;/strong&gt;. Ministérios institucionalizados se alimentam de desespero e conveniência. A volúpia expansionista dos líderes misturada com a ganância e a necessidade do fiel resulta na combinação exata para a elaboração e divulgação de uma mensagem adocicada, irreal, fantasiosa e diabolicamente deturpadora do evangelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.     &lt;strong&gt;Escândalos varridos para debaixo do tapete&lt;/strong&gt;. Ministérios institucionalizados são pródigos em protagonizar escândalos ligados a sexo, dinheiro e poder. Não poucos dos seus líderes têm vida dupla. Infelizmente, na mesma proporção em ocupam as páginas da triunfalista mídia religiosa, também ocupam as páginas policiais dos jornais do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15.     &lt;strong&gt;Amor e ódio&lt;/strong&gt;. Os ministérios institucionalizados recebem ao mesmo tempo o ódio e o amor dos que passam por ele. São alvos das mais apaixonadas defesas e dos mais contundentes ataques. Com o mesmo poder com que criam dependências e são capazes de manipular a massa, são também objetos do mais absoluto descrédito de tantos quantos já foram atropelados pela sua volúpia expansionista e sua liderança totalitária, gananciosa e egocêntrica. Tão certo quanto algumas personalidades são veneradas como semi-divinas, são também exorcizadas como demoníacas, e desmascaradas como falsos pastores, falsos mestres, falsos profetas, falsos bispos, falsos apóstolos – de ambos os sexos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116627331087422242?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116627331087422242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116627331087422242&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116627331087422242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116627331087422242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/12/sugesto-de-gabarito.html' title='Sugestão de gabarito'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116611468759839740</id><published>2006-12-14T14:37:00.000-02:00</published><updated>2006-12-14T14:44:47.610-02:00</updated><title type='text'>Sobre mentiras e verdades</title><content type='html'>Cansei de varrer angústias para debaixo dos chavões. Não me importo de ser taxado de herege e que alguns divulguem que estou me desviando da fé evangélica. Não me incomoda mais o julgamento impiedoso e implacável dos que sobrevivem de certezas. Não estou mais disposto a repetir velhas fórmulas que não me fazem sentido nem oferecem abrigo para as almas amarrotadas pela dor. Não suporto mais a solidariedade das palavras vazias dos clichês religiosos e da teologia mais ocupada em defender a Deus do que em amar o próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temo o caminho. A noite escura do silêncio e das dúvidas da alma não me apavora mais do que a infertilidade dos dogmas do dia claro. Tenho certeza de que minha trilha é percurso de vida. E tenho boas razões para crer assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando sobre as pegadas dos questionadores, dos inquietos, dos rebeldes, dos que não encontram descanso, sem qualquer temor de me perder no labirinto da complexidade da razão e dos descaminhos do coração, que “têm razões que a própria razão desconhece”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não quero é ser contado entre os cínicos. Não me admito mais seguindo na fila indiana dos covardes. Jamais aceitarei a possibilidade da hipocrisia. Prefiro a verdade, a minha verdade, ainda que minha verdade seja mentira, pois mais vale apostar no que é verdade para a consciência, ainda que seja mentira, do que numa verdade estranha à consciência. A consciência vale mais que a verdade, pois somente na verdade relativa da consciência a verdade verdadeira poderá se impor sobre a mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho sem qualquer receio entre as verdades e mentiras das consciências humanas – a minha e a de todos os caminhantes. A Verdade em que creio não é uma idéia, é uma pessoa. Não tomo como definitivas as verdades das consciências, já que descanso na Verdade que é uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas vísceras clamam pelo encontro com a pessoa que é a Verdade, e justamente por esta razão não posso conviver com quaisquer verdades que sejam estranhas à minha consciência. Relacionamentos não se baseiam em verdades, mas em integridade, autenticidade, transparência, sinceridade, mútua confiança. Prefiro estar errado sendo íntegro do que certo sendo falso. Você deve suspeitar que eu esteja enganado ou equivocado, mas pode acreditar que estou sendo honesto. Não me importo em descobrir que minha verdade é uma mentira. Mas jamais me relacionaria com você baseado em algo que para mim seja mentira somente porque para você é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso se importe, fique tranqüilo comigo. Creio na graça de Deus, que me interpela e me encontra. Creio no Espírito Santo de Deus, que me conduz a toda a verdade. Creio em Jesus, caminho, verdade e vida. Creio que sou amado pelo Pai, o Filho e o Espírito Santo com amor maior do que eu tenho por mim mesmo. Creio que o Deus Triuno me levará à luz da verdade verdadeira, desmascarando minhas mentiras. E creio que o caminho mais curto para a verdade verdadeira é a admissão de minhas verdades relativas. Antes de me levar à verdade verdadeira, certamente Deus me levará às minhas verdades relativas, quer para que sejam desmascaradas e se revelem mentira, quer para me revelar que não eram tão mentirosas assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romanos 12.2&lt;br /&gt;2Coríntios 13.8&lt;br /&gt;Hebreus 4.12&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116611468759839740?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116611468759839740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116611468759839740&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116611468759839740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116611468759839740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/12/sobre-mentiras-e-verdades.html' title='Sobre mentiras e verdades'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116499077018665632</id><published>2006-12-01T14:31:00.000-02:00</published><updated>2006-12-01T14:34:43.223-02:00</updated><title type='text'>Faça valer</title><content type='html'>Quero que me digam que eu tentei ser direito e caminhar ao lado do próximo.&lt;br /&gt;Quero que vocês possam mencionar o dia em que tentei vestir o mendigo, tentei visitar os que estavam na prisão, tentei amar e servir a humanidade.&lt;br /&gt;Sim , se quiserem dizer algo, digam que eu fui um arauto: um arauto da justiça, um arauto da paz, um arauto do direito.&lt;br /&gt;Todas as outras coisas triviais não têm importância.&lt;br /&gt;Não quero deixar nenhuma fortuna. Eu só quero deixar uma vida de dedicação!&lt;br /&gt;E isto é tudo o que eu tenho a dizer:&lt;br /&gt;Se eu puder ajudar alguém a seguir adiante,&lt;br /&gt;Se eu puder animar alguém com uma canção,&lt;br /&gt;Se eu puder mostrar a alguém o caminho certo,&lt;br /&gt;Se eu puder cumprir o meu dever cristão,&lt;br /&gt;Se eu puder levar a salvação para alguém,&lt;br /&gt;Se eu puder divulgar a mensagem que o Senhor deixou...&lt;br /&gt;...então a minha vida terá valido a pena!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Martin Luther King Jr.]&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116499077018665632?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116499077018665632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116499077018665632&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116499077018665632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116499077018665632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/12/faa-valer.html' title='Faça valer'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116476356380157463</id><published>2006-11-28T23:23:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T23:29:06.546-02:00</updated><title type='text'>Deus coopera</title><content type='html'>Meu amigo Ariovaldo Ramos diz que a Bíblia é um texto zipado. É como um arquivo que se abre para a eternidade e você nunca chega ao fim de sua leitura. Não importa se vai ao mesmo texto repetidas vezes, ele sempre dirá algo novo, pois o texto em si não é absoluto, mas portador da vida do Deus eterno que se coloca dentro dele – inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bíblia é também um texto polissêmico – com diversos sentidos (sem contradição interna ou performática), isto é, pode ser lido por diferentes pessoas, em variadas circunstâncias, períodos da história e culturas, em diálogo com as diversas ciências, e dele brotará sempre uma nova perspectiva, um novo ângulo de iluminação da realidade e das consciências, do tempo e dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também creio que a Bíblia é um texto vivo, isto é, transcende a realidade estática codificada em dogma e moral, e visita a interioridade humana, e se estabelece com um terceiro dançarino no bailado do diálogo entre o divino e o humano. A Bíblia não é um livro de doutrinas, princípios ou mandamentos atestados e congelados após sujeição ao método científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso sem falar no fato de que a Bíblia é um livro cujos escritos originais estão perdidos no tempo, e tudo quanto temos em mãos são cópias de cópias, algumas mais fidedignas do que outras, e com algumas controvérsias para sua tradução, que em si mesma é revestida de conflitos e senões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta razão, há sempre mais de uma possível leitura de um texto. Qualquer pessoas que se proponha a afirmar categoricamente o que a Bíblia diz, padece de falta de informação ou é desonesto intelectualmente. O máximo que um leitor da Bíblia pode afirmar é “em consenso com a comunidade da fé, atual e histórica, e à luz de minha capacitação, experiência e maturidade, o que consegui ler neste texto da Bíblia é o seguinte...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom exemplo disso tudo é a tradução de Romanos 8.28-30:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito".&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A Nova Versão Internacional traz em sua nota de rodapé uma outra possibilidade de tradução para o verso 8.28, em minha opinião, muito melhor e mais coerente do que esta mais tradicionalmente aceita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Sabemos que em todas as coisas Deus coopera juntamente com aqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito, para trazer à existência o que é bom".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira tradução: &lt;em&gt;“Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam”&lt;/em&gt;, Deus é um manipulador de circunstâncias e seus filhos são passivos, completamente sujeitos ao soprar dos ventos da vida e dependentes do Jesus que segura o leme. Isto significa que você descansar sempre, sabendo que tudo o que lhe acontece estava determinado por Deus, que está usando todas as situações da sua vida para o seu bem, ainda que você não saiba como e porque, como naquela velha história do tapeceiro que corta os fios no avesso da tela, para ao final mostrar um belo quadro, com fios longos e lisos, outros retorcidos e outros ainda cortados rente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na segunda tradução:  &lt;em&gt;"Em todas as coisas Deus coopera juntamente com aqueles que o amam para trazer à existência o que é bom”&lt;/em&gt;, Deus não é um manipulador de circunstâncias, mas um parceiro presente em toda e qualquer situação da vida. Nesse caso, você pode acreditar que não foi Ele quem meteu você no fogo ou deixou que as águas viessem sobre você, quem fez com que a tempestade ameaçasse seu barco, ou mesmo quem colocou você bem no meio do vale da sombra da morte. Nem todas as circunstâncias de sua vida tiverem origem em Deus. Ele não é a causa de tudo o que acontece com você. Mas é certo que nenhuma das circunstâncias de sua vida escapa aos olhos de Deus, e sempre que for invocado Deus terá o que fazer para trazer à existência o que é bom. O que Deus faz, entretanto, não é necessariamente uma manipulação da situação (se bem que às vezes ele o faz), mas sempre e sempre, coopera com você, soprando sobre você o seu Espírito Santo, para que você seja capaz de enfrentar a vida, qualquer que seja ela, de modo a glorificar o nome de Jesus e sinalizar o reino de Deus na história. Deus está atento, com os olhos fixos em você, não necessariamente como causa de tudo o que acontece ao seu redor, mas certamente para mostrar-se forte com todos aqueles cujos corações são completamente dEle, inclusive você, se for o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como ler a Bíblia senão em humilde contrição e de joelhos, pois a verdade não brota de suas páginas senão para aqueles a quem Deus se revelar. Toda vez que o humano se depara com a verdade na palavra viva de Deus, deve cair em gratidão, sabendo que “isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas pelo Pai que está nos céus”. Seja Deus, portanto, o semeador de um dos Romanos 8.28-30 em seu coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116476356380157463?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116476356380157463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116476356380157463&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116476356380157463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116476356380157463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/11/deus-coopera.html' title='Deus coopera'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116439907977624045</id><published>2006-11-24T17:53:00.000-02:00</published><updated>2006-11-24T18:15:53.436-02:00</updated><title type='text'>Teodicéia</title><content type='html'>Acho que Epicuro foi quem formulou a questão a respeito da relação entre a onipotência e a bondade de Deus. A coisa é mais ou menos assim: se Deus existe, ele é todo poderoso e é bom, pois não fosse todo-poderoso, não seria Deus, e não fosse bom, não seria digno de ser Deus. Mas se Deus é todo-poderoso e bom, então como explicar tanto sofrimento no mundo? Caso Deus seja todo-poderoso, então ele pode evitar o sofrimento, e se não o faz, é porque não é bom, e nesse caso, não é digno de ser Deus. Mas caso seja bom e queira evitar o sofrimento, e não o faz porque não consegue, então ele não é todo-poderoso, e nesse caso, também não é Deus. Escrevendo sobre a Tsunami que abalou a Ásia, o Frei Leonardo Boff resume: “Se Deus é onipotente, pode tudo. Se pode tudo porque não evitou o maremoto? Se não o evitou, é sinal de que ou não é onipotente ou não é bom”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando, portanto, que não é possível que Deus seja ao mesmo tempo bom e todo-poderoso, a lógica é que Deus é uma impossibilidade filosófica, ou se preferir, a idéia de Deus não faz sentido, e o melhor que temos a fazer é admitir que Deus não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que estamos diante de um dilema insolúvel. Mas Einstein nos deu uma dica preciosa. Disse que quando chegamos a um “problema insolúvel”, devemos mudar o paradigma de pensamento que o criou. O paradigma de pensamento que considera o binômio “onipotência/bondade” como ponto de partida para pensar o caráter de Deus nos deixa em apuros. Existiria, entretanto, outro paradigma de pensamento? Será que as palavras “onipotência” e “bondade” são as que melhor resumem o dilema de Deus diante do mal e do sofrimento do inocente? Há outras palavras que podem ser colocadas neste quebra-cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este problema foi enfrentado por São Paulo, apóstolo, em seu debate com os filósofos gregos de seu tempo. A mensagem cristã era muito simples: Deus veio ao mundo e morreu crucificado. Pior do que isso: Deus foi crucificado num “jogo de empurra” entre judeus e romanos, isto é, diferentemente dos outros deuses, o Deus cristão foi morto não por deuses mais poderosos, mas por homens. Sendo Deus, jamais poderia ser morto por mãos humanas, e sendo o Deus onipotente, jamais poderia nem mesmo ser morto. Paulo, apóstolo, estava, portanto, diante de um dilema semelhante ao proposto por Epicuro: Deus era uma impossibilidade filosófica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que os apóstolos surgiram com uma resposta tão genial que os cristãos acreditamos que foi soprada pelo Espírito Santo: antes de vir ao mundo ao encontro dos homens, Deus se esvaziou da sua onipotência&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_edn1" name="_ednref1"&gt;[i]&lt;/a&gt;, isto é, abriu mão do exercício de sua onipotência, e por amor&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_edn2" name="_ednref2"&gt;[ii]&lt;/a&gt;, deixou-se matar por eles&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_edn3" name="_ednref3"&gt;[iii]&lt;/a&gt;. (Eu disse que “Deus abriu mão do exercício de sua onipotência”, bem diferente de “Deus abriu mão de sua onipotência”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apóstolo Paulo admitia que não era possível pensar em Deus sem considerar o binômio bondade/onipotência. Optou pela palavra amor, assim como o apóstolo João, que afirmou “Deus é amor”&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_edn4" name="_ednref4"&gt;[iv]&lt;/a&gt;. Jesus de Nazaré foi Deus encarnado na forma de Amor, e não Deus encarnado na forma de Onipotência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso faz todo o sentido. Um Deus que viesse ao encontro das pessoas em trajes onipotentes chegaria para se impor e reivindicar obediência irrestrita, impressionando pela sua majestade e força sem iguais. Jung Mo Sung adverte que “a contrapartida do poder é a obediência, enquanto a contrapartida do amor é a liberdade”. Também assim pensou o apóstolo Paulo, ao afirmar que o que constrange as pessoas a viver para Deus é o amor de Deus (demonstrado na morte de Jesus na cruz)&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_edn5" name="_ednref5"&gt;[v]&lt;/a&gt;, e nunca o poder de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, “Deus não tinha escolha”. Ao decidir criar o ser humano à sua imagem e semelhança, deveria criá-lo livre. Desejando um relacionamento com o ser humano, deveria dar ao ser humano a liberdade de responder voluntariamente ao seu amor, sob pena de ser um tirano que arrasta para sua alcova uma donzela contrariada. Somente o amor resolveria esta equação, pois somente o amor dá liberdade para que o outro seja livre, inclusive para rejeitar o amor que se lhe quer dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Comte-Sponville é um ateu confesso (sei que vou levar pedradas) que discorre a respeito do amor divino como poucos que já li. Acredita que o amor divino é um ato de diminuição, uma fraqueza, uma renúncia. Usa os argumentos de Simone Weil: “a criação é da parte de Deus um ato não de expansão de si, mas de retirada, de renúncia. Deus e todas as criaturas é menos do que Deus sozinho. Deus aceitou essa diminuição. Esvaziou de si uma parte do ser. Esvaziou-se já nesse ato de sua divindade. É por isso que João diz que o Cordeiro foi degolado já na constituição do mundo. Deus permitiu que existissem coisas diferentes Dele e valendo infinitamente menos que Ele. Pelo ato criador negou a si mesmo, como Cristo nos prescreveu nos negarmos a nós mesmos. Deus negou-se em nosso favor para nos dar a possibilidade de nos negar por Ele. As religiões que conceberam essa renúncia, essa distância voluntária, esse apagamento voluntário de Deus, sua ausência aparente e sua presença secreta aqui embaixo, essas religiões são a verdadeira religião, a tradução em diferentes línguas da grande Revelação. As religiões que representam a divindade como comandando em toda parte onde tenha o poder de fazê-lo são falsas. Mesmo que monoteístas, são idólatras” &lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_edn6" name="_ednref6"&gt;[vi]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já imagina onde quero chegar. Isso mesmo, entre a onipotência e a bondade de Deus existe a liberdade do homem, e o compromisso de Deus em respeitar esta liberdade. Isso ajuda a entender porque existe tanto sofrimento no mundo. O mal não procede de Deus e não é promovido ou determinado por Deus. O mal é conseqüência inevitável da liberdade humana, que teima em dar as costas para Deus e tentar fazer o mundo acontecer à sua própria maneira. Diante do mal e do sofrimento, o Deus com os homens, encarnado em Amor, também sofre, se compadece, tem suas entranhas movidas de compaixão&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_edn7" name="_ednref7"&gt;[vii]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você poderia perguntar por que razão Deus não acaba com o mal. Isso é simples: Deus não acaba com o mal porque o mal não existe, o que existe é o malvado. O mal não é uma entidade ao lado de Deus. O mal é o resultado de uma ação humana em afastar-se do Deus, sumo bem. O monoteísmo cristão afirma que há um só Deus, e que o mal é a privação da presença de Deus. Os cristãos não somos dualistas que postulamos a existência do bem e do mal. O mal é apenas a ausência do bem. Por isso, o mal não existe, o que existe é o malvado, aquele que faz surgir o mal porque se afasta de Deus, o supremo e único bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ariovaldo Ramos me ensinou assim, e completou dizendo que “para acabar com o mal, Deus teria que acabar com o malvado”. Mas, sendo amor, entre acabar com o malvado e redimir o malvado, Deus escolheu sofrer enquanto redime, para não negar a si mesmo destruindo o objeto do seu amor. Por esta razão Deus “se diminui”, esvazia-se de sua onipotência, abre mão de se relacionar em termos de onipotência-obediência, e se relaciona com a humanidade com base no amor, fazendo nascer o sol sobre justos e injustos&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_edn8" name="_ednref8"&gt;[viii]&lt;/a&gt;, e mostrando sua bondade, dando chuva do céu e colheitas no tempo certo, concedendo sustento com fartura e um coração cheio de alegria a todos os homens&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_edn9" name="_ednref9"&gt;[ix]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma pena que Epicuro não tenha lido os apóstolos cristãos, não tenha corrido no parque ao lado de Ricardo Gondim, não tenha ouvido Ariovaldo Ramos pregar, e nem tenha assistido às aulas de Jung Mo Sung.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ednref1" name="_edn1"&gt;[i]&lt;/a&gt; Carta aos Filipenses 2.6-8&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ednref2" name="_edn2"&gt;[ii]&lt;/a&gt; Evangelho de João 3.16&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ednref3" name="_edn3"&gt;[iii]&lt;/a&gt; Atos dos Apóstolos 2.23&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ednref4" name="_edn4"&gt;[iv]&lt;/a&gt; Primeira Carta de João 4.7&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ednref5" name="_edn5"&gt;[v]&lt;/a&gt; 2Coríntios 5.14,15&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ednref6" name="_edn6"&gt;[vi]&lt;/a&gt; Comte-Sponville, André, &lt;em&gt;Pequeno tratado das grandes virtudes&lt;/em&gt;, São Paulo: Martins Fontes, 1995, Capítulo 18: Amor.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ednref7" name="_edn7"&gt;[vii]&lt;/a&gt; Evangelho de São Mateus 9.36; 14.14&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ednref8" name="_edn8"&gt;[viii]&lt;/a&gt; Evangelho de São Mateus 5.44,45&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34469430#_ednref9" name="_edn9"&gt;[ix]&lt;/a&gt; Atos dos Apóstolos 14.17&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116439907977624045?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116439907977624045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116439907977624045&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116439907977624045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116439907977624045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/11/teodicia.html' title='Teodicéia'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116439782314382078</id><published>2006-11-24T17:49:00.000-02:00</published><updated>2006-11-24T17:50:23.156-02:00</updated><title type='text'>Alma dividida</title><content type='html'>Pouca coisa é mais danosa do que a alma dividida: estar num lugar com a cabeça em outro; com uma pessoa, tendo outra a ocupar o afeto; num trabalho, desejando outra maneira de vencer os dias; numa família, invejando outra; numa estrada, ansiando outro destino; numa personagem, sabotando a real identidade do si mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116439782314382078?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116439782314382078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116439782314382078&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116439782314382078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116439782314382078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/11/alma-dividida.html' title='Alma dividida'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116376953894815037</id><published>2006-11-17T11:18:00.000-02:00</published><updated>2006-11-17T11:20:10.256-02:00</updated><title type='text'>Encarnação</title><content type='html'>Para chegar a Deus você precisa passar pelo homem. Para Deus chegar em você Ele também precisa passar pelo homem. Não existe contato direto com Deus, isto é, todo contato entre o humano e o divino é mediado por um outro humano. O humano é ponte entre o humano e o divino. O humano é ponte entre o divino e o humano. Toda vez que você pretender um contato imediato com Deus, deixando de lado a ponte humana, isto é, a horizontalidade que Ele mesmo providenciou, você vai cair num abismo sem fim, isto é, vai experimentar o vazio, aquele sentimento de estar falando com ninguém. É isto o que o Evangelho ensina quando afirma que “existe apenas um Mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus, homem”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116376953894815037?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116376953894815037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116376953894815037&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116376953894815037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116376953894815037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/11/encarnao.html' title='Encarnação'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116376936655827694</id><published>2006-11-17T11:15:00.000-02:00</published><updated>2006-11-17T11:16:06.566-02:00</updated><title type='text'>O menino e a raposinha</title><content type='html'>O menino tinha o dom especial de tratar com os bichos selvagens. Aliás, ele mesmo era meio selvagem. Andava descalço mata adentro como quem corria pelos corredores de seu próprio palácio. Não tinha medo de cobra, lobisomem e nem dos espíritos das florestas, de quem as pessoas comuns não queriam nem ouvir falar. Era amigo de todo mundo, boa praça, prestativo e gentil. Mas quem se metesse com ele descobria um leão enrustido por baixo daquela cara marota no topo do corpo franzino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por isso que um dia voltou pra casa com uma raposinha no colo. Todo mundo disse que raposa não é bicho pra ter no quintal. Raposa é escorpião com pelo, diziam. Mas o menino não se fazia de rogado. Estava acostumado a tratar com bichos selvagens. A raposinha por sua vez, se mostrava cada vez mais especial. Encarava todo mundo com um ar de superioridade e não se intimidava com os que viviam fazendo provocações para que ela se revelasse malévola e desse razão a quem dizia com desdém “você não me engana”. Era o oposto do menino. Metia medo à distância, mas quem se metia com ela via logo que não era aquele bicho papão, era apenas uma raposinha precisando de colo e fazendo pose para se defender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o menino acordou com o braço dilacerado e ensangüentado, e tudo o que conseguiu ver antes de cair pra trás urrando de dor foi o rabo da raposinha saindo do quarto em penumbra. “Você me mordeu, você me mordeu”, chegou aos berros no quintal... A raposinha, sem entender o que estava acontecendo, olhava para o menino com ar de espanto e inocência. Recebia de volta um olhar que misturava decepção, ódio e revolta. Aquele olhar próprio dos que tiveram seu amor traído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não está vendo meu braço dilacerado pela sua bocarra?”, perguntava o menino pingando sangue. “Não estou vendo nada”, respondia a raposinha estarrecida. Num a fração de tempo ficaram naquela discussão onde a realidade se misturava com a imaginação e cada vez que o menino acusava a raposinha, mais a raposinha se indignava e se defendia com veemência e agressividade, fazendo o ódio do menino crescer. “Como você pôde fazer este mal tão grande contra mim?”... “Como você pode acreditar que eu faria isso com você?”, eram as expressões que se repetiam com palavras e frases cada vez mais sofisticadas. Até que num momento a raposinha diz “Você sonhou, você sonhou...”, achando que isso resolveria o dilema. “Sonho na sangra”, disse o menino inconformado. E assim, cada um foi para um lado, o menino e a raposinha, viver sua infelicidade e sua dor, cheios da razão que somente os bichos selvagens sabem ter.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveram assim por um longo tempo. O menino perdeu o gosto de correr pelas florestas e já nem conseguia ouvir direito a música do vento nas matas. A raposinha seguiu seu destino enfrentando tudo e todos, fazendo o possível e o impossível para sobreviver à pecha de escorpião com pelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o menino era especial. Um dia, ouviu o Grande Espírito perguntar o que lhe valia mais, a certeza de ser traído ou o amor da raposinha, a exigência de reparo da ferida aberta ou a alegria da comunhão da raposinha, o braço ou a raposinha. Caiu envergonhada por ter sido aprisionado pelo ódio e o ressentimento, ele que sempre fora capaz de ser amigo dos selvagens, de repente se viu presa do mais selvagem dos bichos, seu próprio coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, o Grande Espírito falava também com a raposinha. “Você acredita mesmo que ele sonhou? Então sabe que ninguém sonha sem razão. Na vida, não existe diferença entre dor de sonho e dor de verdade. O que lhe importa mais, fazer valer sua razão ou voltar à comunhão, provar inocência ou celebrar o amor?”. A raposinha abaixou a cabeça envergonhada, admitindo que não era uma raposinha, mas um bicho selvagem que devia se deixar amansar na humildade própria de quem foi alvo de amor sem reservas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que um dia se viu a raposinha fazendo um curativo no braço do menino. A raposinha enfaixava um braço que acreditava são, cuidando zelar do coração do menino. O menino olhava com carinho a raposinha diligente, oferecendo um braço que doía bastante, mas com um coração tão saudável como jamais experimentara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116376936655827694?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116376936655827694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116376936655827694&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116376936655827694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116376936655827694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/11/o-menino-e-raposinha.html' title='O menino e a raposinha'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116255752689732652</id><published>2006-11-03T09:35:00.000-03:00</published><updated>2006-11-03T09:38:46.906-03:00</updated><title type='text'>A peça ininterrupta</title><content type='html'>A SENHORA PUXOU PARA O LADO A CORTINA NEGRA DA JANELA DE SEU COCHE E PERGUNTOU:&lt;br /&gt;– Por que não vai mais rápido? Você sabe muito bem o que significa para mim chegar a tempo na festa!&lt;br /&gt;O cocheiro perneta inclinou-se na boléia na direção dela e respondeu:– Entramos num comboio, madame. Também não sei como. Só cochilei um pouquinho. De qualquer modo, apareceram de repente essas pessoas que estão obstruindo a estrada.&lt;br /&gt;A senhora saiu da janela e recostou-se. De fato, a estrada estava cheia de uma caravana de pessoas. Eram crianças e velhos, homens e mulheres, todos trajando roupas de saltimbancos de um desbotado multicolorido e aventureiro, chapéus fantásticos na cabeça, enormes pacotes nas costas. Muitos cavalgavam em muares, outros em cães enormes ou avestruzes. No meio, iam carros de duas rodas, cheios até em cima de caixas e malas, ou charretes com toldo onde viajavam famílias.– Quem são vocês? – perguntou a senhora a um jovem com roupa de arlequim que passava ao lado de seu coche. Ele trazia sobre o ombro uma vara, cuja outra extremidade era carregada por uma moça de olhos amendoados e vestes chinesas. Na vara estavam pendurados vários utensílios domésticos, e no ombro dela um macaquinho com frio. – Vocês são de um circo?&lt;br /&gt;– Não sabemos o que somos – disse o jovem. – Nós não somos um circo.– De onde vocês estão vindo? – quis saber a senhora.&lt;br /&gt;– Da montanha do céu – replicou o jovem, – mas isso já faz muito tempo.&lt;br /&gt;– E o que vocês faziam lá?&lt;br /&gt;– Isso foi antes de eu ter vindo ao mundo. Nasci no meio do caminho.&lt;br /&gt;Nesse momento intrometeu-se na conversa um velho que trazia nas costas um enorme alaúde ou baixo.&lt;br /&gt;– Ali nós encenamos a Peça Ininterrupta, bela senhora. Esse garoto não podia saber. Era uma peça para o sol, para a lua e as estrelas. Cada um de nós posicionava-se num cume e gritávamos as palavras uns para os outros. Ela era encenada sem cessar, pois essa peça conservava o mundo unido. Mas agora a maioria de nós já esqueceu isso. Já faz muito tempo.&lt;br /&gt;– Por que vocês pararam de encenar?&lt;br /&gt;– Houve uma tremenda desgraça, bela senhora. Um dia nós notamos que nos faltava uma palavra. Ninguém a havia roubado, nós tampouco a esqueceramos. Ela simplesmente não estava lá. Mas sem essa palavra nós não podíamos continuar encenando, porque nada mais fazia qualquer sentido. Ela era a palavra através da qual tudo se relacionava com tudo. Compreende, bela senhora? Desde então estamos viajando para tentar reecontrá-la.&lt;br /&gt;– A palavra através da qual tudo se relaciona com tudo? – perguntou a senhora espantada.&lt;br /&gt;– Sim – disse o velho acenando sério, – na certa a senhora também já deve ter notado, bela senhora, que o mundo é composto somente de fragmentos, dos quais nenhum tem nada mais a ver com outro. Ele tem sido assim desde que perdemos a palavra. E o pior de tudo é que os fragmentos continuam a se partir, restando cada vez menos partes que se relacionem com as outras. Se não encontrarmos a palavra que relacione tudo com tudo, o mundo vai acabar um dia se pulverizando por completo. É por isso que estamos viajando para procurá-la.&lt;br /&gt;– Vocês acreditam que um dia vão achá-la?&lt;br /&gt;O velho não respondeu, ele acelerou o passo e ultrapassou o coche. A moça dos olhos de amêndoas, que nesse momento caminhava ao lado da janela da senhora, explicou timidamente:– No longo caminho que percorremos, estamos escrevendo a palavra na superfície da Terra. Por isso não ficamos em parte alguma.&lt;br /&gt;– Ah – disse a senhora, – então vocês também sabem para onde devem ir?&lt;br /&gt;– Não, nós nos deixamos levar.&lt;br /&gt;– E quem ou o quê conduz vocês?&lt;br /&gt;– A palavra – respondeu a moça sorrindo, como que querendo pedir desculpas.&lt;br /&gt;A senhora olhou a moça de soslaio durante um longo tempo, depois perguntou em voz baixa:&lt;br /&gt;– Posso ir com vocês?&lt;br /&gt;A moça ficou calada e riu e, lentamente e seguindo o rapaz à sua frente, ultrapassou o coche.&lt;br /&gt;– Pare! – gritou a senhora para seu cocheiro. Este freou os cavalos, virou-se para trás e perguntou:&lt;br /&gt;– A senhora quer realmente ir com esses aí, madame?&lt;br /&gt;A senhora ficou sentada, muda e empertigada no coxim, olhando fixamente para a frente. Pouco a pouco todo o resto da tropa passou pelo coche parado. Quando o último retardatário passou, a senhora levantou e seguiu o comboio com a vista, até que ele desapareceu na distância. Começou a chover um pouco.&lt;br /&gt;– Vamos voltar! – gritou ela para seu cocheiro, enquanto tornava a entrar no carro. – Vamos viajar de volta. Tomei outra decisão.&lt;br /&gt;– Graças a Deus – disse o perneta, – eu já estava pensando que a senhora queria mesmo ir com eles.&lt;br /&gt;– Não – respondeu a senhora perdida em seus pensamentos. – Eu não seria útil para eles. Mas eu e você podemos testemunhar que eles existem e que nós os vimos.&lt;br /&gt;O cocheiro deu a volta nos cavalos.&lt;br /&gt;– Posso perguntar uma coisa, madame?&lt;br /&gt;– O que você quer?&lt;br /&gt;– A madame acredita que eles encontrem essa palavra um dia?&lt;br /&gt;– Se a encontrarem – respondeu a senhora, – então o mundo deverá transformar-se de uma hora para a outra. Você não acha? Talvez um dia sejamos testemunhas dessa transformação. E agora, vamos embora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Michael Ende (autor de A História Sem Fim)em seu romance surreal O Espelho no Espelho.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[ Do imperdível Blog do meu amigo Paulo Brabo: &lt;a href="http://www.baciadasalmas.com"&gt;http://www.baciadasalmas.com&lt;/a&gt; ]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116255752689732652?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116255752689732652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116255752689732652&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116255752689732652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116255752689732652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/11/pea-ininterrupta.html' title='A peça ininterrupta'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116247959188149783</id><published>2006-11-02T11:59:00.000-03:00</published><updated>2006-11-02T11:59:51.890-03:00</updated><title type='text'>Quem tem ouvidos para ouvir, ouça</title><content type='html'>Nossa maioridade nos conduz a um verdadeiro reconhecimento de nossa situação diante de Deus. Deus quer que saibamos que devemos viver como quem administra sua vida sem ele. O Deus que está conosco é aquele que deserta de nós. O Deus que nos permite viver no mundo sem a hipótese funcional de Deus é aquele diante do qual permanecemos continuamente. Diante de Deus e com Deus, vivemos sem ele. [...] Deus é fraco e sem poder neste mundo, e essa é a precisamente a maneira, a única maneira pela qual ele está conosco para nos ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Dietrich Bonhoeffer]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116247959188149783?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116247959188149783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116247959188149783&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116247959188149783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116247959188149783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/11/quem-tem-ouvidos-para-ouvir-oua.html' title='Quem tem ouvidos para ouvir, ouça'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116198929240686472</id><published>2006-10-27T19:46:00.000-03:00</published><updated>2006-10-27T19:48:12.416-03:00</updated><title type='text'>Complexidade</title><content type='html'>Certamente você já ouviu falar no conceito de complexidade. Foi com Edgar Morin que eu comecei a transitar por essas bandas. Disse ele que “complexus significa o que foi tecido junto; de fato, há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo (como o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico) e há um tecido interdependente, interativo e inter-retroativo entre o objeto de conhecimento e seu contexto, as partes e o todo, o todo e as partes, as partes entre si. Por isso, a complexidade é a união entre a unidade e a multiplicidade”. &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(MORIN, Edgar, Os sete saberes necessários à educação no futuro. São Paulo: Cortez, 2000. p. 38.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Complexidade é a existência de “uma unidade múltipla”, o que implica o paradoxo de “uma unidade com vários centros”. Mais ou menos como a cidade de São Paulo, ou qualquer grande centro urbano. Por exemplo, antigamente havia o “centro da cidade”. Ainda me lembro daquela época quando morávamos em Santos e minha mãe dizia “hoje à tarde vou à cidade”. Hoje é bem diferente, cada canto da cidade é um centro com tudo o que tem direito: indústria e comércio, lazer, cultura e arte, escola, hospital e igrejas, muitas igrejas. Ninguém precisa mais “ir à cidade”, pois mesmo as pessoas que moram em cantos diferentes da mesma cidade, moram “no centro”. Isso é complexidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine que dentro de você existem várias cidades. Uma sobre a outra, com o se fossem camadas de um bolo. Existe dentro de você a cidade chamada “crenças e convicções”, uma outra chamada “desejos e vontades”, mais uma, chamada “pensamentos e raciocínios”, e ainda uma outra, chamada “emoções e sentimentos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, imagine que Søren Kierkegaard, teólogo cristão existencialista, estivesse certo ao afirmar que “pureza de coração é desejar uma só coisa”, e que para ver a Deus, pois somente os puros de coração verão a Deus, conforme disse Jesus (e não duvide que ele estava certo), você tem que ter seu mundo interior completamente alinhado. Isto é, o centro da cidade “crenças e convicções” tem que estar alinhado com o centro da cidade “desejos e vontades”, que por sua vez tem que estar alinhado com o centro da cidade “pensamentos e raciocínios”, e todas com o centro da cidade “emoções e sentimentos”. Essa é uma forma de extrapolar o que Kierkegaard quis dizer, mas certamente é uma boa definição de “santo” no senso comum da cultura evangélica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando digo “alinhado”, quero dizer que se você furar o chão bem no centro de uma cidade, você tem que encontrar exatamente o centro da cidade que está em embaixo. Nesse caso, todos os centros de todos os seus desejos e vontades, todas as crenças e convicções, todos os seus pensamentos e raciocínios, e todas as suas emoções e sentimentos têm que estar justapostos em perfeita harmonia. Não pode haver contradição entre o que você crê e o que você faz, entre o que você pensa e o que você sente, ou entre o que você, e assim por diante. Mais do que isso, você não pode ter vontades e pensamentos conflitantes,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine mais. Imagine que estas cidades que existem dentro de você não têm apenas um centro, e que todos os centros de todas as cidades têm que estar alinhados. E tem mais. Imagine que alguns desses centros você nem imagina que existam e alguns outros que pensa que conhece são ilusões e centros falsos. Estas são as cidades do seu subconsciente ou do seu inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, imagine que todos os centros de todas as suas cidades, conscientes, inconscientes e subconscientes devem estar alinhados para que você veja a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim imagino. E por esta razão acredito que ver a Deus é algo somente possível mediante revelação. E uma vez recebida a revelação, a gente vai fazendo a sintonia fina e alinhando pouco a pouco os centros das nossas cidades interiores. Com o passar do tempo, a imagem de Deus vai ficando cada vez mais nítida, e aí a gente perde a arrogância de falar de Deus com tantas certezas, até porque o que a gente vê deixa a gente até sem fala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116198929240686472?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116198929240686472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116198929240686472&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116198929240686472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116198929240686472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/complexidade.html' title='Complexidade'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116172849283156676</id><published>2006-10-24T19:20:00.000-03:00</published><updated>2006-11-03T09:40:01.676-03:00</updated><title type='text'>A verdade e suas metáforas</title><content type='html'>Em certo país dava-se o nome de metáfora a qualquer recipiente próprio para conter algum líquido. Havia nesse país uma fonte de água cristalina, porém tão amarga que dizia-se bastar um único gole para matar de desgosto um homem adulto; cria-se no entanto que diluída ou em pequenas doses essa água tinha propriedades mágicas ou medicinais, e deu-se a ela o nome de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levas de peregrinos acorriam incessantemente à fonte, e partiam para seus lugares de origem levando a verdade em seus vasos metafóricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém uma rigorosa seita, que cria que a verdade deve ser experenciada sem o auxílio de metáforas, atacava as caravanas de peregrinos. Querendo ensiná-los a obter a verdade em estado puro, os sectários destruíam a pauladas as metáforas que a continham. Quebrados os recipientes, a verdade se derramava e desaparecia no solo, ficando sem ela peregrinos e sectários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez um rapaz voltava da fonte levando a verdade em sua metáfora quando viu de longe a aproximação dos sectários. Não querendo ver derramada a verdade que trazia consigo, o rapaz não hesitou e bebeu em goles resolutos toda a água da vasilha.– Onde está a verdade que você trazia nessa metáfora? – perguntaram os perseguidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu bebi – desafiou o rapaz. – Agora a verdade está dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os sectários mataram-no a pauladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, começou a correr a notícia de que a verdade, embora amarga, não era mortal, e que o recipiente próprio para conter a verdade era um ser humano. Com o passar do tempo os próprios homens passaram a ser chamados de metáforas, e conta-se que nunca estiveram mais perto da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Do imperdível Blog do meu amigo Paulo Brabo: &lt;a class="moz-txt-link-freetext" title="http://www.baciadasalmas.com/2006/a-peca-ininterrupta/" href="http://www.baciadasalmas.com"&gt;http://www.baciadasalmas.com&lt;/a&gt; ]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116172849283156676?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116172849283156676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116172849283156676&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116172849283156676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116172849283156676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/verdade-e-suas-metforas.html' title='A verdade e suas metáforas'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116162295836657165</id><published>2006-10-23T14:02:00.000-03:00</published><updated>2006-10-23T14:03:47.190-03:00</updated><title type='text'>Paradoxos</title><content type='html'>Paradoxo é uma “aparente falta de nexo ou de lógica, uma contradição”, conforme nos ensina o dicionário. Por exemplo, a expressão de Jesus, “quem perder a sua vida, acha-la-á”, é um paradoxo. Como pode algo acontecer ao mesmo tempo que seu contrário ? A gente perde, ou acha a vida, mas perder e achar ao mesmo tempo é uma contradição, isto é, um paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas verdades, entretanto, somente podem ser expressas em termos de paradoxos. A vida não é tão simples que possa seguir adiante sem contradições. Mas por outro lado, algumas contradições da vida são na verdade experiências aparentemente opostas, mas que se completam, que fazem sentido quando são somadas, ou que apontam em direções opostas, mas que não se excluem, isto é, podem conviver sem que uma anule a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação entre a soberania de Deus e o livre arbítrio do ser humano é um dos grandes paradoxos da vida. Aparentemente, são duas verdades opostas. É verdade que Deus está no controle soberano de todas as coisas. Mas também é verdade que o ser humano é livre para tomar decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, na história de José do Egito, isso fica bem claro. José foi vendido por seus irmãos para um mercador que comercializava escravos no Egito. Mas ao final da vida, José afirma que foi Deus quem o levou para o Egito. A final de contas, foi Deus ou foram os irmãos de José os responsáveis pela sua ida para o Egito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso a responsabilidade seja toda de Deus, então a traição dos irmãos não pode ser levada em conta e eles não podem ser julgados moralmente, pois estavam fazendo apenas o que Deus queria que fizessem, isto é, sem saber, estavam sendo manipulados por Deus. Mas se a responsabilidade é toda dos irmãos de José, então como pode José dizer que foi Deus quem o levou para lá ? Neste caso José estava enganado, e, pior do que isso, sua vida estava nas mãos de seus irmãos e não de Deus, de modo que Deus não era soberano sobre a vida de José.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira como podemos resolver isso é através do conceito de paradoxo. Precisamos acreditar que a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana. Devemos acreditar que a vida está em nossas mãos, pois somos responsáveis pelas nossas decisões, e seremos cobrados e julgados por Deus em relação ao que fizemos e ou deixamos de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também podemos descansar no fato de que Deus está no controle de todas as coisas, cuidando de nós como Pai amoroso, e que nenhum cabelo da nossa cabeça cairá sem sua permissão. Devemos acreditar que Deus está agindo na história de acordo com seu propósito eterno. Isto é, devemos dizer como Jó: “bem sei que tudo podes, e nenhum dos seus propósitos pode ser frustrado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dwigth Lyman Moody resumiu este paradoxo da vida com o seguinte conselho: “Ore como se tudo dependesse de Deus. Trabalhe como se tudo dependesse de você”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116162295836657165?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116162295836657165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116162295836657165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116162295836657165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116162295836657165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/paradoxos.html' title='Paradoxos'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116066590925644586</id><published>2006-10-12T12:09:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T12:16:02.100-03:00</updated><title type='text'>A Oração ao Deus Desconhecido</title><content type='html'>Antes de prosseguir em meu caminho&lt;br /&gt;e lançar o meu olhar para frente uma vez mais,&lt;br /&gt;elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.&lt;br /&gt;A Ti, das profundezas de meu coração,&lt;br /&gt;tenho dedicado altares festivos para que, em&lt;br /&gt;Cada momento, Tua voz me pudesse chamar.&lt;br /&gt;Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:&lt;br /&gt;“Ao Deus desconhecido”.&lt;br /&gt;Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.&lt;br /&gt;Seu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.&lt;br /&gt;Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo.&lt;br /&gt;Eu quero Te conhecer, desconhecido.&lt;br /&gt;Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.&lt;br /&gt;Tu, o incompreensível, mas meu semelhante,&lt;br /&gt;quero Te conhecer, quero servir só a Ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;[Friedrich Nietzche]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Traduzida do alemão por Leonardo Boff)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116066590925644586?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116066590925644586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116066590925644586&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116066590925644586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116066590925644586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/orao-ao-deus-desconhecido.html' title='A Oração ao Deus Desconhecido'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116066541833954106</id><published>2006-10-12T12:01:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T12:08:56.560-03:00</updated><title type='text'>A janela lateral</title><content type='html'>“A distância que vai entre a janela e os meus olhos determina o que vejo lá fora na rua. Se fico mais perto, a visão se alarga; se fico de longe, a visão se estreita. Se vou à esquerda, enxergo a praça; se vou à direita, enxergo a torre. Sou eu que determino o que aparece lá fora na rua para servir de panorama aos meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem por isso é falso ou errado aquilo que vejo e descrevo, pois não sou eu que crio as coisas que aparecem lá fora. Já existiam antes de mim. Não dependem de mim. É útil e até necessário que cada um defina bem clara e honestamente aquilo que vê pela sua janela. Isso redundará em benefício da análise que se faz da realidade da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me consola é que todos somos assim. Bem limitados e condicionados pelos próprios olhos, dependentes uns dos outros. É trocando as experiências, numa conversa franca e humilde, que nos ajudamos a enxergar melhor as coisas que vemos, e a romper as barreiras que nos separam sem razão. Pois ninguém é dono da verdade. Intérprete só”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falou Carlos Mesters, que li há mais de vinte anos. Desde então a teologia ficou &lt;em&gt;sub judice&lt;/em&gt;. Compreendi que a teologia não é um discurso a respeito de Deus, mas apenas trocas de impressões a respeito das múltiplas interpretações que os homens fazem de Deus. Foi então que compreendi porque o Cristianismo não depende da ortodoxia, mas da revelação. A ortodoxia é uma teologia elevada à categoria de verdade absoluta. A revelação é o encontro com uma pessoa. Uma pessoa que não cabe nem na teologia nem na ortodoxia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116066541833954106?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116066541833954106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116066541833954106&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116066541833954106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116066541833954106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/janela-lateral.html' title='A janela lateral'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116066367505808613</id><published>2006-10-12T11:34:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T11:34:35.060-03:00</updated><title type='text'>Por trás das tragédias</title><content type='html'>Fiz visitas pastorais a duas mulheres que vestem luto. Lá pelas tantas uma delas disse entre lágrimas: “Deus deve ter as razões dele para levar meu filho, mas está difícil de entender”. Após um silêncio cauteloso e respeitoso, perguntei se ela considerava a possibilidade de Deus não ter tido razão alguma na morte de seu filho. Ela aquiesceu e enxugou os olhos, como quem diz, “é, você tem razão, Deus não tem nada com isso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim acredito. Afirmar que Deus tem lá suas razões por trás das tragédias equivale a atribuir a Deus a causa de tais tragédias. Algo como Deus decidir dia e hora de virar nosso mundo de pernas para o ar, movido pela firme convicção de que tem algo a nos dar ou ensinar ou um lugar onde deseja chegar às custas de nosso sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta que me faço é, afinal de contas, o que Deus quer fazer em mim, comigo, por mim, através de mim ou contra mim que pode ser mais importante do que a vida do meu filho? Não encontro qualquer resposta suficientemente razoável para acreditar que Deus precise sacrificar vidas por minha causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, Deus já sacrificou a única vida que precisava de fato ser sacrificada por minha causa. O Calvário foi testemunha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116066367505808613?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116066367505808613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116066367505808613&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116066367505808613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116066367505808613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/por-trs-das-tragdias.html' title='Por trás das tragédias'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116066362374070116</id><published>2006-10-12T11:32:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T11:33:43.750-03:00</updated><title type='text'>Perfume de mulher</title><content type='html'>De repente entra na sala uma mulher de reputação pra lá de duvidosa e caminha segura na direção de Jesus. Não faz cerimônia, ajoelha-se atrás dele e lava-lhe os pés com lágrimas. Usa os cabelos como toalha, e derrama sobre os pés secos o perfume que enche a casa de cheiro de cabaré. Jesus não se faz de rogado: entrega os pés aos beijos da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estreitos de plantão não perdem tempo. Criticam o desperdício de perfume, sugerindo que poderia ser transformado em pão para os pobres, e fazem questão de anunciar em alto e bom som que se trata de uma mulher de péssima reputação, pecadora, disseram. Por trás das palavras a respeito da mulher está uma implícita condenação a Jesus: se fosse profeta saberia que a mulher não presta; se fosse sério não se deixaria tocar daquele jeito; se fosse dos nossos condenaria a mulher de vida fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Jesus é diferente. Não é dos nossos. Jesus aceita o perfume das prostitutas. Já consigo ouvir a observação dos estreitos de hoje: é verdade, mas a mulher abandonou aquela vida... Sei não. Tudo quanto Jesus lhe diz é “seus pecados estão perdoados”, pois a demonstração de amor estava proporcional ao alívio da culpa: a quem muito é perdoado, muito ama. E Jesus se despede da mulher: “Sua fé a salvou, vá em paz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via de regra os beatos não aceitam o perfume das pecadoras. E quando aceitam querem se certificar de que já mudaram de vida ou pretendem mudar. Essa é a face mais sombria do cristianismo institucionalizado: impor sua moral, enclausurar o amor de Deus e a graça do Cristo. Será o caso de “deixarmos” que a graça faça seu caminho dentro das pessoas, e as pessoas façam seu caminho por dentro da graça? Será que conseguimos acreditar que Deus trata com os pecadores, e o faz aceitando seu perfume? Ou preferimos controlar os pecadores, exigindo que se enquadrem em nossas estreitas molduras morais, em vez de lhes dar espaço para a transformação de dentro para fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde foi que esconderam o Deus que aceita o perfume das prostitutas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116066362374070116?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116066362374070116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116066362374070116&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116066362374070116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116066362374070116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/perfume-de-mulher.html' title='Perfume de mulher'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116051496322427172</id><published>2006-10-10T18:15:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T19:51:17.153-03:00</updated><title type='text'>Deus é inocente</title><content type='html'>“Se o céu existe, Deus tem muito que explicar”. Essa afirmação do Robert De Niro faz eco em meu coração. Também experimento o incômodo de deixar Deus sub judice diante do sofrimento humano. Não me conformo diante das injustiças da vida. O argumento de que todos somos maus e em última análise ninguém mereceria ser poupado do mal não me satisfaz. Sou daqueles que acreditam que coisas ruins acontecem às pessoas boas e acalentam silenciosos uma certa contrariedade quando coisas boas acontecem às pessoas ruins. Acredito, sim, que no mundo existe gente boa e gente ruim. E também acredito que a maioria das pessoas não merece a tragédia que sofre. O casal que perde o filho recém nascido, o adolescente que fica tetraplégico após um displicente mergulho na piscina do clube, a mulher que se vê mutilada pelo câncer, o pai de família que percorre as ruas na indignidade do desemprego e que, por vergonha ou por caráter – as duas coisas, não sabe nem mesmo esmolar, são situações cotidianas que me fazem dormir mal sob o peso do veredicto: Deus tem mesmo muito que explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas trago no coração duas outras certezas que me apaziguam a alma, me dão coragem para viver e me animam à solidariedade, ainda que tímida e não poucas vezes insuficiente. A primeira certeza é que o céu existe. A Bíblia fala que existe este século e o porvir, deixando claro que este mundo não é a realidade definitiva. O presente estado das coisas não é a versão final da obra de Deus. Uma coisa é o mundo em que vivemos. Outra, o mundo em que viveremos eternamente. O mundo completamente redimido é o que entendo ser o céu. E a respeito das coisas que acontecem neste mundo e não deveriam acontecer, e que não acontecerão no mundo vindouro, Deus já se explicou. Deus se pronunciou em alto e bom som, há mais de dois mil anos, na cruz do Calvário, onde foi morto Jesus de Nazaré, o Cristo, unigênito de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha outra certeza é que “Deus prova seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. Quem duvida do amor de Deus deve olhar para o Calvário. No dia em que o sofrimento se agiganta e a visão do amor de Deus fica ofuscada pelas lágrimas da dor quase insuportável, a cruz do Calvário é o grito apaixonado de Deus. John Stott disse que na cruz de Cristo, Deus justifica não apenas a humanidade, mas justifica a si mesmo. Na cruz de Cristo, Deus se levanta diante de todos os que o acusam de ser injusto, tirano, indiferente ao sofrimento e à dor humanas, e pronuncia a sentença de inocência sobre si mesmo. A cruz de Cristo é a prova irrefutável do amor de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cruz de Cristo há quatro afirmações que provam o amor e definem a inocência de Deus. Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque se solidariza com as vítimas do mal e da malignidade. Através da morte de Jesus Cristo, seu Filho, Deus afirma “O mal também me feriu”, “O sofrimento chegou também à minha casa”, “As lágrimas pelo padecimento injusto também rolam dos meus olhos”, “Eu e as vítimas do mal e da malignidade somos um”. Verdadeiramente Deus levou sobre si nossas dores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que imaginam que o Deus que “habita em luz inacessível” vive confortavelmente no ar condicionado do céu, enquanto suas criaturas penam contra o diabo na terra do sol, estão absolutamente enganados. Deus tem a cara suja pelas lágrimas que borram seu rosto sofrido com a dor de cada um dos seus filhos por adoção e do seu unigênito. Na cruz de Cristo Deus sofre conosco. Sofre por nós. Sofre em nosso lugar. Deus sabe o que é padecer. Seu Filho é homem de dores. Ovelha muda entre seus sanguinários tosquiadores. Na cruz de Cristo Deus atravessou não apenas o vale da sombra da morte. Atravessou a própria morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque não é contato não entre os promotores do mal, mas entre os que sofrem os danos da malignidade. Na cruz de Cristo Deus afirma “Não olhem para mim como se eu ordenasse o mal”, “Quando estiver sofrendo, não me conte entre os que lhe causam a dor”, “Na cruz, eu não batia pregos na mão de ninguém. Na cruz, a mão sob os pregos ferozes era a minha”. Quase posso escutar Deus dizendo à mãe que chora a filha atropelada: “Não me tome como quem passou por cima, eu estava em baixo, sendo esmagado sob o peso da borracha negra que me dilacerava a carne e a alma”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cruz de Cristo Deus sofre o mal. Na cruz de Cristo Deus é exposto como vítima da malignidade e não como algoz que causa dor e sofrimento. Na cruz de Cristo os verdadeiros promotores da morte são publicamente desmascarados. Cai o pano. E todo mundo pode ver que Deus não está com mãos sujas de sangue inocente. Na cruz de Cristo Deus é a mão inocente que sangra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque fica evidente que a causa do sofrimento é o pecado da raça humana. Os pecadores estão pensos nas cruzes laterais, mas a cruz do meio sustém um inocente. Na cruz de cristo Deus afirma: “Vocês deflagraram o mal”, “Vocês abriram a caixa de Pandora”, “Vocês soltaram a besta fera”, “Vocês macularam o Paraíso”. O aviso ainda ecoa pelo universo: “No dia em que pecar, certamente morrerás”. A presença da morte é evidência de pecado. E o pecado é responsabilidade da raça humana. A cruz de Cristo somente se explica porque o pecado que a faz necessária. Naquele dia em que Deus provava seu amor para conosco éramos de fato ainda pecadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cruz de Cristo Deus é declarado inocente porque é o que morre, e não o que mata. Na cruz de Cristo pende o justo morrendo a morte dos injustos. O veredicto está lançado: há pecado, pois que haja morte. O salário do pecado é a morte, disse o apóstolo. A justiça do Deus três vezes santo há que ser satisfeita. Deus está diante de seu dilema eterno: matar ou morrer. E sua opção é definitiva, desde antes da criação do mundo: morrer. Na cruz de Cristo Deus faz sua escolha e anuncia sua disposição de amor absoluto: se alguém tem que morrer para que a justiça volte a brilhar no universo maculado pela culpa da raça humana, que viva a raça e que morra eu-Eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dos dilemas é criar ou não criar. O segundo é criar com liberdade ou sem liberdade. O terceiro é assumir o ônus da liberdade ou deixar este ônus nas mãos da criatura. Deus faz as escolhas que o machucam, que lhe causam dor, que o fazem sofrer, que o diminuem. Simone Weil diz que “Deus e todas as suas criaturas é menos do que Deus sozinho”. Deus escolhe criar. Escolhe criar um ser livre, pois não fosse livre não seria à imagem do Criador. E escolhe arcar com ônus da liberdade que concede à sua criatura. Na cruz de Cristo está Deus, dando ao rebelde o direito de existir. Na cruz de Cristo está Deus, entregando sua vida, voluntariamente, em favor dos pecadores. O mal deflagrado pela raça  humana levanta sua sombra sobre o trono de Deus. E Deus se levanta como um Cordeiro que se doa, pois escolhera morrer, em detrimento de matar. Na cruz de Cristo está o Deus que morre para que todos tenham vida, vida completa, abundante vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116051496322427172?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116051496322427172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116051496322427172&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116051496322427172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116051496322427172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/deus-inocente.html' title='Deus é inocente'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116044265996291374</id><published>2006-10-09T22:09:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T15:19:18.450-03:00</updated><title type='text'>Nosso destino é Cristo</title><content type='html'>Romanos 8&lt;br /&gt;28 Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam,g dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.&lt;br /&gt;29 Pois aqueles que de antemão conheceu, também &lt;strong&gt;os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho&lt;/strong&gt;, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2Coríntios&lt;br /&gt;17Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade.&lt;br /&gt;18 E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, &lt;strong&gt;segundo a sua imagem estamos sendo transformados&lt;/strong&gt; com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gálatas 4&lt;br /&gt;19 Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, &lt;strong&gt;até que Cristo seja formado em vocês&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Efésios 4&lt;br /&gt;11 E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,&lt;br /&gt;12 com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado,&lt;br /&gt;13 até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e &lt;strong&gt;cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colossenses 1&lt;br /&gt;27 A ele quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória.&lt;br /&gt;28 Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, para que apresentemos &lt;strong&gt;todo homem perfeito em Cristo&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1Pedro 1&lt;br /&gt;3 Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude.&lt;br /&gt;4 Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas &lt;strong&gt;vocês se tornassem participantes da natureza divina &lt;/strong&gt;e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1João 3&lt;br /&gt;2 Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, &lt;strong&gt;seremos semelhantes a ele&lt;/strong&gt;, pois o veremos como ele é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116044265996291374?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/116044265996291374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=116044265996291374&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116044265996291374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116044265996291374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/nosso-destino-cristo.html' title='Nosso destino é Cristo'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-116000338095584988</id><published>2006-10-04T19:58:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:13:46.146-03:00</updated><title type='text'>Ninguém vai para o Céu</title><content type='html'>"Eu acredito no Céu, e estou comprometido com esta fé. Mas quer saber de uma coisa? Dá muito trabalho achar versículos que dizem que nós vamos para o Céu! Dê uma olhadinha e veja quantos você consegue achar. Talvez você se assuste. Note bem, não estou dizendo que o Céu não existe. Mas leia o livro de Apocalipse. Como é que ele termina? Nova Jerusalém está descendo do Céu para a Terra. Eu não vou para o Céu - o Céu é que vem para cá! Sou um crente que realmente acredita no Céu, mas que ele vai ser aqui, nesta Terra devidamente restaurada. Perceba o que Deus faz com Jesus: quando Cristo é ressuscitado, os discípulos conseguem ver que é o corpo do Salvador, mas que foi transformado. O que aconteceu? Acredito que o Céu e Terra se uniram em Jesus. O corpo físico de Jesus foi permeado, foi tomado pela existência do Céu. E é isto que devemos esperar. Esta Terra será tomada pela presença do Céu e será transformada. Da mesma forma que o corpo de Jesus era o mesmo, mas transformado, acredito que esta será a mesma Terra, mas transformada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estas palavras de Rikk Watts &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Livres para amar, Editora Sepal, p.30) &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;eu acrescentaria que o que devemos esperar não é a chegada do Céu, mas a completa transformação de nós mesmos, isto é, sermos transformados à imagem de Cristo, ser como Cristo, ser Cristo, para que possamos habitar a Terra transformada pela presença do Céu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-116000338095584988?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116000338095584988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/116000338095584988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/ningum-vai-para-o-cu.html' title='Ninguém vai para o Céu'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-115990416519281661</id><published>2006-10-03T16:18:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:13:25.763-03:00</updated><title type='text'>Nosso destino</title><content type='html'>Uma das coisas mais estúpidas que já acreditei em termos de religião foi que a composição da população do céu podia ser mensurada pelo número de pessoas que dissessem sim a um apelo de conversão a Jesus Cristo feito nas bases da tradição do cristianismo protestante evangélico anglo-americano. Traduzindo: se você acredita que irão para o céu somente as pessoas que aceitam a Jesus como salvador depois de ouvir o evangelho pregado a partir da cultura anglo-americana, então você está em apuros: o seu céu é pequeno demais; o seu Deus é pequeno demais; o seu Cristo é pequeno demais; o seu evangelho é pequeno demais; o seu Espírito Santo é pequeno demais; o seu universo de comunhão é pequeno demais; seu projeto existencial é pequeno demais; sua peregrinação espiritual é pequena demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente que se articule uma outra maneira de convocar pessoas para que se coloquem a caminho do céu. Uma convocação que considere que “nem todo o que me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus” – palavras de Jesus. Uma convocação que re-signifique o conceito de céu, que deve deixar de ser um lugar geográfico em outro mundo para onde se vai após a morte, para significar uma dimensão de relacionamento com o Deus Eterno para a experiência contínua do processo de humanização: estar em Cristo, ser como Cristo, ser Cristo. Com isso quero dizer que o convite para aceitar Jesus como salvador como credencial para ir para o céu não é a melhor convocação. A melhor convocação é um chamado para se tornar uma outra pessoa. A peregrinação espiritual cristã não é uma migração de um lugar para outro, mas de um estado de ser para outro. Nosso destino não é o céu. Nosso destino é Cristo. E tenho certeza de que muita gente vai chegar lá mesmo sem nunca ter ouvido o plano de salvação desenvolvido pelos teólogos sistemáticos anglo-americanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-115990416519281661?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115990416519281661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115990416519281661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/10/nosso-destino.html' title='Nosso destino'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-115936811730838035</id><published>2006-09-27T11:38:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:12:37.240-03:00</updated><title type='text'>Religião e Outra Espiritualidade</title><content type='html'>Qual a diferença entre espiritualidade e religião?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espiritualidade é a experiência humana do sagrado, transcendente, divino. Religião é a maneira como o ser humano organiza e vivencia esta experiência. Espiritualidade é uma experiência humana universal. Religião é uma experiência humana condicionada a dogmas, ritos, códigos morais e grupos de pessoas que acreditam nas mesmas coisas e celebram sua espiritualidade da mesma maneira. As religiões mais conhecidas no mundo são Judaísmo, Islamismo, Cristianismo, Hinduísmo e Budismo. A espiritualidade é o que os seres humanos têm em comum. Por exemplo, tanto o Dalai Lama quanto o Papa Bento XVI têm uma espiritualidade, mas têm religiões diferentes. Um é budista e outro é cristão. Em termos simples, assim como o ser humano tem corporeidade (relação com o corpo) e racionalidade (relação com a mente), também tem espiritualidade (relação com as realidades espirituais). Religião é maneira como cada ser humano desenvolve e pratica sua espiritualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que “outra espiritualidade”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de cada religião existe um número variado de maneiras de vivenciar a espiritualidade. Por exemplo, no Cristianismo a espiritualidade pode ser vivida de uma forma Católica Romana e outra Protestante, e mesmo dentro do Protestantismo, existem ramificações como o protestantismo histórico, o pentecostalismo e o neo-pentecostalismo. No Brasil, os protestantes ficaram conhecidos como “evangélicos”. Isto é, “evangélico” é um ramo do protestantismo, que por sua vez é um ramo do Cristianismo, que por sua vez é uma das cinco grandes religiões. Ser “evangélico”, portanto, é uma forma de viver a espiritualidade cristã, e nesse caso podemos dizer que existe uma “espiritualidade cristã evangélica”. Por trás da expressão “outra espiritualidade” está a sugestão de que existe uma outra maneira de viver a espiritualidade cristã, diferente da maneira como os evangélicos a vivem. Na verdade, o livro procura demonstrar sob vários enfoques, que a “espiritualidade evangélica” está cada vez mais distante do que se pode considerar uma “espiritualidade cristã”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-115936811730838035?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115936811730838035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115936811730838035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/09/religio-e-outra-espiritualidade.html' title='Religião e Outra Espiritualidade'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-115935543606930882</id><published>2006-09-27T08:10:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:11:54.670-03:00</updated><title type='text'>Outro Deus [# 02]</title><content type='html'>Chegou a minha vez de dizer que “Deus morreu, vocês mataram Deus”. Sei dos riscos. Dizem que gato escaldado tem medo de água fria. Mas alguns gatos não se dão por vencidos. Aliás, dizem também que gatos têm sete vidas. Que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, posso atenuar um pouco, respeitando as pessoas que me querem bem e temem por mim. Temem que eu me comprometa em lutas quixotescas. Temem as retaliações que possa sofrer. E, na verdade, temem que eu perca o juízo e a fé. Nesse caso, dou um passo atrás e digo que um deus morreu em mim. E nasceu outro, que me seduziu com amor eterno. Por Ele me apaixonei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deus que morreu foi exaltado na sub-cultura da religiosidade evangélica brasileira. Basicamente, era um deus que (1) vivia de plantão para me poupar de qualquer tragédia, evitar meus sofrimentos, e abreviar as situações que me trariam qualquer desconforto; (2) prometia satisfazer não apenas minhas necessidades, mas também meus desejos; (3) estava comprometido a me favorecer em todas as minhas demandas contra os pagãos; (4) compensava minhas irresponsabilidades e ignorâncias em troca de minha fé; (5) manipulava todas as circunstâncias da minha vida como um tapeceiro que corta fios e dá nós no emaranhado do avesso do tapete, para revelar a bela paisagem ao final do processo, capaz de encantar todos aqueles que olham pelo lado certo. Enfim, morreu em mim aquele deus parecido com a figura idealizada de um super-pai, que levou homens como Freud, Nietzsche e Sartre a desdenharem da religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse deus morreu em mim porque se demonstrou falso. Isto é, ou não existia de fato, ou estava descrito de maneira equivocada, pois não precisamos ser muito sagazes para perceber que (1) o justo sofre, (2) o justo convive com frustrações, (3) os maus prosperam, (4) Deus não faz o que compete aos seres humanos fazer, e (5) não se pode conceber que Deus tenha decidido na eternidade que a missionária fulana de tal seria estuprada numa esquina de São Paulo, para cumprir um propósito, pois nesse caso, o estuprador está isento de responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é razoável a crença em um deus que coloca os seus fiéis numa bolha protetora contra toda sorte de dificuldades e possibilidades de dores. A Bíblia Sagrada registra que todos os homens que foram íntimos de Deus e cumpriram tarefas designadas por Ele sofreram, mais até do que muitos que deram as costas para Ele. Isso levou Santa Teresa de Ávila afirmar: “Se o Senhor trata assim os seus amigos, não se admira que tenha tantos inimigos”. Também não faz sentido o relacionamento com Deus motivado pelo interesse de suas bênçãos e galardões, pois isso faz com que Deus deixe de ser um fim em si mesmo e passe a ser um meio de prosperidade, isto é, passa a ser um ídolo a serviço dos fiéis. Igualmente incoerente é acreditar que a fé é suficiente para o êxito, pois ninguém passa no vestibular “pela fé”. Finalmente, não é sensato acreditar que Deus é a causa de tudo quanto acontece no mundo, pois nesse caso Deus estaria por trás de todo ato de maldade, levando o malvado a agir, de modo que ninguém seria culpado pelos seus atos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa coisa de “Deus tem um plano para cada criatura” é incoerente em relação à fé cristã, pois seres criados à imagem e semelhança de Deus não podem ser privados da liberdade. Ou os seres humanos são responsáveis pelos seus destinos, ou não podem ser julgados moralmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse deus morreu. Mas sua morte fez ecoar uma pergunta no ar: Deus tem um favor especial aos nascidos de novo? Isto é, em relação aos não cristãos, os cristãos são tratados de maneira diferente pelo seu Deus? Minha resposta é sim e não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, porque por definição aqueles que se relacionam de maneira consciente e voluntária com Deus desfrutam de possibilidades que extrapolam os horizontes de vida daqueles que vivem como se Deus não existisse. A pergunta a respeito do cuidado especial de Deus não se refere a favoritismo ou acepção de pessoas, mas de algo inerente ao relacionamento. Algo como alguém perguntar se uma mãe trata diferente seus filhos em relação a outras crianças. É claro que sim, pois estão sob seus cuidados e sob sua autoridade. Mas, em tese, uma mulher que vive a experiência da maternidade trata todas as crianças com o mesmo senso de justiça e compaixão. E é justamente nesse sentido que Deus não faz qualquer distinção entre os que o reconhecem e os que o rejeitam: Deus faz o sol nascer sobre justos e injustos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então, qual foi o Deus que nasceu para ocupar o lugar do deus que morreu? Ou se preferir, para tornar a coisa um pouco mais prática, o que posso esperar de Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Sendo cristão, enxergo a vida com outros olhos. Experimentei a metanóia, que chamam de arrependimento, mas creio ser uma expansão de consciência (do gr. meta = além, e nous = mente). Vivo sob valores, imperativos, prioridades e propósitos diferenciados. Conhecer a Deus me faz andar na luz, na verdade, livre de pesos, culpas e máscaras, com a consciência e as intenções tão puras quanto um ser humano imperfeito as pode ter, e isso já basta para que minha vida dê um salto de qualidade imensurável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Recebo subsídios de Deus no meu “homem interior”, pois sendo verdade que “tudo posso naquele que me fortalece” aprendo a viver o contentamento em toda e qualquer situação. As promessas de Deus aos seus não dizem respeito ao conforto circunstancial ou à prosperidade aqui e agora, mas afetam a interioridade humana, por exemplo, com paz que excede o entendimento e alegria completa. Mais do que isso, a intimidade com Deus não faz a minha vida mais fácil, mas me faz mais humano, mais maduro, mais capaz de amar com a lucidez que escolhe as coisas mais excelentes, mais capaz de enfrentar com dignidade toda e qualquer situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Sou integrado numa comunidade de cristãos que me abençoa na dinâmica da mutualidade. O socorro de Deus para minha vida chega pelas mãos dos meus irmãos. São os meus irmãos que me falam as palavras de Deus, repartem comigo seu pão, andam ao meu lado no vale da sombra da morte. Experimento a presença de Deus na comunhão com os filhos de Deus, vendo Deus na face dos irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) Tenho minha consciência e sensibilidades despertadas para o sofrimento da raça humana e a agonia do cosmos que sofre suas dores, de modo a receber um pouco do amor e da compaixão do coração de Deus em meu próprio coração, e acato a utopia do novo céu e da nova terra não como sonhos irrealizável, mas como promessa que motivas à ação toda vez que sou interpelado pelo Deus que me fala desde o clamor dos oprimidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(5) Vivo sob o olhar amoroso, poderoso e justo de Deus, que interfere em minha vida à luz de sua economia eterna, à seu critério, e isso é mistério da graça, isto é, não depende dos méritos dos beneficiados. Descanso no fato de que, apesar de Deus não ser a causa primeira de tudo quanto me acontece, não há qualquer coisa que venha me acontecer que esteja fora do seu conhecimento, controle e cuidado. É suficiente crer que toda vez que Deus opta por deixar a vida correr seu curso normal – e geralmente é isso o que Deus faz – nada pode me separar do seu amor, que está em Cristo Jesus meu Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em síntese, morreu o deus que fazia de mim uma criança mimada, que chorava a cada desencontro da vida. Recebi revelação do Deus que me convida a crescer, para que Ele possa me receber como seu cooperador, seu amigo, alguém com quem Ele não tem segredos, e que encontra a felicidade não na vida confortável, mas na vida digna. Com a morte de um deus, morreu também uma espiritualidade. E nasceu outra, marcada pela graça, pela fé e pela resistência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-115935543606930882?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115935543606930882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115935543606930882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/09/outro-deus-02.html' title='Outro Deus [# 02]'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-115935536363017327</id><published>2006-09-27T08:08:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:10:50.243-03:00</updated><title type='text'>Outro Deus [# 01]</title><content type='html'>Por que “outro Deus”? Para responder, preciso fazer uma confissão: gosto de Marx (1818 – 1883), Nietzsche (1844-1900), Freud (1856-1939), Sartre (1905 – 1980), e outros caras do tipo.&lt;br /&gt;Gosto porque são passionais, ou melhor, prefiro dizer viscerais, e honestos, pelo menos no que escreveram. Gosto porque suas perguntas deixam os religiosos, como eu, por exemplo, no canto da parede.&lt;br /&gt;Gosto porque suas perguntas não têm nada a ver com Deus. Têm tudo a ver com os religiosos, ou se você preferir, com a idéia religiosa de Deus, o que Saramago chamou de “fator Deus” – a maneira como Deus é percebido, crido, tratado pelos que nele crêem.&lt;br /&gt;A religião, no sentido de “fator Deus”, de fato, é um esconderijo para gente alienada, covarde e infantil. Não são poucos os que se apegam ao “fator Deus” em busca de consolo para sua infelicidade na existência e sobrevivem do sonho do paraíso pós morte, deixando a história entregue aos oportunistas.&lt;br /&gt;Muita gente procura em Deus o pai que nunca teve e ou gostaria de ter tido, isto é, aquele protetor e provedor incondicional, para quem se corre quando a vida faz careta. Outros há que se recolhem em Deus fugindo exatamente da possibilidade de encarar as caretas da vida, numa recusa em assumir a responsabilidade de escrever uma biografia digna, entregando tudo aos desígnios determinados pelo céu, a famosa vontade de Deus.&lt;br /&gt;Por que “outro Deus”? Porque um Deus que gera alienados, infantis e covardes não é Deus, é um deus. Um Deus “costas largas”, como diz minha mãe, responsabilizado por todas as mazelas da vida, e é cobrado por solucionar rápido o desconforto dos seus fiéis, não é Deus, mas um deus, isto é, um ídolo.&lt;br /&gt;Mas há coisa pior do que ser alienado, infantil e covarde. Dizem que pouca gente faz tanto mal quanto os estúpidos engajados, os idiotas trabalhadores. Quando o sujeito é um estúpido ou idiota preguiçoso, passivo, causa pouco estrago. Mas quando o sujeito é dedicado, comprometido, voluntarioso, então o estrago é grande.&lt;br /&gt;Eles descambam para os fundamentalismos, promovem os sectarismos, abusam de sua pseudo autoridade, manipulam gente piedosa, usam a religião em benefício próprio, instrumentalizam o nome de Deus, e transformam o que seria esperança em niilismo e cinismo. Estes tais serviram para Nietzsche justificar sua angústia: “Se mais remidos se parecessem os remidos, mais fácil me seria crer no redentor”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-115935536363017327?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115935536363017327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115935536363017327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/09/outro-deus-01.html' title='Outro Deus [# 01]'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-115929192641128281</id><published>2006-09-26T14:30:00.000-03:00</published><updated>2006-09-26T14:32:06.446-03:00</updated><title type='text'>A miopia de Lutero</title><content type='html'>Martinho Lutero, quem diria, disse que Jesus “comportou-se com tanta humildade e associou-se com homens e mulheres pecadores, e por conseqüência não foi grandemente estimado”, sendo que por conta disso, “o diabo fez vista grossa e não o reconheceu. Pois o diabo é míope; ele olha apenas para o que é grande e elevado e se apega a isso; não olha para o que está embaixo e abaixo dele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria que Lutero me explicasse um pouco mais essa coisa de que o diabo não prestou a devida atenção em Jesus. O Novo Testamento mostra um diabo perfeitamente consciente da identidade de Jesus, como também acuado de medo e submisso à autoridade do Filho do deus Altíssimo (leia Marcos 5.6,7, só pra ter uma idéia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas meu foco principal não é esse. De fato, adoraria também saber de onde foi que Lutero tirou a idéia de que o homem está embaixo e abaixo do diabo. Admiro o Lutero, justo ele que, em minha humilde opinião, fez a opção correta ao traduzir o verso 5 do Salmo 8, onde se diz claramente que o homem foi criado “pouco abaixo de Deus”. Os tradutores se dividem, com ampla maioria concordando com Lutero, entre dizer que o homem está abaixo dos anjos ou abaixo de Deus. Alguns ficam encima do muro e traduzem “abaixo dos seres celestiais”. Mas a maioria esmagadora opta por colocar o homem em posição de autoridade sobre todo o universo criado, inclusive anjos e demônios. Lutero fez isso em sua tradução da Bíblia alemã em 1545.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico a me perguntar esta miopia na hierarquia dos seres criados, colocando o homem abaixo e embaixo do diabo, não explica o pessimismo antropológico da teologia tradicional. Toda vez que a dignidade do homem é usurpada o futuro da história fica mais sombrio. E os que vivem da religião mais radiantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-115929192641128281?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/feeds/115929192641128281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34469430&amp;postID=115929192641128281&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115929192641128281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115929192641128281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/09/miopia-de-lutero.html' title='A miopia de Lutero'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-115928730376242502</id><published>2006-09-26T13:12:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:09:30.626-03:00</updated><title type='text'>O Evangelho dos Evangélicos</title><content type='html'>“Nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.” [Jesus Cristo]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou convencido de que um é o evangelho dos evangélicos, outro é o evangelho do reino de Deus. Registro que uso o termo “evangélico” para me referir à face hegemônica da chamada igreja evangélica, como se apresenta na mídia radiofônica e televisiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evangelho dos evangélicos é estratificado. Tem a base e tem a cúpula. Precisamos falar com muito cuidado da base, o povo simples, fiel e crédulo. Mas precisamos igualmente discernir e denunciar a cúpula. A base é movida pela ingenuidade e singeleza da fé; a cúpula, muita vez é oportunista, mal intencionada, e age de má fé. A base transita livremente entre o catolicismo, o protestantismo e as religiões afro. A base vai à missa no domingo, faz cirurgia em centro espírita, leva a filha em benzedeira, e pede oração para a tia que é evangélica. Assim é o povo crédulo e religioso. Uma das palavras chave desta estratificação é “clericalismo”: os do palco manipulando os da platéia, os auto-instituídos guias espirituais tirando vantagem do povo simples, interesseiro, ignorante e crédulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cúpula é pragmática, e aproveita esse imaginário religioso como fator de crescimento da pessoa jurídica, e enriquecimento da pessoa física. Outra palavra chave é “sincretismo”. A medir por sua cúpula, a igreja evangélica virou uma mistura de macumba, protestantismo e catolicismo. Tem igreja que se diz evangélica promovendo “marcha do sal”: você atravessa um tapete de sal grosso, sob a bênção dos pastores, e se livra de mal olhado, dívida, e tudo que é tipo de doença. Já vi igreja que se diz evangélica distribuir cajado com água do Jordão (i.é, um canudo de bic com água de pia), para quem desejasse ungir o seu negócio, isto é, o seu business. Lembro de assistir a um programa de TV onde o apresentador prometia que Deus liberaria a unção da casa própria para quem se tornasse um mantenedor financeiro de sua igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo religioso é supersticioso e cheio de crendices. Assim como o Brasil. Somos filhos de portugueses, índios, africanos, e muitos imigrantes de todo canto do planeta. Falar em espíritos na cultura brasileira é normal. Crescemos cheios de crendices: não se pode passar por baixo de escada; gato preto dá azar; caiu a colher, vem visita mulher, caiu garfo, vem visita homem; e outras tantas idéias sem fundamento. Somos assim, o povo religioso é assim. Tem professor de universidade federal dando aula com cristal na mão para se energizar enquanto fala de filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a cúpula evangélica aproveita a onda e pratica um estelionato religioso: oferece uma proposta ritualística que aprisiona, promove a culpa e, principalmente, ilude, porque promete o que não entrega. Aliás, os jornais começam a noticiar que os fiéis estão reivindicando indenizações e processando igrejas por propaganda enganosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evangelho dos evangélicos é estratificado. A base é movida pela ingenuidade e singeleza da fé, e a cúpula é oportunista. A base transita entre o catolicismo, o protestantismo e as religiões-afro, e a cúpula é pragmática. A base é cheia de crendices e a cúpula pratica o estelionato religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evangelho dos evangélicos é mercantilista, de lógica neoliberal. Nasce a partir dos pressupostos capitalistas, como, por exemplo, a supremacia do lucro, a tirania das relações custo-benefício, a ênfase no enriquecimento pessoal, a meritocracia – quem não tem competência não se estabelece. Palavra chave: prosperidade. Desenvolve-se no terreno do egocentrismo, disfarçado no respeito às liberdades individuais. Palavra chave: egoísmo. Promove a desconsideração de toda e qualquer autoridade reguladora dos investimentos privados, onde tudo o que interessa é o lucro e a prosperidade do empreendedor ou investidor. Palavra chave: individualismo. Expande-se a partir da mentalidade de mercado. Tanto dos líderes quanto dos fiéis. Os líderes entram com as técnicas de vendas, as franquias, as pirâmides, o planejamento de faturamento, comissões, marketing, tudo em favor da construção de impérios religiosos. Enquanto os fiéis entram com a busca de produtos e serviços religiosos, estando dispostos inclusive a pagar financeiramente pela sua satisfação. Em síntese, a religião na versão evangélica hegemônica é um negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito abre sua micro-empresa religiosa, navega no sincretismo popular, promete mundos e fundos, cria mecanismos de vinculação e amarração simbólicas, utiliza leis da sociologia e da psicologia, e encontra um povo desesperado, que está disposto a pagar caro pelo alívio do seu sofrimento ou pela recompensa da sua ganância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, o evangelho dos evangélicos é mágico. Promove a infantilização em detrimento da maturidade, a dependência em detrimento da emancipação, e a acomodação em detrimento do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra ser evangélico você não precisa amadurecer, não precisa assumir responsabilidades, não precisa agir. Não precisa agregar virtudes ao seu caráter ou ao processo de sua vida. Primeiro porque Deus resolve. Segundo porque se Deus não resolver, o bispo ou o apóstolo resolvem. Observe a expressão: “Estou liberando a unção”. Pensando como isso pode funcionar, imaginei que seria algo como o apóstolo ou bispo dizendo ao Espírito Santo: “Não faça nada por enquanto, eles não contribuíram ainda, e eu não vou liberar a unção”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe, por exemplo, a unção da superação da crise doméstica. Como isso pode acontecer? A pessoa passa trinta anos arrebentando com o seu casamento, e basta se colocar sob as mãos ungidas do apóstolo, que libera a unção, e o casamento se resolve. Quem não quer isso? Mágica pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito é mau-caráter, incompetente para gerenciar o seu negócio, e não gosta de trabalhar. Mas basta ir ao culto, dar uma boa oferta financeira, e levar para casa um vidrinho de óleo de cozinha para ungir a empresa e resolver todos os problemas financeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa postura de não assumir responsabilidades, de não agir com caráter, e esperar que Deus resolva, ou que o apóstolo ou bispo liberem a unção tem mais a ver com pensamento mágico do que com fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quarto lugar, o evangelho dos evangélicos tem espírito fundamentalista. Peço licença para citar Frei Beto: “O fundamentalismo interpreta e aplica literalmente os textos religiosos, não sabe que a linguagem simbólica da Bíblia, rica em metáforas, recorre a lendas e mitos para traduzir o ensinamento religioso.” O espírito fundamentalista é literalista, e o mais grave é que o espírito fundamentalista se julga o portador da verdade, não admite críticas, considerações ou contribuições de outras correntes religiosas ou científicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem o espírito fundamentalista não dialoga, pois considera infiéis, heréticos, ou, na melhor das hipóteses, equivocados sinceros, todos os que não concordam com seus postulados, que não são do mesmo time, e não têm a mesma etiqueta. Quem tem o espírito fundamentalista se considera paradigma universal. Dialoga por gentileza, não por interesse em aprender. Ouve para munir-se de mais argumentos contra o interlocutor. Finge-se de tolerante para reforçar sua convicção de que o outro merece ser queimado nas fogueiras da inquisição. Está convencido de que só sua verdade há de prevalecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez Frei Beto: “o fundamentalista desconhece que o amor consiste em não fazer da diferença, divergência”. Por causa do espírito fundamentalista, o evangelho dos evangélicos é sectário, intolerante, altamente desconectado da realidade. O evangelho dos que têm o espírito do fundamentalismo é dogmático, hermético, fechado a influências, e, portanto, é burro e incoerente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quinto lugar, o evangelho dos evangélicos é um simulacro. Simulacro é a fotografia mais bonita que o sanduíche. Não me iludo, o evangelho dos evangélicos é mais bonito na televisão do que na vida. As promessas dos líderes espirituais são mais garantidas pela sua prepotência do que pela sua fé. Temos muitos profetas na igreja evangélica, mas acredito que tenhamos muito mais falsos-profetas. Os testemunhos dos abençoados são mais espetaculares do que a realidade dos cristãos comuns. De vez em quando (isso faz parte da dimensão masoquista da minha personalidade) fico assistindo estes programas, e penso que é jogada de marketing, testemunho falso. Mas o fato é que podem ser testemunhos por amostragem. Isto é, entre os muitos que faliram, há sempre dois ou três que deram certo. O testemunho é vendido como regra, mas na verdade é apenas exceção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aparência de integridade dos líderes espirituais é mais convincente na TV e no rádio do que na realidade de suas negociatas. A igreja evangélica esta envolvida nos boatos com tráficos de armas, lavagem de dinheiro, acordos políticos, vendas de igrejas e rebanhos, imoralidade sexual, falsificação de testemunho, inadimplência, calotes, corrupção, venda de votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A integridade do palco é mais atraente do que a integridade na vida. A fé expressa no palco, e nas celebrações coletivas é mais triunfante, do que a fé vivida no dia a dia. Os ideais éticos, e os princípios de vida são mais vivos nos nossos guias de estudos bíblicos e sermões do que nas experiências cotidianas dos nossos fiéis. Os gabinetes pastorais que o digam: no ambiente reservado do aconselhamento espiritual a verdade mostra sua cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estratificado, mágico, mercantilista, fundamentalista, e simulacro. Eis o evangelho dos “evangélicos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-115928730376242502?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115928730376242502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115928730376242502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/09/o-evangelho-dos-evanglicos.html' title='O Evangelho dos Evangélicos'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-115928579089034126</id><published>2006-09-26T12:47:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:08:52.540-03:00</updated><title type='text'>O Deus Idolatrado</title><content type='html'>O segundo dos dez mandamentos proíbe a fabricação de ídolos e imagens de qualquer coisa no céu, na terra e embaixo da terra. A proibição inclui o próprio Deus. A inteligência do mandamento diz que qualquer tentativa de reduzir Deus a uma imagem implica transformá-lo em um ídolo. Deste pecado, entretanto, muitos cristãos são réus de juízo. Senão observe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#1 Deus é transformado em ídolo quando ocupa o imaginário das pessoas como o mais poderosos dentre todos os deuses. O monoteísmo afirma que existe apenas um Deus, e não que Deus é o deus mais poderoso. O primeiro mandamento, “não terás outros deuses”, não é uma proibição à adoração de outros deuses, mas uma afirmação de que não existem outros deuses. Na verdade, os outros deuses são fabricação da mente humana, isto é, ídolos. Toda vez que Deus é comparado com “outros deuses”, mesmo para que seja destacado como o maior e melhor, ele foi reduzido à categoria de ídolo. Deus é único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#2 Deus é transformado em ídolo quando é confinado aos limites de imagens, locais, pessoas, ritos, símbolos, seres, ou qualquer outra coisa que dê a Ele uma medida, pois Deus é o Ser-Em-Si, não sujeito a tempo, espaço e modo. Deus é Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#3 Deus é transformado em ídolo quando se pretende que o relacionamento com ele seja destituído de quaisquer implicações morais, pois isso equivale a atribuir a Deus uma categoria de neutralidade, e, portanto, despersonaliza-lo. Deus é Espírito Pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#4 Deus é transformado em ídolo quando o relacionamento com Ele é fundamentado em relações de mérito e demérito, pois nesse caso o fator determinante do relacionamento é o humano, que faz por merecer ou deixa de merecer, isto é, Deus apenas reage. Deus é gratuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#5 Deus é transformado em ídolo quando o relacionamento com Ele é fundamentado em relações de causa e efeito, pois isso implica confinar Deus às regras de um mecanismo que pode ser ativado ou desativado, e nesse caso se pretende manipular Deus através a descoberta dos botões que o fazem funcionar. Deus é incondicionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#6 Deus é transformado em ídolo quando as expectativas que se têm a respeito dele geram ao redor de questões meramente circunstâncias, pois o reino de Deus não é comida nem bebida, isto é, não está circunscrito às questões efêmeras e materiais. Deus é Eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#7 Deus é transformado em ídolo quando é submetido à obrigatoriedades determinadas pela conveniência humana, pois Deus deixa de ser um fim em si mesmo e é transformado em meio para um fim maior. Deus é soberano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#8 Deus é transformado em ídolo quando em seu nome se faz exigência de sacrifícios humanos, pois Deus não se alimenta de vidas humanas, sendo Ele mesmo o doador e mantenedor da vida. Deus é amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#9 Deus é transformado em ídolo quando é submetido a qualquer regra de qualquer ordem. Deus é incontrolável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;#10 Deus é transformado em ídolo quando se torna objeto de discussão, em detrimento de objeto de devoção e paixão, o que pode acontecer inclusive em relação a este texto que fica dizendo que Deus é isso e aquilo. Deus é indiscutível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-115928579089034126?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115928579089034126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115928579089034126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/09/o-deus-idolatrado.html' title='O Deus Idolatrado'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-115897485992174070</id><published>2006-09-22T22:25:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:08:25.156-03:00</updated><title type='text'>Outra Espiritualidade</title><content type='html'>A expressão “outra espiritualidade” sugere a pergunta: “outra em relação a que?”. Isto é, que espiritualidade está sendo abandonada para que em seu lugar apareça “outra”? No meu caso é simples: estou abandonando a espiritualidade do senso comum evangélico, e saindo em busca da espiritualidade do senso comum da tradição cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresso-me em explicar. Considero “senso comum” uma forma simples de me referir ao fato de que apesar da enorme diversidade a respeito das características que identificam o ser evangélico, há um núcleo que resume a maneira como este segmento religioso da sociedade articula sua crença e modus vivendi. Ao escolher o senso comum, admito que a “outra espiritualidade” que busco não é uma novidade, mas um resgate dos aspectos essenciais à fé cristã conforme se estabeleceram nestes mais de dois mil anos de história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado o rigor acadêmico e científico, que não cabe na proposta deste texto, chamo de “senso comum da fé evangélica” os conteúdos articulados na face mais visível desta tradição religiosa, notadamente através das mídias impressa, radiofônica e televisiva. São os autores e comunicadores de massa que “fazem a cabeça” dos fiéis e aos poucos vão definindo, consciente e inconscientemente, voluntária e involuntariamente, um núcleo de crenças determinantes de uma cosmovisão, e por conseqüência, um jeito de ser no mundo. A partir de um determinado ponto, passa a existir uma cultura autônoma, independente dos conteúdos mais elaborados dos teóricos. Esta cultura autônoma é apropriada pelo povo e a partir de então é deflagrado um processo de desenvolvimento de crenças e costumes que vai se distanciando cada vez da proposta original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvidas quanto ao fato de que este fenômeno aconteceu na chamada igreja evangélica, e que o ser evangélico, conforme compreendido hoje pela sociedade brasileira, e até mesmo por muitos evangélicos, está absolutamente distante dos conteúdos originais da fé cristã. Evidentemente, é pretensioso aquele que afirma conhecer “os conteúdos originais da fé cristã”, pois toda teologia é interpretação, isto é, tudo quanto os cristãos propagam são versões do conteúdo original. O que se exige é a avaliação mínima dos conteúdos atuais em comparação com aqueles que foram historicamente, desde períodos mais remotos, divulgados como constitutivos da fé cristã. Tenho a firme convicção de que o cristianismo dos evangélicos contemporâneos é absolutamente distinto do cristianismo dos primeiros cristãos e das tradições teológicas mais consistentes da história da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, é muito triste o fato de que grande parte dos novos líderes evangélicos e dos novos convertidos à fé evangélica desconheçam a tradição teológica da história da igreja, seus expoentes mais respeitados, suas fundamentações filosóficas, seus embates com os espíritos de suas épocas, suas argumentações apologéticas, e, principalmente seu sangue vertido em defesa da fé. Os neo-evangélicos estão ocupados demais em construir uma experiência religiosa que lhes satisfaça no imediato, e não se ocupam com as aproximações da verdade, uma vez que vivem o pragmatismo de quem se ocupa antes em fazer deus funcionar do que em ser íntimo dEle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui tomando consciência disso aos poucos, e de certa forma, construindo meu pensamento a respeito de “outro Deus e outra espiritualidade” passo a passo, um insight de cada vez, como o pão, que nos chega à alma toda manhã, caindo do céu a cada dia. Pão que reparto com temor e tremor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-115897485992174070?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115897485992174070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115897485992174070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/09/outra-espiritualidade.html' title='Outra Espiritualidade'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34469430.post-115895723408254079</id><published>2006-09-22T17:30:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T11:06:08.300-03:00</updated><title type='text'>Lançamento do novo livro</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1526/3799/1600/m_outraesp02.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 218px" height="250" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1526/3799/1600/m_outraesp02.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Convido você para o lançamento do meu novo livro, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10551&amp;amp;cod_categoria=4"&gt;Outra espiritualidade&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, publicado pela editora Mundo Cristão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;DATA :&lt;/strong&gt; 27 de setembro&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LOCAL:&lt;/strong&gt; Siciliano (Shopping Pátio Higienópolis - Av. Higienópolis, 618)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;HORÁRIO:&lt;/strong&gt; 19h30&lt;br /&gt;Abraço e até lá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34469430-115895723408254079?l=outraespiritualidade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115895723408254079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34469430/posts/default/115895723408254079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outraespiritualidade.blogspot.com/2006/09/lanamento-do-novo-livro.html' title='Lançamento do novo livro'/><author><name>Ed René Kivitz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
